Qual o conselho para uma mulher que deseja chegar à cadeira de CEO? Essa foi a pergunta feita pelo Estadão a dez mulheres CEOs de grandes empresas e instituições reconhecidas no Brasil sobre caminhos para alcançar o topo da cadeira executiva de uma companhia, em um mercado no qual a presença feminina ainda é pouco numérica frente à masculina.
O cenário enfrentado por elas ainda é desafiador. De acordo com a pesquisa "Índice Global de Rotatividade de CEOs", da consultoria Russell Reynolds, as mulheres representaram somente 9% das nomeações para CEO no primeiro semestre de 2025. Além disso, o mandato de mulheres como CEO é três anos mais curto do que o de homens na mesma posição, com mulheres tendo risco 33% maior de demissão.
À frente de empresas em diversos segmentos de negócios no País, dos serviços de transporte aos de saúde, as CEOs defendem, em suas respostas, conselhos sobre autoconfiança, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além da disposição para assumir desafios e correr riscos, na busca por tornar os números mais positivos.
"Acredito que o ponto de partida deve ser uma trajetória que reúna uma visão ampla, estratégica e do ambiente de negócios combinada com a construção de um reconhecimento de uma postura de liderança que seja reconhecida e capaz de inspirar as pessoas. Segundo, tenha coragem de assumir desafios grandes, mesmo quando parecerem desconfortáveis e exigirem mudanças de rotas. É nesses momentos que crescemos. Construa uma rede de apoio, com pessoas que tragam conhecimentos complementares ao seu e esteja aberta a aprender continuamente. E, talvez o mais importante: seja autêntica. Não tente reproduzir um modelo de liderança que não é o seu. Desenvolva um estilo próprio, baseado em valores sólidos e propósito claro. O cargo de CEO é consequência de uma trajetória consistente, ética e comprometida com resultados."
3 - 'Invista em aprendizado contínuo', Juliana Sztrajtman (CEO da Amazon no Brasil)
"Meu conselho pra mulher que quer ser CEO é aceitar que dá pra ter tudo sim, mas não ao mesmo tempo. É importante não romantizar essa jornada, achando que vai estar sempre entregando tudo na vida pessoal e na carreira, com a mesma intensidade. Isso traz um peso e uma culpa, sendo que é natural, em determinados momentos, estar mais focada no trabalho e no desenvolvimento profissional e, em outras fases, a prioridade se torna a casa, os filhos, a família."