O resort Tayayá não é mais da família Toffoli desde fevereiro do ano passado, mas o empreendimento deixou uma dívida com o banco Bradesco cujo pagamento tem sido adiado nos últimos anos. Com o valor original de R$ 20 milhões, o empréstimo foi feito em 2016 e deveria ter sido pago em 3 anos. No entanto, não há registro em cartório que tenha sido totalmente quitado e seus termos foram renegociados pelo menos 5 vezes. Seus prazos foram esticados, sem pagamento de multas e com taxa de juros abaixo da Selic, principal referência de mercado. O último registro de renegociação, de outubro de 2024, prevê o pagamento dos R$ 7 milhões (R$ 8,1 milhoes, incluindo os juros) que faltam para quitar o empréstimo até julho deste ano.
Procurado, o Bradesco informou que não pode comentar o assunto porque envolve sigilo bancário. Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Dias Toffoli afirmou, por meio da assessoria de imprensa do STF, que não esteve envolvido no empréstimo ou nos aditamentos do contrato. Questionado se poderia julgar casos do Bradesco na condição de sócio de uma empresa que contraiu dívidas de R$ 20 milhões com o banco, Toffoli disse que se declarou impedido de participar das ações: "Embora não fosse obrigatório declarar impedimento ou suspeição, o ministro, há muitos anos, encaminhou ao distribuidor do Supremo Tribunal Federal declaração de impedimento para julgar processos envolvendo o Banco Bradesco. Esse impedimento foi observado reiteradamente nos casos relacionados à instituição financeira até recentemente." O Estadão encontrou casos de julgamentos após 2018 (leia mais abaixo).
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Os extratos obtidos pelo Estadão mostram ainda que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. O Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.
No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá.