Caneta emagrecedora: corte de preço do Mounjaro deve pressionar varejo farmacêutico, diz Santander

Desconto de 35% representaria pressão relevante, uma vez que Mounjaro responde por cerca de 80% das vendas da categoria; banco estima impacto negativo de 3% na receita das farmacêuticas

22 jun 2026 - 15h08

O corte de aproximadamente 35% no preço do Mounjaro no Brasil deve representar um desafio de curto prazo para as redes de farmácias, na avaliação do Santander.

Publicidade

Para o analista Lucas Esteves, a decisão da farmacêutica americana Eli Lilly de reduzir o preço do medicamento para obesidade e diabetes e a chegada de versões análogas do Ozempic ao mercado brasileiro devem pesar sobre os resultados do setor.

Na semana passada, a Eli Lilly anunciou que um combo composto por uma caneta de 2,5 mg e outra de 5 mg do Mounjaro, antes vendido por cerca de R$ 3.400, passará a custar R$ 2.250 para novos usuários cadastrados na plataforma da companhia. O profissional avalia que consumidores recorrentes também poderão se beneficiar do desconto ao longo do tempo.

O corte de preços representaria uma pressão relevante para o varejo farmacêutico, uma vez que o Mounjaro responde por cerca de 80% das vendas da categoria de medicamentos GLP-1. Em um cenário sem crescimento de volume, o banco estima impacto negativo de aproximadamente 3% na receita das varejistas farmacêuticas em 2026.

No pior cenário traçado pelo Santander, assumindo repasse integral da redução de preços ao consumidor e volumes estáveis, o impacto sobre o lucro líquido poderia chegar a 12% na RD Saúde e a 15% na Pague Menos.

Publicidade

Esteves também cita a chegada ao mercado de um análogo do Ozempic produzido pela EMS, com preços a partir de R$ 452, cerca de 44% abaixo do medicamento da Novo Nordisk.

Embora o analista veja potencial para melhora das margens na molécula semaglutida, avalia que o efeito deve ser limitado no curto prazo, já que essa categoria representa aproximadamente 20% das vendas de GLP-1.

Apesar da pressão recente, ele manteve visão positiva para o setor no longo prazo, destacando como fatores favoráveis o lançamento de novas moléculas para tratamento da obesidade e diabetes, além de tendências estruturais como o envelhecimento da população e o aumento da adesão a tratamentos crônicos.

No curto prazo, porém, afirma não ver "catalisadores claros" para as ações das varejistas farmacêuticas brasileiras diante dos recentes movimentos de preços. Mesmo com os desafios, o Santander manteve recomendação de compra para RD Saúde e Pague Menos, com preços-alvo de R$ 27 e R$ 8, respectivamente, o que representaria um potencial de valorização de 66% e 114%.

Publicidade
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações