A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, encerra uma das mais respeitadas carreiras artísticas do Brasil.
Além de ator, autor, diretor e produtor potente, ele era um ativista das artes e não tinha medo de polemizar sobre temas sensíveis, como a Lei Rouanet.
“Sou absolutamente contra, a despeito das razões pelas quais ela tenha sido criada, louváveis”, afirmou na Jovem Pan, anos atrás.
“Não se dá dinheiro a artista. O artista ganha o seu dinheiro. Essa é a razão pela qual ele avança”, explicou.
"Apoios, sim, mas com independência ideológica. Quando dão migalhas acaba o entusiasmo.”
Filiado ao Partido Comunista, Juca criticava o departamento de marketing das empresas que usam o recurso de renúncia fiscal da Rouanet para investir em espetáculos.
“Exigem os protagonistas de novelas. Como ficam os outros atores? Desaparecem!"
Sabe-se que as grandes marcas querem associar sua imagem quase exclusivamente a peças de teatro com elenco de celebridades, o que deixa a maioria dos atores que não faz TV sem acesso aos benefícios da lei.
Um dos maiores sucessos do ator nos palcos foi ‘Caixa 2’, sobre um banqueiro desonesto numa operação bancária atrapalhada. Uma crítica ao capitalismo selvagem e à roubalheira.
Juca de Oliveira também abordou a falta de ética em ‘Mãos Limpas’ e ‘Baixa Sociedade’, outros espetáculos que lotaram teatros.
Na TV, seu personagem mais popular foi o Dr. Albieri, cientista responsável pela cópia genética humana em ‘O Clone’.
Será lembrado também por alguns vilões, a exemplo de Santiago, o pai bandido de Carminha em ‘Avenida Brasil’.
A cena mais impactante de Juca numa novela aconteceu quando seu personagem João Gibão revelou ter asas e voou no último capítulo de ‘Saramandaia’, em 1976. O realismo fantástico foi usado para dar liberdade ao homem que fugia de homens armados