Polêmica faz Globo reeditar cenas de 'Quem Ama Cuida'; entenda o motivo

Após a AASP afirmar que sua marca foi utilizada sem autorização em cenas de assédio, emissora precisou modificar capítulos

28 jul 2026 - 14h35

Uma sequência exibida em Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, acabou extrapolando a ficção e provocando uma reação no meio jurídico. A emissora precisou reeditar capítulos da trama após a AASP (Associação dos Advogados de São Paulo) contestar o uso de seu nome e de sua identidade visual em cenas envolvendo um caso de assédio sexual.

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A entidade afirmou que não foi consultada nem autorizou a utilização de sua marca na produção. Diante da manifestação e do envio de uma notificação extrajudicial, a Globo promoveu alterações em capítulos já gravados e também retirou referências à associação de chamadas e conteúdos disponibilizados em suas plataformas.

No Globoplay, os capítulos disponíveis já aparecem sem o logo da entidade. Procurada pelo Estadão, a TV Globo não se pronunciou sobre o episódio até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

A polêmica teve origem em uma sequência da novela em que o advogado Ademir, personagem interpretado por Dan Stulbach, assedia a secretária Suely (Julia Stockler) e é flagrado pela protagonista Adriana, vivida por Letícia Colin.

Durante as cenas, placas e elementos do cenário exibiam o nome e a identidade visual da AASP, dando a entender que os acontecimentos se passavam em um ambiente ligado à instituição. A associação, no entanto, afirmou que só tomou conhecimento da utilização da marca após a exibição do capítulo.

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Segundo a entidade declarou em nota, a referência ocorreu sem qualquer autorização prévia e acabou vinculando sua imagem a um contexto de violência e assédio, motivo pelo qual decidiu adotar medidas para proteger sua identidade institucional.

Globo altera ‘Quem Ama Cuida’ às pressas por causa de advogados
Globo altera ‘Quem Ama Cuida’ às pressas por causa de advogados
Foto: Beatriz Damy/Globo/Divulgação / Estadão

Globo reeditou capítulos

Após a reclamação da AASP, a Globo iniciou uma força-tarefa para modificar materiais que já estavam finalizados. As alterações envolveram a retirada da identidade visual da associação das cenas que ainda serão exibidas, além da substituição da versão original do capítulo disponível no Globoplay.

A emissora também removeu do ar chamadas e vídeos promocionais que continham a marca da entidade. Com isso, os próximos desdobramentos da história envolvendo a denúncia feita por Suely contra Ademir serão exibidos sem qualquer referência a instituições reais.

O que diz a AASP?

Em nota oficial, a Associação dos Advogados de São Paulo repudiou o uso de seu nome e destacou que não participou da produção nem teve conhecimento prévio da utilização da marca.

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A entidade ressaltou que as cenas foram gravadas em um cenário fictício e reforçou que o conteúdo exibido é de responsabilidade exclusiva da produtora da obra, não representando seus princípios ou sua atuação institucional.

"Fomos surpreendidos com o uso indevido de nosso nome em novela produzida pela Rede Globo. A AASP não tinha conhecimento prévio da menção à marca ou ao nome da Associação, tampouco participou ou autorizou qualquer abordagem relacionada ao contexto apresentado", afirmou a instituição em comunicado.

A associação também informou que já adotou as providências cabíveis para preservar sua imagem e evitar que sua marca continue sendo associada aos acontecimentos retratados na novela.

Entidade tem mais de oito décadas de atuação

Fundada há 83 anos, a AASP reúne cerca de 75 mil associados e atua na defesa da advocacia, da ética profissional e do fortalecimento das instituições jurídicas.

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No comunicado, a associação enfatizou que sua trajetória é pautada pela credibilidade e pelo compromisso com a administração da Justiça, razão pela qual considerou inadequada a utilização de sua identidade visual em uma narrativa envolvendo assédio sexual.

Até o momento, a TV Globo não divulgou um posicionamento público sobre o episódio. A reedição dos capítulos, porém, indica que a emissora optou por retirar todas as referências à entidade enquanto a trama segue acompanhando as consequências da denúncia feita pela personagem Suely contra o advogado Ademir.

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