A escolha entre ETFs de dividendos e de valorização depende dos objetivos financeiros e do horizonte do investidor. Enquanto os fundos de dividendos, tradicionais ou sintéticos via opções, focam em renda periódica complementar, os de valorização priorizam o crescimento patrimonial no longo prazo. Ambas as estratégias não são excludentes e podem coexistir na carteira, exigindo análise prévia sobre retorno total, riscos, taxas e sobreposição de ativos para equilibrar volatilidade e rentabilidade.
Quem investe por meio de ETFs pode seguir estratégias diferentes. Enquanto alguns investidores buscam receber dividendos periodicamente para complementar a renda, outros priorizam a valorização do patrimônio no longo prazo. A escolha depende dos objetivos financeiros, do horizonte de investimento e dos riscos envolvidos em cada produto.
Os ETFs de dividendos podem utilizar diferentes estratégias para gerar distribuições aos cotistas. Em alguns fundos, os pagamentos vêm dos dividendos tradicionais das empresas. Em outros, como os que adotam estratégias de dividendos sintéticos, a renda é gerada por meio de operações com derivativos. Já os ETFs voltados à valorização do patrimônio não têm a distribuição periódica como objetivo principal.
Na Buena Vista Capital, as duas propostas fazem parte do portfólio de ETFs. Segundo Renato Nobile, CEO da gestora, os fundos de dividendos foram pensados para complementar investimentos mais amplos, como aqueles ligados ao S&P 500, ao Ibovespa ou à renda fixa.
Como funcionam os ETFs de dividendos sintéticos?
Uma das estratégias utilizadas por ETFs de dividendos sintéticos é a venda de opções de compra relacionadas aos ativos da carteira. Ao negociar esses contratos, o fundo recebe prêmios que podem ser distribuídos aos cotistas.
"Uma parte da estratégia é ficar comprado em uma classe de ativos específica, que dá exposição àquela classe. A segunda parte é onde entra o dividendo sintético: é onde geramos renda", explica Nobile.
O mecanismo permite buscar distribuições mesmo quando as empresas ou os ativos investidos não pagam dividendos tradicionais elevados. É o caso de estratégias ligadas ao Nasdaq-100, como o QQQI11 e até mesmo ao ouro com o AURO11. Sem essa estrutura em ETF, o ouro, não paga dividendos por conta própria.
O valor dos dividendos sintéticos, porém, varia conforme as condições do mercado. "O que influencia o valor distribuído é principalmente a volatilidade implícita daquela categoria de ativos", afirma o executivo.
Em geral, ativos mais voláteis podem proporcionar prêmios maiores na venda de opções, mas também estão sujeitos a oscilações mais intensas. Além disso, a estratégia pode limitar parte do potencial de valorização do ativo em determinados cenários.
Qual é a diferença entre ETFs de dividendos e ETFs de valorização?
Nos ETFs voltados à valorização, a proposta é oferecer exposição a determinados ativos ou estratégias de investimento, sem priorizar a distribuição periódica de dividendos aos cotistas.
Nobile cita o RICO11 como um exemplo da Buena Vista Capital com essa proposta. Segundo o CEO, o ETF foi projetado para acompanhar o desempenho das 50 principais empresas listadas nos Estados Unidos que são detidas por bilionários norte-americanos.
Assim, a principal diferença desse tipo de ETF em relação aos focados em dividendos é que o investidor não precisa depender de distribuições periódicas para obter retorno. O ganho pode vir da valorização da cota, embora também exista a possibilidade de perdas caso os ativos se desvalorizem.
Vale combinar ETFs de dividendos e ETFs de valorização?
A escolha entre ETFs de dividendos e de valorização não precisa ser excludente. Dependendo dos objetivos e do perfil de risco, o investidor pode combinar diferentes tipos de fundos para buscar exposição a mercados internacionais e, ao mesmo tempo, receber dividendos.
Nobile descreve os ETFs de dividendos da gestora como produtos complementares a investimentos mais amplos. A ideia é que eles ocupem uma parcela específica da carteira, em vez de necessariamente substituir toda a exposição a ações ou outros ativos.
Essa combinação exige atenção à composição dos fundos. Dois ETFs diferentes podem ter exposição aos mesmos ativos ou setores, mesmo quando seguem estratégias distintas. Além disso, um ETF que distribui mais dividendos não é necessariamente aquele que oferece o maior retorno total.
O investidor também deve considerar quando pretende utilizar o dinheiro. Quem precisa de pagamentos periódicos pode valorizar a distribuição de proventos, enquanto quem está acumulando patrimônio pode priorizar o crescimento do investimento e reinvestir os proventos recebidos.
O que avaliar antes de escolher um ETF?
Segundo Nobile, dois pontos importantes são a classe de ativos que o investidor deseja ter na carteira e o nível de renda que pretende buscar. Essa avaliação ajuda a diferenciar ETFs ligados a índices de ações, criptomoedas ou outros mercados, por exemplo.
Além desses fatores, é importante observar:
- Objetivo do investimento definir se a prioridade é receber dividendos periodicamente ou acumular patrimônio.
- Risco dos ativos: entender que a exposição ao S&P 500, ao Nasdaq-100 e ao Bitcoin, por exemplo, envolve níveis diferentes de volatilidade.
- Retorno total: analisar a evolução da cota junto aos dividendos distribuídos, e não apenas os pagamentos.
- Custos e estratégia: verificar as taxas, os ativos da carteira e o funcionamento dos derivativos utilizados pelo fundo.
- Horizonte de investimento: considerar quando o dinheiro poderá ser necessário e por quanto tempo o investidor pode manter a aplicação.
A escolha entre ETFs de dividendos e ETFs de valorização depende, portanto, de como cada estratégia se encaixa nos objetivos do investidor. Os fundos de dividendos podem atender a quem busca distribuições periódicas, enquanto os voltados à valorização podem fazer sentido para quem prioriza o crescimento do patrimônio.