Papel de Ximenes em 'Passione' se inspira em Liv Tyler

12 jun 2010 - 08h19
(atualizado às 09h22)
Mariana Trigo

Cabelos de diversas cores e comprimentos, enchimentos, próteses e maquiagens com os mais variados efeitos são alguns dos recursos mais utilizados pelas equipes de caracterização na teledramaturgia. Essas transformações físicas nos atores são fundamentais para criar a verossimilhança necessária para cada perfil e estilo de personagem. É uma profusão de possibilidades visuais. Muitos atores até afirmam que só depois de definirem a caracterização de seus personagens começam a composição. Esse foi o caso de Mariana Ximenes com a dissimulada Clara, de Passione. Para a loura má, Carmen Bastos e Marcelo Dias, caracterizadores da trama, se inspiraram na personagem de Liv Tyler no longa Beleza Roubada. "Ela não tem ar de 'femme fatale' porque tem de ostentar a aparência de boa moça", explicou Carmen. Quando descobriu que Clara não teria os artifícios mais comuns das grandes vilãs, como maquiagem carregada nos olhos e figurino em tons sombrios, a atriz compôs a enfermeira de forma minimalista. "Topo tudo no visual de uma personagem. Só estou aqui para servi-las e a Clara é a má com carinha de anjo. Isso faz toda a diferença", avaliou a atriz.

O visual mais pesquisado para Passione foi da estreante Mayana Moura, como a cosmopolita estilista Melina. Os caracterizadores pesquisaram diversas imagens de mulheres que lidam com moda nas principais capitais do planeta até decidirem pelo corte Chanel, esmaltes escuros e maquiagem em tons fechados. Na mesma trama, o oposto acontece com a desbocada Valentina, de Daisy Lúcidi. Completamente desleixada, a personagem está sempre com unhas descascadas, sobrancelhas por fazer e batom borrado.

Na verdade, deixar uma personagem horrorosa com a caracterização foi vital na composição de Bela, protagonista de Giselle Itiê em Bela, A Feia, na Record. Com enchimentos, aparelho dentário, aplique de franjinha e uma maquiagem que criava olheiras e espinhas pelo rosto, a bela morena conseguiu se transformar num monstrengo. "Me arrumava muito rápido para ficar feia. O mais difícil foi na fase que ela ficou linda. Aí tinha de chegar bem antes para fazer cabelo, maquiagem, pintar as unhas. Deu muito mais trabalho", lembrou Giselle.

Em algumas produções, a equipe de caracterização tenta fazer algumas adaptações no look dos personagens visando maior praticidade durante os intermináveis nove meses de gravação de uma novela. Em Caminho das Índias, por exemplo, Marlene Moura e Rubens Libório, caracterizadores da trama, optaram em não escurecer o tom de pele dos atores que viveriam indianos na história. "O bronzeamento artificial poderia ficar falso e caricato. Muitas vezes menos é mais e parte dos atores não tinha físico de oriental", ponderou Marlene.

Além das transformações definitivas para os personagens antes do início das gravações, existem as alterações graduais. Na minissérie JK, Júlia Lemmertz interpretou a mãe de Juscelino. Ela ia envelhecendo aos poucos com pequenas interferências na maquiagem. O mesmo aconteceu com Regina Duarte na pele de Chiquinha Gonzaga na minissérie homônima. O maquiador americano David Press, contratado pela trama, mostrou o envelhecimento de Regina dos 52 aos 87 anos de idade através de próteses. "Foi o trabalho que guardo com mais carinho. Tive de me preparar muito. Foi emocionante viver essa transformação", lembrou Regina. A atriz de 63 anos se prepara para voltar ao ar em Araguaia, título provisório da próxima trama das seis da Globo. A caracterização da produção também vai envelhecer a atriz, que aparecerá como uma senhora de 70 anos, avó do personagem de Murilo Rosa.

Viagem no tempo

As tramas de época exigem um longo trabalho de pesquisa para a caracterização das produções de dramaturgia. De acordo com cada período histórico, mudam cortes de cabelo, formatos de barba, maquiagens e tonalidade dos fios. Em Sinhá Moça, que está sendo reprisada na Globo, a caracterizadora Lindalva Veronez compôs as personagens com maquiagens bem leves e naturais. Já os cabelos de algumas atrizes, como Débora Falabella e Patrícia Pillar, foram alongados com apliques. "Nesta época, as casadas só saíam com cabelos totalmente presos. Apenas as solteiras podiam exibi-los um pouco soltos", ressaltou Lindalva.

Já na minissérie Um Só Coração, que se passava no início do século passado, Marlene Moura, responsável pela caracterização, se inspirou nas tendências visuais da época, mas sem deixar de levar em consideração a estética atual. Os cortes de cabelo dos homens na década de 1920, por exemplo, mostravam nucas mais curtas. "Quando os personagens iam envelhecendo, as têmporas dos atores eram raspadas e os cabelos eram puxados para trás", explicou.

Instantâneas

# As próteses que modificam as feições de um ator também foram utilizadas por Dalton Vigh em Duas Caras. Na pele do vilão Adalberto, que depois de uma cirurgia plástica se transformava em Marconi Ferraço, a equipe de caracterização da trama mudou o rosto do ator para os primeiros capítulos da história de Aguinaldo Silva. Dalton apareceu com prótese no nariz, barba falsa e cabelos alongados. Na mesma trama, os caracterizadores Lindalva Correa e Marcelo Ancillotti se inspiraram na estilista Donatella Versace para compor o visual de Branca, interpretada por Suzana Vieira. A atriz apareceu com longo aplique nos cabelos louros platinados.

# A profusão de tatuagens nos personagens de Tempos Modernos, na Globo, fica por conta da caracterizadora Juliana Mendes Mendonça. Para o personagem de Leonardo Medeiros, que ostenta tatuagens antigas e desbotadas com um visual de roqueiro, Juliana teve de ocultar os traços mais delicados do ator. Por isso, optou por um bigode estilizado e um corte de cabelo meio punk.

# Na minissérie Cinquentinha, de Aguinaldo Silva, Marília Gabriela interpretava a descolada fotógrafa Mariana. Para o visual da personagem, a caracterizadora Carmen Bastos optou por sugerir cabelos frisados, muito utilizados na década de 1980 e que denotavam a agilidade da profissional.

# Em Três Irmãs, Regina Duarte participou da caracterização de sua personagem Waldete. Em uma viagem à Paris, a atriz trouxe um guarda-chuvas para o papel com ligeira inspiração em Mary Poppins, vivida por Julie Andrews no longa homônimo de 1964.

Mariana Ximenes e Liv Tyler
Mariana Ximenes e Liv Tyler
Foto: Divulgação
Fonte: TV Press
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