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Ameaça do Irã ao petróleo vai além do Estreito de Ormuz

18 jul 2026 - 18h10

Rotas alternativas de transporte de petróleo e gás no Oriente Médio também estão na mira do regime em Teerã. Houthis, no Iêmen, já estariam de sobreaviso para fechar o Mar Vermelho.As exportações de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico enfrentam novas interrupções com a intensificação dos combates entre os Estados Unidos e o Irã. Para ambos os países, o controle do Estreito de Ormuz é fundamental.

Oleodutos da Arábia Saudita levam a Yanbu, no Mar Vermelho, uma rota de transporte de petróleo que também está ameaçada
Oleodutos da Arábia Saudita levam a Yanbu, no Mar Vermelho, uma rota de transporte de petróleo que também está ameaçada
Foto: DW / Deutsche Welle

Nos últimos meses, o Irã demonstrou que pode interromper significativamente o tráfego pelo estreito. "Vários meses de campanhas de bombardeio não anularam a capacidade do Irã de controlar o Estreito de Ormuz", observa Guntram Wolff, pesquisador sênior do think tank Bruegel e professor de economia da Universidade Livre de Bruxelas.

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Esta semana, o tráfego no estreito, mais uma vez, foi quase totalmente interrompido, com o Irã atacando petroleiros e disparando drones e mísseis contra instalações militares no Bahrein, Kuwait e Jordânia.

Fluxos de petróleo e gás antes da guerra

Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz era uma via navegável internacional sem pedágio e via de passagem para cerca de 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Além disso, cerca de 20% do petróleo mundial era transportado do Golfo Pérsico através dessa via navegável para o Mar Arábico e além, a maior parte para a Ásia. Nos últimos anos, isso representou uma média de cerca de 20 milhões de barris por dia, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA.

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Os fluxos pelo Estreito de Ormuz caíram para cerca de 14,6 milhões de barris por dia, em média, no primeiro trimestre de 2026 e diminuíram acentuadamente com o conflito iniciado no fim de fevereiro.

Um acordo preliminar de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, assinado em 17 de junho, trouxe algum alívio para a navegação, mas não está mais sendo respeitado. Nas últimas semanas, as forças americanas atingiram centenas de alvos militares iranianos.

A continuidade desses ataques ao Irã poderá provocar mais retaliações a infraestruturas de petróleo e gás de aliados dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo refinarias, portos e oleodutos, tornando a guerra custosa para toda a região e causando escassez de petróleo.

"O progresso limitado alcançado pelo cessar-fogo de junho foi efetivamente desfeito", alertou a empresa grega de gestão de riscos marítimos Marisks, após o reinício da guerra na região. "A probabilidade de uma nova escalada permanece muito alta."

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A importância dos oleodutos e gasodutos

No início da guerra, houve relatos de que o Irã estava cobrando 2 milhões de dólares (R$ 11 milhões) por navio para usar a hidrovia.

Após o acordo preliminar com os EUA, o Irã passou a exigir que as embarcações usassem a rota ao norte, que passa por águas iranianas. A Marinha dos EUA tem escoltado navios por uma rota ao sul que acompanha a costa de Omã, no lado oposto do estreito.

Além do próprio Irã, o Iraque, Kuwait, Catar e Bahrein dependem do Estreito de Ormuz para o escoamento da maior parte de suas exportações de petróleo.

Embora o transporte marítimo seja a maneira mais barata de transportar petróleo, diante da disputa pelo estreito os produtores de petróleo e gás estão buscando alternativas.

Alguns, como a Arábia Saudita (Gasoduto Leste-Oeste) e os Emirados Árabes Unidos (Oleoduto de Abu Dhabi), já possuem rotas de exportação que contornam o estreito. Mas esses oleodutos só podem redirecionar um máximo de 8,8 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

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Novas rotas, novos riscos

Como os oleodutos existentes não conseguem compensar os volumes normais do transporte através do Estreito de Ormuz, expandir a capacidade com novos oleodutos é uma das únicas opções disponíveis.

No entanto, projetos desse tipo levam anos e custam bilhões de dólares. Se os oleodutos levarem ao Mar Vermelho, também poderão deixar de ser seguros se o conflito se expandir para além do Estreito de Ormuz.

O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita liga Abqaiq, na costa leste do Golfo, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Mas, para chegar ao Mar Arábico e aos mercados asiáticos, os petroleiros que partem de Yanbu precisam atravessar o Estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada para o Mar Vermelho, e também uma via navegável estreita, onde podem ocorrer ataques dos rebeldes houthis, do Iêmen, que são apoiados pelo Irã na guerra que travam contra o governo iemenita, aliado da Arábia Saudita. Uma trégua que já dura quatro anos interrompeu o conflito entre o reino e o grupo.

Além de causar problemas a esses navios, isso poderia abrir uma segunda frente na guerra no Mar Vermelho e forçar outras embarcações que se dirigem ao Canal de Suez a fazer um longo desvio contornando a extremidade sul da África.

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Os Emirados Árabes Unidos, que conseguem evitar o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, apostam cada vez mais em alternativas. A meta é expandir a infraestrutura existente e construir um novo porto e terminal de contêineres na sua costa leste, segundo vários relatos.

Vários outros oleodutos no Iraque, na Jordânia, no Kuwait e na Turquia estão em operação ou em construção. No entanto, a capacidade deles é modesta e não consegue compensar uma grande interrupção no Estreito de Ormuz.

Para o Irã, parece ser tudo ou nada

O Irã pediu aos houthis que estejam prontos para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, disseram funcionários do alto escalão iraniano à agência de notícias Reuters.

Já uma pessoa próxima aos houthis disse que o grupo concluiu os preparativos para atacar embarcações, posicionando mísseis e drones perto do estreito de Bab el-Mandeb, nas terras altas do Iêmen com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden, e que aguardava apenas a ordem para iniciar a ação. Representantes da Guarda Revolucionária do Irã que já estão no Iêmen tomarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, acrescentou.

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Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb corre o risco de agravar ainda mais a crise energética global desencadeada pelas dificuldades de transporte pelo Estreito de Ormuz e evidencia os riscos de uma expansão do conflito.

Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, quaisquer ataques houthis a navios ou portos no Mar Vermelho interromperiam simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo entre o Irã e os Estados Unidos.

A Marisks alertou que a ameaça direta do Irã contra a infraestrutura alternativa de exportação de petróleo do Golfo é "talvez o desenvolvimento mais significativo" na situação atual. "A mensagem do Irã é clara: ou todos os produtores de energia regionais podem exportar, ou ninguém."

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