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Alta em SP, escassez no Centro-Oeste: como estão distribuídas as vagas de emprego para LGBTs no País

Pesquisa da plataforma Gupy mostra desigualdade em ofertas afirmativas de trabalho; cinco Estados têm média abaixo de 0%

29 jul 2026 - 10h11

As vagas de emprego afirmativas destinadas a profissionais LGBT+ no Brasil estão sendo oferecidas de maneira desigual no País, com cinco Estados tendo média de ofertas abaixo de 0%. Entre as localidades nas quais a abertura desses postos aparece em destaque, ainda assim o índice é pouco expressivo: são aproximadamente duas vagas para esse público a cada 100 abertas.

Os dados são do relatório "O placar da Diversidade no trabalho", lançado pela plataforma de recrutamento Gupy, em junho, a partir de dados internos. A empresa analisou o percentual mensal médio de vagas afirmativas LGBT+ publicadas em cada Estado, entre 1.º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026.

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Segundo o documento, para a análise, foram consideradas vagas marcadas como afirmativas e que continham ao menos um dos termos relacionados ao recorte LGBT+, incluindo "LGBT", "afirmativa exclusiva para LGBT", "homossexual", "bissexual", "assexual", "pansexual" e "transexual", além de suas variações no plural.

No mapeamento, São Paulo aparece como destaque na oferta dessas vagas, com 2,37%. Em seguida, estão os Estados de Roraima (2,3%), Amapá (1,88%), Sergipe (1,7%), Espírito Santo (1,69%) e Rio de Janeiro (1,63%).

São Paulo é Estado com maior média de vagas afirmativas para profissionais LGBT+
São Paulo é Estado com maior média de vagas afirmativas para profissionais LGBT+
Foto: tiago queiroz/Estadao / Estadão

Na outra ponta, estão as localidades onde essas vagas exclusivas são escassas: Tocantins (0,99%), Mato Grosso (0,74%), Mato Grosso do Sul (0,68%), Santa Catarina (0,67%) e Goiás (0,53%). A maioria dos Estados faz parte da região Centro-Oeste, fazendo dela o local com menor média regional: 0,78%.

Em entrevista ao Estadão, o cofundador da Gupy, Guilherme Dias, diz que há fatores que ajudam a explicar essas diferenças. Segundo ele, São Paulo lidera o índice porque concentra as sedes das maiores empresas do País, com área de Recursos Humanos (RH) estruturada, políticas formalizadas e exposição pública constante. Nesse contexto, as vagas afirmativas são consequência direta de um maior nível de maturidade.

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No caso de Roraima, o dado positivo tem justificativa diferente. "É um mercado pequeno, então poucas empresas com prática de inclusão já ajudam a aumentar proporcionalmente a média do Estado. E isso mostra o tamanho do espaço que existe para crescer. Se mais empresas seguirem esse exemplo, o efeito pode se multiplicar rapidamente."

Já a menor média regional do Centro-Oeste, segundo ele, vem de uma economia focada em áreas como agronegócio, logística e operação, com setores com RH mais enxuto ou descentralizado. "A vaga afirmativa ainda não entrou na rotina dessas empresas. (Porém) é um estágio anterior de maturidade, não um limite definitivo. O caminho é levar estruturas de RH mais especializadas para essas regiões, com metas e processos claros."

Guilherme Dias é cofundador da Gupy
Foto: Divulgação/Gupy / Estadão

Apesar de profissionais LGBT+ terem liberdade para se candidatarem a todas as vagas, a marcação do filtro afirmativo é considerada importante pela Gupy, para indicar que o ambiente é acolhedor para talentos diversos. Dados da plataforma indicam, por exemplo, que 87% desse público considera o preconceito velado como um obstáculo para a carreira.

"Quando profissionais não percebem um ambiente como seguro ou acolhedor, muitas vezes deixam de se candidatar às vagas. Nesse contexto, programas afirmativos podem ser uma ferramenta para ampliar o acesso a oportunidades e sinalizar o compromisso da empresa com a inclusão. Além de ampliar o funil de talentos, iniciativas desse tipo incentivam as organizações a revisar processos seletivos, capacitar lideranças e acompanhar indicadores de diversidade."

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Necessidade de avanço com Geração Z

De acordo com a Gupy, houve crescimento no volume de posições afirmativas publicadas na plataforma entre 2023 e 2024. Considerando o período de janeiro a outubro nesses anos, esse volume cresceu aproximadamente 37%. Mas a base de crescimento ainda é considerada baixa, dado o tamanho do desafio demandado pelas exigências da Geração Z, que já representa 44,2% das contratações, com base em dados de 2024.

"Esse grupo não trabalha só por salário, busca alinhamento de valores. Ele tem menos tolerância a ambientes rígidos, prioriza empresas transparentes nas políticas de inclusão, não tem medo de recusar proposta que não bate com o que acredita", avalia Dias.

Com a Geração Z virando a principal força de trabalho, a pressão por ambientes inclusivos e vagas afirmativas tende a virar condição para atrair e reter talento, por isso a ampliação de vagas para esse público precisa ter maior volume, acrescenta o gestor.

"Diversidade de pensamento será o maior ativo de uma empresa. Nesse cenário, o ritmo lento que vemos hoje não vai se sustentar. O esperado é que a inclusão vá deixando de ser opcional para ser um objetivo de quem quiser continuar relevante."

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