Ata da reunião de março do Fed mostra abertura crescente a alta de juros

8 abr 2026 - 15h26

Um grupo crescente de formuladores de política monetária ‌do Federal Reserve considerou, no mês passado, que pode ser necessário aumentar a taxa de juros para combater a inflação que continua a exceder a meta de 2% do banco central, principalmente devido ao impacto inflacionário da guerra dos EUA e Israel com o Irã, de acordo com a ata da reunião de 17 e 18 de março.

"Alguns participantes julgaram haver um forte argumento a ⁠favor de uma descrição bilateral das decisões futuras do Comitê (Federal de Mercado Aberto) sobre a taxa de ‌juros na declaração pós-reunião, refletindo a possibilidade de que ajustes para cima na faixa da meta para a taxa dos fundos federais podem ser apropriados se a inflação permanecer em níveis acima ‌da meta", disse a ata.

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Na reunião de janeiro, um grupo ‌menor de "várias" autoridades estava disposto a abrir a porta para possíveis aumentos nas taxas, mas ⁠em março e com a eclosão da guerra "muitos participantes apontaram para o risco de a inflação permanecer elevada por mais tempo do que o esperado em meio a um aumento persistente nos preços do petróleo".

Em março, o Fed manteve sua taxa básica de juros estável na faixa de 3,50% a 3,75%, ao mesmo tempo em que acenou para a nova incerteza que a guerra havia introduzido ‌nas perspectivas econômicas.

No entanto, apesar dos riscos para a inflação, "muitos participantes" ainda consideraram os cortes nas taxas ‌como parte de sua perspectiva básica, ⁠com "a maioria dos participantes" ⁠julgando que um conflito prolongado no Oriente Médio causaria danos suficientes ao crescimento econômico para que fossem necessários ainda ⁠mais cortes.

"A maioria dos participantes levantou a preocupação de ‌que um conflito prolongado no Oriente ‌Médio poderia levar a um abrandamento ainda maior nas condições do mercado de trabalho, o que poderia justificar cortes adicionais nas taxas, já que os preços do petróleo substancialmente mais altos poderiam reduzir o poder de compra das famílias, apertar as condições financeiras e reduzir ⁠o crescimento no exterior", disse a ata.

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PERSPECTIVA PERTURBADA PELA GUERRA

A ata foi divulgada nesta quarta-feira, um dia após os EUA e o Irã terem concordado com um cessar-fogo de duas semanas. A notícia fez com que os preços do petróleo caíssem mais de 15%, para cerca de US$92 por barril.

As idas e vindas entre os formuladores de política ‌monetária na reunião do mês passado destacaram como o conflito no Oriente Médio, que interrompeu o transporte marítimo global e fez com que o preço do petróleo subisse mais de 50%, ⁠estava levando o Fed a direções conflitantes, ameaçando tanto sua meta de inflação quanto o mandato de pleno emprego.

Na reunião, o Fed sinalizou que era improvável que alterasse sua taxa de juros até que fique mais claro se o impacto sobre a inflação ou sobre o mercado de trabalho parece ser o maior risco. Nas novas projeções econômicas divulgadas juntamente com a declaração de política monetária, as autoridades previram uma inflação mais alta para o ano, mas pouca mudança na taxa de desemprego.

Em apresentações na reunião, a equipe do Fed viu riscos de que o crescimento econômico e do emprego fosse mais fraco e a inflação mais alta do que o esperado em sua perspectiva de janeiro, dados "os possíveis efeitos econômicos dos acontecimentos no Oriente Médio, mudanças nas políticas governamentais e a adoção de IA".

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Dada a inflação acima da meta desde 2021, "um risco importante é que a inflação possa se mostrar mais persistente do que a equipe previa".

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