O melhor de Cariúcha é a falta de vergonha de dizer que gosta de sexo, dinheiro e fama

Nova apresentadora do ‘Superpop’ verbaliza o que milhões de mulheres pensam e sentem, mas não ousam admitir publicamente

7 abr 2026 - 10h31
(atualizado às 10h31)

“Já fui muito corna nessa vida”, “Eu pego tudo, comigo não tem dessa”, “Quem ama trai”.

Essas declarações foram feitas por Cariúcha no ‘Superpop’. Uma amostra da verborragia que é sua marca registrada.

Publicidade

A apresentadora não tem autocensura: diz o que pensa e sente, especialmente a respeito de sexo e relacionamento amoroso.

Há quem considere esse despojamento escancarado como vulgaridade. Julgamentos à parte, é necessário reconhecer a coragem da artista em romper tabus e recusar máscaras.

Cariúcha manifesta com todas as letras que adora homens bonitos, muito dinheiro na conta e viver luxuosamente.

Se uma famosa bem-nascida faz tal afirmação, é aplaudida e vira exemplo a ser seguido. Mas quando sai da boca de uma suburbana negra, a reação costuma ser outra: crítica, escárnio e até indignação moral.

Publicidade

Há um incômodo evidente quando uma mulher fora do padrão elitizado assume, sem rodeios, desejos que a sociedade prefere ver disfarçados em eufemismos. 

Cariúcha não suaviza nem pede licença. Sua franqueza desarma porque ressalta uma hipocrisia coletiva: a de fingir desapego ao prazer sexual, ao enriquecimento e à visibilidade na mídia em um mundo movido justamente por esses três pilares.

Ao verbalizar esses desejos da maioria da população, ela se coloca em um lugar raro na televisão — o da autenticidade bruta. 

E é justamente essa falta de filtro que a aproxima de um público que se reconhece ali, ainda que não tenha coragem de se expressar da mesma forma.

Historicamente, as mulheres foram ensinadas a esconder seu apetite por sexo, a medir palavras, a parecer recatadas, enquanto os homens sempre se viram incentivados a exibir conquistas e ambições sem pudor.

Publicidade

Cariúcha inverte esse jogo. Ao fazer isso em rede nacional, amplia o debate sobre quem pode falar o quê e de que maneira.

Sim, há um limite. Na posição de comunicadora capaz de influenciar a audiência, deve evitar a banalização e a baixaria. 

Ela não pode esquecer que representa um perfil de mulher que já é alvo de cruéis estereótipos na TV e na sociedade.

Cariúcha verbaliza o que parte numerosa das mulheres sente, mas não ousa admitir em público
Cariúcha verbaliza o que parte numerosa das mulheres sente, mas não ousa admitir em público
Foto: Reprodução/TV
Blog Sala de TV -  Todo o conteúdo (textos, ilustrações, áudios, fotos, gráficos, arquivos etc.) deste blog e a obtenção de todas as autorizações e licenças necessárias são de total responsabilidade do colunista que o assina. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. Qualquer dúvida ou reclamação, favor contatá-lo diretamente no e-mail beniciojeff@gmail.com.
Fique por dentro das principais notícias de Entretenimento
Ativar notificações