Manuela Dias explica por que deixou Odete Roitman viva no remake de 'Vale Tudo': 'Elite não morre'

Autora diz que polêmica em torno das mudanças era esperada e detalha o significado do desfecho da vilã

28 jul 2026 - 09h46

Mais de nove meses após o último capítulo do remake de Vale Tudo, Manuela Dias comentou publicamente a decisão de manter Odete Roitman viva no fim da novela. Em entrevista ao programa Jornal da Bahia no Ar, da Rádio Metrópole, a autora afirmou que a escolha foi pensada como uma crítica à permanência das estruturas de poder e da elite brasileira, diferentemente do desfecho da versão original de 1988.

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Atriz Débora Bloch viveu a vilã Odete Roitman na segunda versão de 'Vale Tudo'
Atriz Débora Bloch viveu a vilã Odete Roitman na segunda versão de 'Vale Tudo'
Foto: Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação / Estadão

Segundo ela, manter viva a personagem interpretada por Débora Bloch representa uma metáfora sobre a forma como a elite se reinventa para preservar sua posição. "A elite não morre. A elite e o poder instituído mudam para continuar igual. É como o capitalismo. Para mim, fez todo sentido que a Odete ficasse viva", afirmou.

Manuela acrescentou que procurou construir a reta final da novela de forma a apresentar diferentes possibilidades para o destino da vilã. "Eu quis oferecer para o público todo o cardápio das possibilidades, mas a elite não morre."

Manuela Dias escreveu o remake de 'Vale Tudo'
Foto: Jorge Bispo/TV Globo/Divulgação / Estadão

A autora também comentou a repercussão das mudanças promovidas na adaptação e disse compreender a reação dos telespectadores. "Entendo a angústia do público com as mudanças. É uma novela icônica, não teria como isso passar e não gerar polêmica. Que bom que virou polêmica, porque a pior coisa é a indiferença", declarou.

Segundo ela, pesquisas da emissora e os dados de audiência mostraram que os momentos em que a trama mais se distanciou da versão original despertaram maior interesse do público. "Reclamar não significa não gostar. Reclamar quer dizer se importar. E a novela foi propondo esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela toda igual."

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Manuela citou como principal exemplo desse movimento a revelação de que Leonardo, filho de Odete, estava vivo. Segundo a autora, a ideia surgiu durante a madrugada e acabou se tornando uma das principais viradas da história, contribuindo para o crescimento da audiência ao longo da exibição.

A autora também relembrou a relação que teve com Vale Tudo desde a infância. "Sempre vi Vale Tudo como uma grande oportunidade, como se eu estivesse fazendo um PhD. Vi a versão original quando eu tinha 11 anos. Vi como uma grande oportunidade de aprender", refletiu.

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