Desempenho da economia alemã, que já foi fraco em 2025, pode piorar em 2026 com disparada dos preços de energia por causa da guerra no Oriente Médio. Endividamento também avança entre consumidores.Em meio à estagnação econômica da Alemanha, mais de 24 mil empresas não tiveram condições de honrar todos os seus compromissos financeiros e, portanto, viram-se obrigadas a declarar insolvência em 2025, segundo dados do Escritório Federal de Estatística.
O número corresponde a 0,69% das empresas alemãs, e representa uma alta de 10,3% em relação ao ano anterior. A última vez que a Alemanha teve tantas empresas insolventes foi em 2014.
"O ano de 2025 foi excepcionalmente fraco para a economia alemã", disse o analista-chefe da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), Volker Treier. "Em média, na Alemanha uma empresa teve de declarar insolvência a cada 20 minutos."
Ainda assim, a onda de insolvência parece ter desacelerado, já que nos anos de 2023 e 2024 o crescimento havia sido de 20%. E está longe do patamar da crise financeira, com quase 32,7 mil empresas registradas insolventes em 2009.
Também o volume de dívidas é menor: cerca de 47,9 bilhões de euros, menos que os 58,1 milhões de euros registrados em 2024.
Empresas dos ramos de transporte, armazenamento, hospitalidade e construção foram as mais afetadas.
Endividamento também aumenta entre consumidores
O endividamento também aumentou entre pessoas físicas. Em 2025, segundo dados oficiais do governo, 77,2 mil consumidores foram declarados insolventes - aumento de 8,4% em relação ao ano anterior.
Guerra no Oriente Médio deixa economistas apreensivos
A situação, segundo Treier, pode piorar com a guerra no Oriente Médio. "O aumento dos preços de energia e o medo de novas perturbações nas cadeias de abastecimento colocam muitas empresas sob pressão adicional."
O conflito também preocupa a Federação Nacional dos Bancos Populares e Cooperativos Alemães (BVR). No melhor cenário, a entidade projeta que as insolvências empresariais poderiam cair 3,7%, para 23,1 mil casos, e as de consumidores para 76,5 mil, recuo de apenas 1%.
Isso, contudo, depende de uma queda rápida dos preços de energia.
A empresa de análise de crédito Crif apontou melhora no humor das empresas, mas disse que a situação permanece tensa, especialmente com a guerra no Irã.
"Muitos sinais positivos dos últimos meses perdem força, porque os custos de energia e de suprimentos continuam aumentando para diversos setores", disse Frank Schlein, diretor-geral da Crif na Alemanha.
Segundo ele, cerca de 10% das empresas alemãs já estão em risco de insolvência.
ra (dpa, ots)