O valor total representa aproximadamente dois terços do PIB nominal da Coreia do Sul em 2025, a 13a maior economia do mundo. Este é o terceiro mega-investimento em IA anunciado pelo governo sul-coreano em menos de um ano e, de longe, o mais ambicioso.
A primeira fase, avaliada em R$ 2,68 trilhões, inclui a construção de quatro fábricas de semicondutores, duas pela gigante Samsung Electronics e duas por sua concorrente SK Hynix, além de outras infraestruturas, explicou o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan.
Uma segunda fase, avaliada em R$ 3,36 trilhões, visa construir novos centros de dados dedicados à inteligência artificial até 2035, com uma capacidade total de 10 gigawatts (GW), equivalente ao consumo de energia de 7 a 10 milhões de residências. A capacidade total do país atingiria, assim, 18,4 GW, anunciou o ministro da Ciência, Bae Kyung-hoon.
"Graças a isso, manteremos uma liderança de mercado incontestável e uma vantagem tecnológica decisiva no setor de semicondutores de memória", afirmou Kim.
Esses investimentos são acompanhados por uma estratégia que visa "liderar" os segmentos de semicondutores de crescimento mais rápido: chips de IA de ponta (que operam diretamente em dispositivos ou sensores), componentes de armazenamento de memória de última geração, mais rápidos e com maior eficiência energética, e semicondutores para defesa.
Aposta no "boom" da IA
As novas fábricas serão instaladas na região de Honam, no sudoeste do país, uma área relativamente pouco desenvolvida, que deverá se tornar um segundo polo industrial de microchips depois de Seul, já que a capital sul-coreana costuma atrair a maioria dos trabalhadores qualificados e fornecedores do país.
"Os prazos para a obtenção de licenças e para a construção serão consideravelmente reduzidos, a fim de aumentar rapidamente a capacidade de produção", garantiu o ministro.
A Coreia do Sul está, portanto, apostando no boom da IA para fortalecer sua indústria de semicondutores, criando uma segunda grande base de produção fora de Seul. O Ministério da Indústria também afirmou em um comunicado à imprensa que o projeto visa aproveitar os abundantes recursos de energia renovável de Honam, possibilitando uma produção mais sustentável, conforme exigido pelos principais clientes globais.
Esse projeto surge no momento em que um tema ganha cada vez mais destaque na Coreia do Sul: a redistribuição das receitas fiscais geradas pelo desenvolvimento da IA. O entorno do presidente Lee Jae-Myung afirma que o objetivo é direcionar esses recursos para startups voltadas para os jovens, comunidades rurais e também artistas.
RFI com AFP