Ao longo da cobertura da campanha eleitoral, Andréia Sadi foi uma das maiores críticas de Flávio Bolsonaro (PL) em seu programa ‘Estúdio i’, na GloboNews.
Fez reiteradas cobranças para que o senador se explicasse a respeito do dinheiro recebido do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme ‘Dark Horse’.
Afirmou, ironicamente, que o candidato não poderia ser acusado de “estelionato eleitoral” porque prometia exatamente o que eventualmente entregará se for eleito.
Disse ainda, em tom de revolta, que o grupo político dele sempre tratou a mulher como pessoa de “segunda categoria”.
Corta para o fim do debate na Globo.
No fundo de uma imagem ao vivo na GloboNews, Sadi aparece indo até o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a assessora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques. A abordagem resulta em abraços, sorrisos e trocas de palavras.
A repercussão foi imediata nas redes sociais: a apresentadora passou a ser atacada por suposta preferência política e falta de imparcialidade.
Uma acusação quase ingênua de quem provavelmente não sabe como é a dinâmica nos bastidores do telejornalismo.
As análises duras e cobranças recorrentes diante das câmeras não transformam o jornalista em inimigo do político, tampouco os elogios o tornam seu amigo íntimo. Ele está no seu papel de noticiar, analisar, questionar e pressionar por respostas ao público.
Em encontros presenciais, como no debate na Globo, prevalece a civilidade: não há nada de errado em Andréia Sadi cumprimentar e ser gentil com membros importantes da campanha de Flávio Bolsonaro.
Até porque ela precisa conversar com eles nos bastidores para apurar e confirmar informações que irá transmitir na TV.
As principais fontes anônimas dos apresentadores e comentaristas são altas autoridades que falam sob sigilo por ter interesses institucionais ou pessoais na divulgação.
Um bom jornalista atua com diplomacia. Não despreza ninguém, pelo contrário: mantém relação cordial com representantes de todos os campos ideológicos.
Assim como Sadi foi vista com bolsonaristas, há vários colegas dela da Globo e GloboNews que frequentam o núcleo duro de Lula e do PT.
Para decepção de muita gente, o relacionamento da maioria dos jornalistas de televisão com os homens e as mulheres de poder não é feito do mesmo veneno trocado entre as militâncias nas redes sociais.