A Auren Energia registrou prejuízo no início de 2026 em meio a um cenário mais desafiador para o setor brasileiro de geração de energia, mas segue ativa na área de comercialização e tem conseguido obter ganhos a partir de seu portfólio diversificado de usinas, disseram executivos da companhia à Reuters.
A companhia de energia elétrica controlada por Votorantim e CPP Investments divulgou nesta quarta-feira um prejuízo líquido de R$601,6 milhões no primeiro trimestre, revertendo a cifra positiva de R$54 milhões registrada um ano antes.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da geradora, por sua vez, somou R$925,9 milhões, queda de 23,2% na base anual.
O Ebitda trimestral foi prejudicado pela menor geração hidrelétrica, solar e eólica em relação a igual período do ano passado, além de um ganho menor com o descolamento de preços de energia observado entre os diferentes submercados do país.
Já a última linha do balanço sofreu impacto ainda da marcação a mercado dos contratos futuros de energia depois de uma atualização de premissas e estimativas feita pela companhia no trimestre, mas com efeito contábil e não caixa.
Segundo o CEO da Auren, Fabio Zanfelice, o principal destaque do trimestre foram os ganhos obtidos com modulação -- isto é, capturados nos ajustes em contratos de energia conforme necessidades horárias e diárias, a partir dos diferentes perfis de produção das usinas hídricas, eólicas e solares da companhia.
Ao todo, a cifra somou R$97,2 milhões, compensando integralmente o impacto negativo de R$86,2 milhões sofrido pelos cortes de geração ("curtailment") de suas usinas renováveis no trimestre.
Zanfelice afirmou ainda que a Auren segue ativa na área de comercialização apesar da piora da liquidez para negociações bilaterais de compra e venda de energia.
"Em todo o processo em que você tem players (comercializadoras) em dificuldade, o mercado também fica menos líquido. Isso é um pouco natural, mas a gente acredita que vai ser um ano realmente tranquilo daqui para frente em relação a preço (de energia)", disse.
O CEO da geradora disse não enxergar nenhuma "disrupção" nos preços de energia no Brasil para os próximos meses. Para ele, os preços devem seguir mais elevados, refletindo as questões estruturais da operação do sistema elétrico, ainda que possam sofrer alguma pressão baixista da possível ocorrência do fenômeno climático El Niño no segundo semestre.
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA
Do lado financeiro, a dívida líquida da Auren diminuiu R$135,4 milhões no trimestre, mas o índice de alavancagem subiu para 5,2 vezes, ante 4,8 vezes no trimestre passado, devido à queda do Ebitda dos últimos 12 meses.
De acordo com o vice-presidente de Finanças, Mateus Ferreira, a trajetória de alavancagem segue conforme o previsto pela companhia, com expectativa de uma redução mais pronunciada apenas em 2027.
Ferreira também destacou que a Auren está avançando com processos de reorganização societária que vão permitir à companhia simplificar sua estrutura e melhorar a eficiência na gestão de caixa e do endividamento.
Com a conclusão desse processo, estimada para o fim de 2026, a geradora deverá passar a concentrar todos os seus ativos hidrelétricos em um único veículo, um "movimento importante do ponto de vista econômico", disse ele, sem comentar números.