Quem critica Andréia Sadi por abraçar bolsonaristas na Globo precisa entender como funciona a relação de jornalistas com políticos

Um apresentador pode rechaçar um político diante das câmeras e, fora do ar, ter um contato cordial com ele

25 out 2026 - 09h26
(atualizado às 09h26)

Ao longo da cobertura da campanha eleitoral, Andréia Sadi foi uma das maiores críticas de Flávio Bolsonaro (PL) em seu programa ‘Estúdio i’, na GloboNews.

Fez reiteradas cobranças para que o senador se explicasse a respeito do dinheiro recebido do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme ‘Dark Horse’.

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Afirmou, ironicamente, que o candidato não poderia ser acusado de “estelionato eleitoral” porque prometia exatamente o que eventualmente entregará se for eleito.

Disse ainda, em tom de revolta, que o grupo político dele sempre tratou a mulher como pessoa de “segunda categoria”.

Corta para o fim do debate na Globo.

No fundo de uma imagem ao vivo na GloboNews, Sadi aparece indo até o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a assessora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques. A abordagem resulta em abraços, sorrisos e trocas de palavras.

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A repercussão foi imediata nas redes sociais: a apresentadora passou a ser atacada por suposta preferência política e falta de imparcialidade.

Uma acusação quase ingênua de quem provavelmente não sabe como é a dinâmica nos bastidores do telejornalismo.

As análises duras e cobranças recorrentes diante das câmeras não transformam o jornalista em inimigo do político, tampouco os elogios o tornam seu amigo íntimo. Ele está no seu papel de noticiar, analisar, questionar e pressionar por respostas ao público.

Em encontros presenciais, como no debate na Globo, prevalece a civilidade: não há nada de errado em Andréia Sadi cumprimentar e ser gentil com membros importantes da campanha de Flávio Bolsonaro.

Até porque ela precisa conversar com eles nos bastidores para apurar e confirmar informações que irá transmitir na TV.

As principais fontes anônimas dos apresentadores e comentaristas são altas autoridades que falam sob sigilo por ter interesses institucionais ou pessoais na divulgação.

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Um bom jornalista atua com diplomacia. Não despreza ninguém, pelo contrário: mantém relação cordial com representantes de todos os campos ideológicos.

Assim como Sadi foi vista com bolsonaristas, há vários colegas dela da Globo e GloboNews que frequentam o núcleo duro de Lula e do PT.

Para decepção de muita gente, o relacionamento da maioria dos jornalistas de televisão com os homens e as mulheres de poder não é feito do mesmo veneno trocado entre as militâncias nas redes sociais.

Andréia Sadi cumprimenta Daniella Marques e Tarcísio de Freitas no estúdio do debate: boas relações são fundamentais a um jornalista
Andréia Sadi cumprimenta Daniella Marques e Tarcísio de Freitas no estúdio do debate: boas relações são fundamentais a um jornalista
Foto: Reproduções
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