Ministros do G20 rejeitaram apelos dos EUA para conter o excesso de capacidade industrial e práticas contrárias ao mercado, expondo divisões no grupo. Apenas México e Argentina apoiaram a proposta americana contra o trabalho forçado, que gerou tarifas sobre 59 países e a UE. A China contesta as acusações, alegando protecionismo ocidental. Apesar do impasse, houve consenso unânime contra o uso do comércio de alimentos e itens agrícolas como ferramenta de coerção econômica ou política.
Um "punhado" de ministros do Comércio do G20 rejeitou os apelos dos EUA para conter o excesso de capacidade industrial e as políticas não orientadas pelo mercado, informou nesta sexta-feira o gabinete do Representante de Comércio dos EUA (USTR), revelando divisões dentro do grupo das principais economias do mundo.
A declaração da presidência norte-americana do G20, divulgada um dia após o encerramento de uma reunião sobre comércio em Milwaukee, também revelou que apenas dois países — México e Argentina — aderiram a uma declaração liderada pelos EUA que pede mais esforços e cooperação para eliminar das cadeias de abastecimento produtos fabricados com trabalho forçado.
A rejeição ocorre após a imposição, pelo governo Trump, de tarifas de 10% ou 12,5% sobre produtos provenientes de 59 países e da União Europeia, sob a alegação de que eles não aplicam adequadamente as proibições ao trabalho forçado.
A declaração do USTR não citou os países que se opuseram à declaração sobre o excesso de capacidade. Mas a China já havia se oposto a uma declaração semelhante do G20 que denunciava o trabalho forçado e políticas econômicas não orientadas pelo mercado que levam a exportações excessivas, em uma reunião de líderes financeiros realizada há um mês em Asheville, na Carolina do Norte.
"O rascunho da declaração ministerial foi apoiado por todos, exceto por um punhado de membros, alguns dos quais rejeitaram firmemente a criação desse caminho para uma ação cooperativa" sobre o excesso de capacidade, afirmou o comunicado, acrescentando que isso "decepcionou profundamente" a presidência dos EUA no G20.
O excesso de capacidade industrial da China e os subsídios industriais têm sido temas centrais das reuniões ministeriais do G20 lideradas pelos EUA neste ano. Pequim rejeitou as alegações de que suas políticas industriais tenham criado excesso de capacidade e acusa os países ocidentais de usar a questão para justificar medidas protecionistas.
Os EUA afirmaram que os ministros do Comércio do G20 conseguiram chegar a um consenso ao condenar a instrumentalização do comércio de alimentos, com os membros concordando "que o comércio de alimentos e produtos agrícolas não deve ser usado como ferramenta de coerção econômica ou política".