Impulsionados por benefícios em ano eleitoral, os gastos do governo Lula devem atingir R$ 2,67 trilhões em 2026, equivalente a 19,55% do PIB — maior patamar desde a pandemia em 2020. O aumento decorre de créditos extraordinários para subvenções a combustíveis e do reajuste de 15% no Bolsa Família. Com receitas frustradas e alta nas despesas, a projeção do déficit público subiu para R$ 80,9 bilhões, embora o Ministério do Planejamento afirme que se trata de uma alta pontual que não se repetirá em 2027.
BRASÍLIA — A concessão de benefícios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral fará os gastos da União atingirem o maior patamar desde 2020, ano de pandemia de covid-19, segundo as projeções da equipe econômica.
O governo apresentou, nesta quinta-feira, 24, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre do ano. Os gastos deverão atingir R$ 2,67 trilhões em 2026, o equivalente a 19,55% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo as estimativas do Executivo. Esse é o maior porcentual desde 2020, ano de pandemia, quando as despesas alcançaram 25,59% do PIB.
Só nos últimos dois meses, o governo aumentou a estimativa de despesas em R$ 22,1 bilhões. O grande responsável foi a parcela de créditos extraordinários, usada para acomodar parte das benesses de Lula, principalmente as subvenções do combustível. Além disso, Lula decretou um reajuste de 15% do Bolsa Família a duas semanas das eleições, com impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026.
O Gastômetro, ferramenta do Estadão, mostra que o presidente Lula já gastou R$ 269 bilhões para tentar a reeleição neste ano. As estimativas do governo mostram que a conta deve aumentar, pois a equipe econômica incorporou a projeção de R$ 5 bilhões em subvenções do diesel que ainda não foram implementadas.
O governo aumentou a projeção de déficit efetivo nas contas públicas para R$ 80,9 bilhões em 2026. Anteriormente, o resultado negativo esperado era de R$ 52 bilhões. Houve uma redução na expectativa de arrecadação, principalmente pela frustração com a cobrança de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos, e aumento de despesas, incluindo subsídios para conter o preço dos combustíveis e o reajuste do Bolsa Família.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o aumento nas despesas em proporção ao PIB de 2026 é momentâneo e não se repetirá em 2027, pois é uma combinação de aumento de gastos temporários e de projeção menor do PIB. "Isso não é uma tendência. São créditos extraordinários que não se repetirão no tempo, são despesas temporárias em função da guerra e dos seus efeitos na população brasileira."