A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, informou que a instituição analisa indicadores para decidir sobre uma possível alta nos juros em dezembro, após mantê-los em 2,5%. A medida, já sinalizada por outros dirigentes, visa conter a inflação sem frear o crescimento em um cenário desafiador, pressionado pelos custos de energia e equilibrado por investimentos em inteligência artificial. Lagarde reforçou a necessidade de cautela para evitar impactos econômicos desproporcionais.
O Banco Central Europeu (BCE) está analisando indicadores para avaliar se um aumento da taxa de juros poderia ser justificado no próximo mês, após ter mantido os juros inalterados em novembro, afirmou nesta quinta-feira a presidenta do banco, Christine Lagarde.
Na semana passada, o BCE manteve sua taxa básica de depósito em 2,5%, mas uma longa lista de formuladores de política monetária, incluindo os influentes presidentes dos bancos centrais da Alemanha e da Itália, já sinalizaram que é provável que haja outro ajuste em dezembro.
"Teremos muitos indicadores daqui até dezembro que realmente nos ajudarão a determinar se um aumento é necessário", disse Lagarde em uma conferência sobre educação financeira em Milão, organizada pelo Osservatorio, uma instituição italiana dedicada ao pensamento independente.
Lagarde, que já anunciou que deixará o cargo em 7 de fevereiro de 2027, meses antes do término formal de seu mandato, disse aos estudantes que a situação atual é "muito difícil", com os custos de energia que estão "reduzindo o crescimento e elevando os preços".
Por outro lado, ela disse que o desenvolvimento da inteligência artificial está estimulando a demanda por investimentos e ajudando a tornar a economia da zona do euro mais resiliente.
"É muito difícil distinguir entre o choque impulsionado pela oferta e aquele impulsionado pela demanda, e isso requer sutileza para que você não aplique a ferramenta (da taxa de juros) como se fosse um martelo", disse ela.
"Mas, da mesma forma, é preciso aplicar as ferramentas, pois não se quer deixar que as expectativas de inflação fiquem fora de controle, nem que a inflação se espalhe por toda a economia e produza efeitos de segunda ordem."