Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec

5 mai 2026 - 15h13
(atualizado às 16h09)

As exportações de carne bovina do Brasil, maior exportador ‌global, poderão recuar cerca de 10% em 2026 em relação a 2025 diante de restrições tarifárias da China, afirmou nesta terça-feira o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa.

Falando a jornalistas, Perosa disse ainda que a produção de carne bovina destinada à China deverá parar por volta de junho, devido à tarifa, e que o consumo desse produto no Brasil precisa aumentar para substituir o que não será exportado ⁠ao país asiático.

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A China, maior importador da carne bovina brasileira, implementou uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre ‌da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, para proteger sua produção interna.

Tal volume já vem sendo completado, já que as empresas correram para realizar os embarques à China sem a ‌taxa proibitiva. Além disso, o total considera também o que foi embarcado ‌ao final de 2025 e o que ingressou no país asiático no início de 2026.

Das exportações ⁠totais de carne bovina do Brasil em 2025, de 3,5 milhões de toneladas, a China levou 1,7 milhão de toneladas, segundo dados da Abiec.

"Não há mercado que substitua a China", disse Perosa, presidente da associação que representa grandes produtores de carne bovina listados em bolsa, incluindo JBS Z98.F, MBRF MBRF3.SA e Minerva BEEF3.SA.

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No início do ano, a Abiec tinha um cenário mais otimista, projetando uma certa estabilidade nas exportações mesmo com a tarifa da China, ‌mas considerando aberturas de mercados e o redirecionamento de vendas para outros destinos.

Havia expectativa, por exemplo, com a abertura ‌da Coreia do Sul para a ⁠carne bovina do Brasil, o ⁠que não deve mais acontecer em 2026, disse Perosa, acrescentando que não há mais previsão para os sul-coreanos visitarem fábricas no ⁠Brasil, após o cancelamento de uma missão em junho.

Ele afirmou ‌estar esperançoso com a eventual abertura das ‌exportações para o Japão, outro destino que poderia ajudar a amenizar a queda nos embarques para a China.

Com relação à abertura da Turquia, que também poderia dar impulso, Perosa disse que há a dependência de um "convencimento técnico". Os turcos exigem que toda a carne brasileira passe por testagens, o que seria ⁠inviável, enquanto o Brasil negocia que os testes possam ser feitos por lotes.

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QUEDA DO BOI

Perosa, que vai à China esta semana para uma missão de negócios, disse ainda que os preços da arroba bovina, que bateram patamares máximos em abril de mais de R$365, com impulso da corrida para preencher a cota do país asiático, deverão recuar conforme sinalizam os contratos futuros, pela menor demanda ‌chinesa no segundo semestre.

Os preços futuros na B3 estão em torno de R$330/arroba, disse ele. "É daí para baixo. Se não vai ter a demanda, como faz?"

Com a cota livre da tarifa mais alta preenchida, a ⁠produção de carne bovina para a China pararia por volta de junho e voltaria em meados de outubro, já visando as entregas para 2027, observou Perosa.

As dificuldades para acessar o principal mercado se somam à guerra no Irã, que tem gerado interrupções no transporte e alta dos custos logísticos, com preço do frete marítimo triplicando, observou o presidente da Abiec.

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A região do Oriente Médio representa cerca de 15% das exportações de carne bovina brasileira, além de ser rota para embarques a outros destinos. Mas o setor tem encontrado outros caminhos para entregar o produto, minimizando os impactos. Ele citou que as exportações para a região, que tinham caído 20% em março, recuaram 10% em abril.

Por outro lado, as exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo principal destino dos embarques, vão bem, uma vez que o país norte-americano está importando mais para lidar com uma baixa oferta local.

Mas o Brasil quer uma cota maior sem a tarifa de 26,4%. "O governo brasileiro está pautado sobre o pedido de aumento da cota...", disse Perosa.

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