Diante de secas e instabilidades climáticas, a cobertura do seguro rural no Brasil despencou para 3,3% da área cultivada em 2025. Para enfrentar a crise, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro propõem ampliar a proteção financeira aos produtores: o petista prioriza o subsídio público e a agricultura familiar, enquanto o opositor foca na previsibilidade de longo prazo. Contudo, ambos os planos pecam ao não definir metas claras ou fontes de recursos orçamentários para viabilizar as medidas.
A cobertura do seguro rural desponta como uma das pautas mais urgentes e complexas para a gestão do setor agropecuário no Brasil, em meio a um cenário marcado por secas extremas, chuvas volumosas e instabilidade climática recorrente. Os programas de governo apresentados por Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva preveem iniciativas para expandir as garantias financeiras dos produtores rurais, buscando evitar que prejuízos severos em um único ciclo comprometam o pagamento de dívidas operacionais. Contudo, apesar do consenso sobre a relevância do tema para a sustentabilidade da lavoura, os documentos das duas candidaturas não fixam metas quantitativas para aumento da área coberta, tampouco detalham a fonte orçamentária dedicada aos subsídios públicos.
As diretrizes das propostas de Flávio Bolsonaro e Lula
A candidatura de Flávio Bolsonaro associa o fortalecimento da política de proteção à busca por previsibilidade financeira, permitindo que o agricultor estruture investimentos com foco no longo prazo sem a dependência do risco climático imediato. Já a proposta apresentada por Lula enfatiza o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e o diálogo com entidades do setor para desenhar um mecanismo voltado a cobrir perdas sistêmicas causadas por catástrofes. O plano petista engloba ainda a ampliação do Programa Garantia-Safra para a agricultura familiar, além de combinar a proteção securitária com incentivos à irrigação, conservação do solo e monitoramento meteorológico.
A queda na cobertura nacional e os desafios da subvenção
Os dados consolidados pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) evidenciam o tamanho da vulnerabilidade atual do campo: em 2025, apenas 3,3% da área cultivada do país contava com apólices ativas, contra 16,3% registrados no ano de 2021. Essa retração drástica eleva o risco inadimplência e pressiona o sistema de crédito agrícola quando ocorrem frustrações massivas de safra. Embora a aprovação recente de marcos regulatórios para modernizar o setor traga avanços legais importantes, a efetividade das promessas dependerá da capacidade do próximo executivo federal em aportar recursos previsíveis e contínuos para subsidiar os prêmios pagos pelos produtores.