A Edge, do grupo Compass, planeja investir até R$ 1 bilhão em um terminal terrestre de GNL em Rio Grande (RS). Integrado à infraestrutura de Santos e conectado a fontes globais, o projeto prevê capacidade inicial de 800 mil m³/dia, com distribuição "off-grid" por caminhões para atender à demanda reprimida da indústria e mobilidade locais. Em parceria com o governo gaúcho, que estuda incentivos fiscais para garantir competitividade, a decisão final de investimento deve ocorrer em cerca de seis meses.
A Edge, empresa da Compass, planeja instalar um terminal terrestre de gás natural liquefeito (GNL) no município gaúcho de Rio Grande, em projeto que atuará de forma integrada com sua infraestrutura no litoral paulista e poderá receber até R$1 bilhão de investimento.
A origem do gás que chegará ao Rio Grande do Sul poderá ser tanto o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), operado pela Edge em Santos, quanto a importação de outros países, como Argentina e EUA. O TRSP tem ampla estrutura de armazenagem, dando suporte à futura unidade do Estado gaúcho.
"A gente pode trazer gás de qualquer outro lugar direto para Rio Grande. A gente fica conectado à Argentina, a gente fica conectado aos Estados Unidos, Catar, qualquer outra grande fonte de GNL, mas o movimento inicial é a operação do TRSP", afirmou o CEO da Edge, Demétrio Magalhães, à Reuters.
O negócio, anunciado nesta quinta-feira, está sendo estudado em conjunto com o governo do Rio Grande do Sul e poderá ter sua decisão final de investimento (FID) tomada em cerca de seis meses, disse Magalhães.
Pelo projeto, o porto de Rio Grande passaria a contar com estocagem de gás em tanques criogênicos, que serão abastecidos por embarcação flutuante do tipo "FSU".
A distribuição do gás ocorrerá de maneira "off-grid" (sem passar pela malha de gasodutos), por meio de caminhões.
A ideia, segundo o executivo, é que a infraestrutura inicie com uma capacidade inicial de 800 mil m³/dia, volume considerado "bem factível" para justificar o investimento inicial, podendo escalar para até 3 milhões m³/dia no futuro.
Esse volume inicial já atenderia à atual demanda reprimida por gás no Rio Grande do Sul, que convive há vários anos com restrições para ampliar a oferta de gás para diversos usos, ressaltou o secretário-geral de governo gaúcho, Artur Lemos.
"Não devemos perder de vista, no longo prazo, um gasoduto Argentina-Brasil por Uruguaiana, mas esse investimento que se faz agora, com possibilidade de expansão dele no curto e médio prazo, faria com que a gente conseguisse alcançar gás a preço competitivo para a nossa indústria", afirmou Lemos.
O Rio Grande do Sul é "fim de linha" para o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), e não há perspectiva de se viabilizar uma expansão do suprimento por essa infraestrutura no momento, apontou.
Segundo o secretário, o governo gaúcho vai oferecer incentivos fiscais temporários para que o custo do gás do projeto da Edge pelo menos se equipare, nesse primeiro momento, ao do insumo fornecido via gasoduto.
Entre os potenciais consumidores para o gás, os principais alvos são indústrias, projetos de expansão das distribuidoras locais de gás e o setor de mobilidade, com o uso de GNL na frota pesada. No futuro, o gás poderia servir ainda a projetos termelétricos e de data centers.
Uma das empresas mais novas pertencentes à Cosan, a Edge nasceu em 2024, englobando negócios que estavam sendo desenvolvidos na Compass, como o TRSP e uma planta de purificação de biometano em Paulínia (SP), em parceria com a Orizon.
A Edge compra GNL da TotalEnergies para o terminal de regaseificação santista e também tem outros fornecedores em seu portfólio. A empresa atua ainda como comercializadora de gás e, nos últimos anos, fechou vários contratos no mercado livre com indústrias, principalmente no Estado de São Paulo.
A companhia tem buscado ampliar seus negócios de fornecimento de gás "off grid", distribuído por meio de caminhões criogênicos. A ideia é alcançar consumidores potenciais que não estão conectados à malha de gasodutos.