Poucos jornalistas de televisão que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+ comentam abertamente diante das câmeras sua existência fora da heteronormatividade.
A maioria dessas exceções está na GloboNews: Marcelo Cosme (‘Em Pauta’), Leilane Neubarth (‘Conexão’) e Pedro Figueiredo (reportagem) entre eles.
Nos outros grandes canais, seja na TV aberta ou na TV paga, o assunto ainda parece ser um tabu.
Há gays, lésbicas, bissexuais e afins em todos, mas não existe um ambiente progressista a ponto de levar a experiência pessoal para o vídeo.
Isso acontece na GloboNews pelo tom informal adotado pela emissora, onde os jornalistas se sentem à vontade para revelar detalhes da vida privada ao comentar matérias ou participar de debates.
Mesmo restrito, esse grupo declaradamente LGBT+ no telejornalismo representa relevante avanço. Pouco mais de 10 anos atrás, seria impensável um repórter ou apresentar ‘sair do armário’.
Havia o temor de julgamento do público e um possível prejuízo à carreira, como se a sexualidade de um jornalista não-hétero pudesse comprometer sua credibilidade e seu mérito.
Houve evolução, mas ainda existe um clima de repressão em algumas redes de TV.
Nem todo profissional de vídeo se sente confortável, por exemplo, para ir à Parada Gay de SP fazer seu protesto pessoal contra o preconceito e se divertir.
Na maioria dos canais, o recado é implícito: ‘seja LGBT+, mas não demonstre’. Lembra a regra da antiga política nas Forças Armadas dos Estados Unidos. ‘Don’t ask, don’t tell’ (não pergunte, não conte).
O leitor pode questionar: mas precisa falar a respeito de algo tão íntimo?
Os telejornais e demais programas jornalísticos estão cada vez mais opinativos. Muitas vezes, os âncoras e analistas mencionam vivências nos âmbitos profissional e pessoal quando abordam determinadas pautas.
Se um jornalista heterossexual comenta livremente sobre a esposa, por que um colega gay não pode falar de seu companheiro?
Não se trata de militância, e sim de direitos iguais e a normalização da diversidade.
Afinal, se um profissional se sente obrigado a medir cada palavra para evitar qualquer referência à própria identidade, a mensagem transmitida é a de que algumas existências continuam mais aceitáveis do que outras.