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Triste o SBT ter deixado de ser a "TV mais feliz do Brasil"

Hoje politizado, canal de Silvio Santos fazia a gente torcer para que derrotasse a 'inalcançável' e esnobe Globo

13 jun 2021 11h00
| atualizado às 11h01
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Houve um tempo em que havia ampla torcida para que o SBT alcançasse a Globo no Ibope. A imagem simpática da emissora de Silvio Santos a tornava uma espécie de Davi diante do gigante Golias.

Silvio Santos, Hebe, Gugu, Serginho Groisman e Bozo encantaram várias gerações de telespectadores do SBT
Foto: Divulgação/SBT (Fotomontagem: Blog Sala de TV)

Sem o mesmo dinheiro nem igual tecnologia, o canal paulista se destacava pelos talentos e a criatividade. Era um prazer assistir à sua programação. Fazia jus ao slogan criado em 2009, "A TV mais feliz do Brasil".

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TV que nos divertiu com atrações lendárias: 'Bozo', 'Domingo no Parque', 'Namoro na TV', 'Show de Calouros', 'Hebe', 'Domingo Legal', 'Viva a Noite', 'Porta da Esperança', 'Qual é a Música?', 'Programa Livre', entre tantos outros.

Assumidamente popular, a emissora lançada em 1981 se baseava em entretenimento simples que nos fazia rir e se emocionar. Sua despretensão e carisma se opunham à imagem por vezes arrogante da poderosa Globo.

Limitações econômicas e a renovação da Record TV, que se tornou a rival mais direta, frearam a corrida do SBT rumo à liderança. O canal teve dificuldade de se renovar artisticamente. Estagnou.

Nos últimos dois anos, foi afetado por outra questão: o apoio de Silvio Santos a Jair Bolsonaro rendeu politização desnecessária e prejudicial. A TV mais liberal do País ganhou o rótulo de direitista e conservadora.

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Episódio recente com Patrícia Abravanel colaborou com essa percepção. A apresentadora, filha 04 do dono, disse que pessoas LGBTQIA+ precisam aceitar a incompreensão da parte de quem teve educação tradicional, como ela própria. Ativistas consideraram essa fala um argumento em prol da intolerância.

Qualquer empresa de comunicação tem o direito de se posicionar no espectro político. Nos Estados Unidos, grandes canais se declaram alinhados aos democratas (como a CNN) e aos republicanos (a exemplo da Fox News).

O problema surge quando a opção ideológica interfere no conteúdo, faz a linha editorial ser tendenciosa e afasta parte do público. Nesse cenário, tudo passa a ser visto pelo filtro da militância e suscita interpretações radicais, distantes da isenção.

Seria entusiasmante ver o SBT voltar a ser aquele canal alegre, com espírito brejeiro e ousado, livre de doutrinas limitantes, com a cara do brasileiro irreverente. Uma versão moderna da velha TVS que conquistou tantos fãs.

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Infelizmente, hoje, as principais redes de TV do Brasil estão contaminadas pela politização. Foram divididas, de maneira reducionista, entre pró e contra Bolsonaro, pró e contra Lula, pró e contra isso ou aquilo. No meio dessa confusão está o telespectador.

Principal veículo de comunicação do País, a televisão vive tempos estranhos que lembram aquele irritante chuvisco na tela, de quando o sinal saía do ar. Entende-se a frustração de quem liga a TV não para militar, mas apenas a fim de se distrair ou receber notícias.

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