Globo leva rasteira do público sertanejo, mas não vai desistir do bilionário agro

Temática não funciona na teledramaturgia às 7 da noite, mas gera audiência no jornalismo e em atrações com música

9 jun 2026 - 14h49
(atualizado às 14h49)

Faltando pouco mais de 2 meses para o fim, ‘Coração Acelerado’ continua lenta no Ibope. Média de 19.3 pontos na Grande São Paulo.

Por enquanto, é o pior índice na faixa das 19h, empatada com ‘Fuzuê’, exibida entre 2023 e 2024.

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Está 2 pontos atrás da antecessora, ‘Dona de Mim’. Ainda há tempo para alcançá-la, mas mudanças no horário devido à transmissão da Copa podem dificultar uma possível reação.

O desempenho morno da trama sobre a música sertanejo surpreendeu até os pessimistas. Parecia uma aposta certa para atrair mais público e gerar forte engajamento nas redes.

A produção musical é caprichada, sem dúvida, assim como a direção de arte. O problema está nos personagens principais.

O galã João Raul (Filipe Bragança) deveria ser uma espécie de Luan Santana, porém, suas atitudes o tornaram uma figura machista e tóxica. 

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O rótulo ‘Mozão do Brasil’ não se justificou. Pelo contrário: o protagonista reforçou o estereótipo do agroboy arrogante.

Isadora Cruz (Agrado) e Isabelle Drummond (Naiane) se forçam como mocinha e antagonista, mas não encantam o telespectador. O texto não explora o carisma natural das duas atrizes.

Talvez ‘Coração Acelerado’ funcionasse melhor se fosse uma comédia rasgada e brincasse mais com as peculiaridades do mundo caipira.

A novela ficou ‘pesada’ ao se levar muito a sério e insistir num romance sem aquela imprescindível química que faz brilhar os olhos do público.

Apesar dos números abaixo do previsto, a Globo não vai abandonar o universo do agro. Futuras produções devem explorar aspectos da cultura sertaneja.

Aos domingos, o ‘Globo Rural’ e o ‘Viver Sertanejo’ (com o cantor Daniel) são um sucesso de audiência. O programa ‘Circuito Sertanejo’, após o ‘Fantástico’, também apresenta bom resultado.

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Além disso, o agronegócio tem importante participação no faturamento publicitário da emissora. Por isso, sempre terá espaço em sua programação.

Naiane (Isabelle Drummond), João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz): atores entregam atuações corretas, mas personagens carecem de carisma
Naiane (Isabelle Drummond), João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz): atores entregam atuações corretas, mas personagens carecem de carisma
Foto: Reprodução
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