Árvore, vídeo game, sinuca; veja como são os novos escritórios

25 mar 2012 - 11h09

O funcionário chega para trabalhar e se depara com bolas de futebol espalhadas pela recepção. A vontade de "fazer um gol" deve ficar ainda mais evidente quando ele percebe que o carpete foi substituído por grama sintética. Ideias como essa, de uma agência de publicidade de São Paulo, já são comuns na arquitetura corporativa do exterior. A tendência, que começou na década de 90, trazida principalmente pelas empresas de tecnologia, ainda é tímida no Brasil, mas tende a crescer nos próximos anos, dizem especialistas.

A agência de publicidade BorghiErh/Lowe aderiu ao conceito que busca trazer mais bem estar ao funcionário, que acaba passando mais tempo dentro do escritório do que na própria casa. Nos dois andares que ocupa em um edifício no bairro da Vila Olímpia, além das bolas de futebol, há "containers" onde duplas ou equipes se reúnem para discutir projetos e elaborar soluções. O uso de espaços amplos, com todas as salas de vidro, inclusive as de diretores, também foi uma maneira de aproximar a equipe e manter o ambiente mais agradável. Para completar, o espaço de convivência conta com mesa de sinuca, pebolim, uma pick-up de som profissional.

Segundo a arquiteta Giseli Koraicho, desde 2008 as empresas brasileiras intensificaram esse movimento, acompanhando a tendência internacional que começou na década de 90. A busca por um design diferenciado visa ampliar o bem estar do funcionário, já que ele passa a maior parte do seu dia naquele ambiente. "As empresas passaram a tentar deixar o ambiente corporativo mais agradável. É uma forma de deixar o funcionário escolher onde quer trabalhar e esquecer do estresse provocado pelo trânsito e outras questões do dia a dia", conta. Segundo ela, as melhorias incluem a produção de espaços de convivência mais aconchegantes e introdução de salas de massagem, cyber café e salas de vídeo games.

"A inovação na arquitetura corporativa investe nas novas formas de produção, não necessariamente em postos de trabalho", diz a arquiteta Heloisa Dabus. "Hoje há salas de descompressão e de convivência. Antigamente, as mesas tinham tamanhos definidos pela hierarquia do posto ocupado, o que não se vê mais".

Conforme a professora Vanessa Chimirra, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Anhembi Morumbi, a mudança, no Brasil, está praticamente restrita às áreas "criativas", que trabalham com design, moda, arquitetura, publicidade, cinema e tecnologia. "No País, as empresas tradicionais ainda têm dificuldade de introduzir essas mudanças, elas ainda estão praticamente restritas a setores mais criativos", diz.

No entanto, conforme Giseli, os setores mais conservadores também começaram a fazer algumas alterações. "Essas empresas estão implantando baias mais amplas, "mesões" nos quais os funcionários conseguem trabalhar mais perto do colega, com uma interação maior. Também estão usando mais o vidro para dar uma impressão de espaço maior", comenta.

Novo perfil

"Hoje o mercado tem que atender à geração Y, que trabalha em um ritmo diferente, que não entende muito a questão dos horários. Manter o ambiente mais divertido é uma forma de deixar o profissional motivado e garantir a produtividade da empresa", conta Giseli.

Conforme Heloisa, as empresas mais jovens, mais descontraídas, buscam outro tipo de espaço de trabalho. "O aumento da produtividade nestes espaços de trabalhos são incríveis. Já foi provado que pessoas felizes, motivadas e satisfeitas no trabalho produzem muito mais", diz.

Obstáculos

Para Vanessa, ainda que a empresa pretenda fazer alterações para tornar o ambiente mais agradável e criativo para o funcionário, deve estar atenta a limites. "Muitas vezes as empresas não consultam o funcionário antes de fazer a adequação, o que pode provocar inconvenientes", diz. Ela cita o caso de uma empresa que aboliu a divisória entre o chefe e os outros funcionários. O superior acabou pedindo para retomar o formato antigo. "O trabalho exigia uma concentração que ele não conseguia ter na sala compartilhada, então teve que retomar o projeto anterior", conta.

No exterior

Reformulado em 2010, o escritório da empresa dinamarquesa de brinquedos Lego teve como objetivo mexer com a visão de mundo dos funcionários, para que eles estivessem mais aptos a criar novos produtos. O espaço de 2 mil metros quadrados conta com escorregador e tem árvores bonsais nas mesas e bonecos gigantes. Há também um espaço onde é possível experimentar produtos da empresa e outros jogos.

As agências francesas Pon e Huot têm um escritório, projetado pela empresa de arquitetura Christian Pottgiesser, que consegue aliar meio ambiente, isolamento e ainda assim permite que os funcionários fiquem um local aberto, onde possam interagir. A solução foi colocar mesas de madeira compartilhadas, mas isoladas por umas "cápsulas" de vidro. As árvores completam a integração.

A Vakko, marca sueca de roupas, conta com um escritório com decoração interna e externa com vidros e vidros e espelhos, ampliando o ambiente. O projeto foi criado pelo escritório Rex.

Agência de publicidade Borghierh/Lowe coloca grama sintética e bolas na recepção
Agência de publicidade Borghierh/Lowe coloca grama sintética e bolas na recepção
Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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