Falar sobre ser LGBT+ ainda parece ser um tabu para jornalistas na maioria dos canais

A liberdade de “ser quem se é” ainda não beneficia todos os profissionais de vídeo das emissoras

7 jun 2026 - 10h20
(atualizado às 10h20)

Poucos jornalistas de televisão que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+ comentam abertamente diante das câmeras sua existência fora da heteronormatividade.

A maioria dessas exceções está na GloboNews: Marcelo Cosme (‘Em Pauta’), Leilane Neubarth (‘Conexão’) e Pedro Figueiredo (reportagem) entre eles.

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Nos outros grandes canais, seja na TV aberta ou na TV paga, o assunto ainda parece ser um tabu.

Há gays, lésbicas, bissexuais e afins em todos, mas não existe um ambiente progressista a ponto de levar a experiência pessoal para o vídeo.

Isso acontece na GloboNews pelo tom informal adotado pela emissora, onde os jornalistas se sentem à vontade para revelar detalhes da vida privada ao comentar matérias ou participar de debates.

Mesmo restrito, esse grupo declaradamente LGBT+ no telejornalismo representa relevante avanço. Pouco mais de 10 anos atrás, seria impensável um repórter ou apresentar ‘sair do armário’.

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Havia o temor de julgamento do público e um possível prejuízo à carreira, como se a sexualidade de um jornalista não-hétero pudesse comprometer sua credibilidade e seu mérito.

Houve evolução, mas ainda existe um clima de repressão em algumas redes de TV. 

Nem todo profissional de vídeo se sente confortável, por exemplo, para ir à Parada Gay de SP fazer seu protesto pessoal contra o preconceito e se divertir.

Na maioria dos canais, o recado é implícito: ‘seja LGBT+, mas não demonstre’. Lembra a regra da antiga política nas Forças Armadas dos Estados Unidos. ‘Don’t ask, don’t tell’ (não pergunte, não conte).

O leitor pode questionar: mas precisa falar a respeito de algo tão íntimo?

Os telejornais e demais programas jornalísticos estão cada vez mais opinativos. Muitas vezes, os âncoras e analistas mencionam vivências nos âmbitos profissional e pessoal quando abordam determinadas pautas.

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Se um jornalista heterossexual comenta livremente sobre a esposa, por que um colega gay não pode falar de seu companheiro?

Não se trata de militância, e sim de direitos iguais e a normalização da diversidade. 

Afinal, se um profissional se sente obrigado a medir cada palavra para evitar qualquer referência à própria identidade, a mensagem transmitida é a de que algumas existências continuam mais aceitáveis do que outras.

Pedro Figueiredo, Leilane Neubarth e Marcelo Cosme: jornalistas da GloboNews estão entre as exceções que falam livremente a respeito de ser LGBTQIAPN+
Pedro Figueiredo, Leilane Neubarth e Marcelo Cosme: jornalistas da GloboNews estão entre as exceções que falam livremente a respeito de ser LGBTQIAPN+
Foto: Reproduções
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