No universo de personalidades do BBB 26, uma participante tem chamado a atenção não por polêmicas vazias, mas pela densidade de sua história de vida. Gabriela, de apenas 21 anos, carrega nos ombros uma responsabilidade que muitos não conhecem em uma vida inteira.
A paulistana, que entrou na casa após vencer a dinâmica da Casa de Vidro e se destacar no Quarto Branco, revelou aos poucos os bastidores de sua realidade fora das câmeras: ela é o pilar financeiro e emocional de sua família.
Acumulando funções de vendedora ambulante, auxiliar de terapia e estudante de Psicologia, Gabriela entrou no reality com um objetivo muito claro: tirar sua mãe e irmã de uma situação de vulnerabilidade.
"Chefe de família" aos 21 anos
Quem vê o sorriso largo de Gabriela nas festas do BBB 26 talvez não imagine a rotina exaustiva que ela deixou em São Paulo. A jovem afirmou em sua apresentação que sustenta sua família sozinha.
Segundo a sister, a situação em sua casa é delicada e exigiu que ela amadurecesse precocemente.
Família e cuidados
A motivação de Gabriela vem de duas frentes urgentes:
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Mãe: Sofre de depressão profunda e, atualmente, não consegue trabalhar para gerar renda.
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Irmã: Tem diagnóstico de autismo e necessita de cuidados constantes e tratamentos específicos que pesam no orçamento.
Sem a presença de uma figura paterna ou outro suporte financeiro, Gabriela assumiu o comando.
Sua trajetória de trabalho começou cedo, aos 15 anos, em um buffet de festas infantis. No entanto, a pandemia de Covid-19 fechou o estabelecimento, obrigando a família a se reinventar para sobreviver. Foi aí que nasceu o espírito empreendedor da sister.
Jornada tripla: doce, terapia e estudo
A rotina de Gabriela antes do confinamento era uma maratona diária de quase 19 horas.
Para fechar as contas no final do mês, ela divide seu tempo entre duas ocupações principais, além da faculdade:
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Durante a semana: atua como auxiliar de terapeuta em uma clínica especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa função não só garante um salário, mas conecta Gabriela com o universo de sua irmã, reforçando seu propósito de vida.
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Aos finais de semana: ela vai para as ruas vender os doces que sua mãe produz em casa. "Um salário não dá, vender os doces dá mais dinheiro", explicou ela, com a franqueza que já virou sua marca no programa.
E, no meio de tudo isso, ela ainda encontra tempo (e forças) para cursar a faculdade de Psicologia, buscando um futuro onde possa unir sua vocação profissional com a necessidade financeira.
Sonho do consultório próprio
Gabriela não esconde que o prêmio milionário do BBB 26 resolveria seus problemas imediatos, mas seus planos vão além de pagar boletos atrasados.
A sister tem uma visão de longo prazo e empreendedora. Seu grande sonho é abrir um consultório próprio de Psicologia.
Com isso, ela mataria dois coelhos com uma cajadada só. Além de garantir sua estabilidade profissional, poderia oferecer uma qualidade de vida digna para a mãe e o tratamento de ponta para a irmã.
A escolha pela Psicologia não é aleatória. Vivendo com uma mãe depressiva e uma irmã no espectro autista, Gabriela entende na pele a importância da saúde mental e do acesso a tratamentos de qualidade, muitas vezes inacessíveis para a baixa renda.
Personalidade forte no jogo
Engana-se quem pensa que a história triste faz de Gabriela uma "vítima" ou "planta" no jogo. Pelo contrário. A sister já mostrou que a vida dura criou uma casca grossa necessária para sobreviver ao confinamento.
Ela se define como "fofa, mas brava" e tem se posicionado firmemente contra o que considera injusto na casa. Sua frase "Por que eu tenho que me diminuir para caber dentro do outro?" viralizou nas redes sociais logo na primeira semana.
Essa postura combativa a coloca como uma forte candidata. A experiência de lidar com o público como vendedora e a paciência exigida na terapia infantil parecem ter dado a ela as ferramentas sociais para "ler" o jogo e as pessoas.
A trajetória de Gabriela no BBB 26 é um lembrete de que, por trás de cada jogador, existe uma realidade pulsante. Resta saber se o Brasil vai comprar essa briga junto com ela até a final.