Cosan vê evolução do plano sobre Raízen e desdobramentos nos próximos dias, diz CEO

10 mar 2026 - 11h11
(atualizado às 13h02)

O conglomerado Cosan espera ver nos próximos dias novos ‌desdobramentos sobre um plano para a situação da endividada Raízen, empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis na qual a Cosan é sócia juntamente com a Shell.

Em teleconferência nesta terça-feira, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a Raízen possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.

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De acordo com Martins, existe um "engajamento bastante forte" com os credores, com a própria Shell e o empresário Rubens ⁠Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan, que também colocou a sua intenção de fazer uma contribuição de ‌capital no processo por meio da Aguassanta.

"Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o ‌mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen", declarou Martins.

A Cosan ‌teve prejuízo líquido de R$5,8 bilhões no quarto trimestre, representando um recuo de 38% em relação ao ⁠prejuízo dos últimos três meses de 2024 de quase R$9,3 bilhões.

O CEO disse que a Cosan acredita na possibilidade de uma solução definitiva para a Raízen, mas ele ressaltou que a estrutura de capital decorrente dessa solução definitiva deveria ser adequada para os diferentes negócios da companhia.

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"Isso é algo que está sendo discutido, porque são negócios bastante distintos, que tem uma geração de caixa também distinta e que exige uma estrutura de capital também distinta. Acho que ‌isso será absolutamente fundamental e determinante para que a gente tenha uma empresa sustentável."

Ele lembrou que o envolvimento da Cosan ‌não é mais direto, conforme já ⁠comunicado ao mercado, "em virtude da ⁠nossa não participação na capitalização".

"Mas nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente ⁠deva ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saída ‌adequada para a companhia."

Martins pontuou que, além ‌da questão da disponibilidade de recursos para participar da capitalização da Raízen, a razão de a Cosan não estar envolvida se relaciona ao fato de considerar que a estrutura apresentada não resolveria a "integridade" dos problemas da Raízen.

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Para ele, a não separação dos negócios da Raízen, que se divide principalmente entre a produção de ⁠açúcar/etanol e distribuição de combustíveis, "é um problema".

"A separação significa que os negócios teriam estrutura de capital distintas, porque são negócios de geração de caixa distintas e que têm natureza de alocação de capital distintas."

Mas ele disse que a Cosan também não coloca isso de "forma inexorável, até porque neste momento não está fazendo contribuição de capital", e "ela não poderia impor condições".

"Não vamos passar por cima do que ‌seja aceitável para a Shell e os credores...", afirmou.

A Raízen afirmou na semana passada estar analisando uma proposta liderada pela Shell de capitalização de R$4 bilhões, ao mesmo tempo em que indicou que a solução para sua ⁠crise de endividamento pode ocorrer por meio de uma recuperação extrajudicial.

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Em um comunicado, a Raízen afirmou na semana passada que a proposta em análise inclui um aporte de capital de R$3,5 bilhões da Shell, mais R$500 milhões de um veículo de investimento pertencente à família de Rubens Ometto.

A dívida líquida da Raízen subiu para R$55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de gastos elevados com investimentos, condições climáticas instáveis e altas taxas de juros.

NÃO A QUALQUER PREÇO

A Cosan, que busca zerar em algum momento a dívida da holding, trabalha em estratégias que incluem vendas de ativos, mas isso não será feito a qualquer preço, disse o CEO.

Martins afirmou ainda que está "incorreta" a informação que circulou no mercado sobre venda da participação total pela Cosan na empresa de logística ferroviária Rumo.

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Mais adiante, a companhia poderia considerar venda de alguma participação na Rumo, mas isso depende do momento adequado e da estrutura do negócio, acrescentou ele.

O executivo disse que nenhum acionista da Cosan pressiona a administração para fazer acordos de venda de ativos a qualquer preço.

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