A Hypera deve ter uma aceleração grande de vendas nos próximos meses com a queda de patentes de medicamentos que incluem a semaglutida, afirmou o presidente da farmacêutica brasileira, Breno de Oliveira, nesta sexta-feira.
O executivo disse que a queda da patente da molécula deve ocorrer na próxima sexta-feira, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não autorizou nenhum medicamento baseado na semaglutida a partir do fim da patente.
"Por enquanto, nenhuma autorização foi dada pela Anvisa. A gente acredita que vamos ser um dos primeiros a ter o registro avaliado (pela agência) e posteriormente o lançamento", disse Oliveira, durante conferência com analistas após a publicação na noite da véspera dos resultados da Hypera no quarto trimestre.
Após o registro do medicamento pela Anvisa, o executivo afirmou que deve levar alguns meses para um produto ser lançado no mercado. "Semaglutida é a principal aposta para 2026."
Oliveira afirmou que o mercado brasileiro da semaglutida movimenta pelo menos R$5 bilhões por ano, sem considerar os produtos comercializados via farmácias de manipulação e importação sem registro.
"Com novos entrantes, esse mercado deve crescer significativamente... Mercado já é maior que R$5 bilhões e tende a ficar maior com produtos de qualidade e mais acessíveis."
Sobre o varejo farmacêutico, Oliveira afirmou que o primeiro trimestre tem mostrado um crescimento de "sell out" - ou a venda de produtos de farmácias para o consumidor - em ritmo semelhante ao verificado no quarto trimestre do ano passado, quando a taxa registrada pela empresa no balanço foi de 7,4%.
Questionado sobre a performance da companhia este ano, o diretor financeiro, Ramon Sanches Silva, comentou que a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) pode ficar próxima dos 33,5% alcançados no quarto trimestre e que a empresa vê espaço para "um pouco de redução" nos descontos de preços de medicamentos.
E, enquanto a Hypera terminou 2025 com uma alavancagem financeira de 2,6 vezes, o objetivo no atual ambiente de juros elevados é redução do múltiplo para mais próximo de 1,5 vez, de acordo com o presidente da companhia, algo que ele estima que a Hypera poderá atingir dentro de dois anos, sem considerar eventuais aquisições.