As ações da Tenda despencaram 11% após a construtora reportar lucro líquido de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre, queda anual de 48,7% e bem abaixo das expectativas do mercado. O desempenho negativo foi puxado pela compressão da margem bruta e pela inadimplência das famílias. Apesar do avanço de 10,5% na receita líquida, que somou R$ 1,25 bilhão, analistas consideram desafiadoras as metas da empresa para 2026, enquanto a gestão aposta na recuperação de margens e na desalavancagem futura.
As ações da Tenda sofriam forte queda na abertura do pregão desta quinta-feira, após a construtora divulgar na véspera resultado aquém das expectativas dos analistas.
Às 11h05, os papéis da Tenda recuavam cerca de 11%, a R$17,53, caindo para o patamar observado em maio de 2025. As ações acumulam desvalorização de cerca de 27% desde o começo do ano.
O grupo registrou lucro líquido de R$57,3 milhões no terceiro trimestre, refletindo uma queda de 48,7% ano a ano e ficando abaixo das estimativas dos analistas, que esperavam lucro de R$136 milhões, conforme balanço publicado na quarta-feira.
A companhia, que atua mais concentrada no segmento econômico por meio do programa governamental Minha Casa Minha Vida, disse que o desempenho foi marcado pelo que a empresa chamou de crescimento mais moderado diante de fatores que incluem inadimplência das famílias.
A receita líquida somou R$1,25 bilhão, 10,5% maior que um ano antes, praticamente em linha com o R$1,27 bilhão esperado por analistas em média.
O grupo acrescentou que espera um resultado líquido consolidado para 2026 entre R$600,0 milhões e R$660,0 milhões.
Segundo analistas da XP, o lucro líquido foi impactado pela compressão da margem bruta ajustada, que recuou para 32,5% e ficou 3,3 pontos percentuais abaixo do esperado.
De acordo com Ygor Altero e equipe da XP, o guidance mantido de lucro líquido para 2026 é considerado "desafiador" apesar de parte da pressão dever se dissipar com os descontos legados do Rio de Janeiro e os distratos relacionados à greve.
Analistas do Citi destacaram que a margem bruta foi comprometida pela redução nos preços e ajustes monetários; a ausência das economias nos custos de construção do 2º trimestre e transferências de contratos antigos, cancelamentos e efeitos de contas duvidosas.
"Restaurar as margens sem pressionar ainda mais a velocidade de vendas é agora a questão-chave para as perspectivas de lucros", acrescentaram.
Em apresentação dos resultados do trimestre a analistas, o diretor financeiro da Tenda, Luiz Garcia, informou que o grupo deve ter patamar de margem nos níveis atuais entre 35% e 36% daqui para frente.
O executivo também destacou que a Tenda deve continuar ampliando a geração de caixa a partir do quarto trimestre e em 2027 e buscará reduzir a alavancagem.