Abaixo, trecho de uma postagem da coluna em 11 de janeiro.
“Dos 10 eliminados na votação das ‘Casas de Vidro’ para definir os pipocas do ‘BBB26’, Leandro, da Região Nordeste, teve a pior reação. Ele fazia torcida a si mesmo com um gestual de fé, até ouvir Tadeu Schmidt dar o resultado. Incrédulo, permaneceu sentado no sofá, abatido pelo resultado da votação popular. Levantou o rosto em direção ao teto, olhos apertados de quem segura o choro. Disse algo incompreensível, talvez uma conversa íntima com Deus. Depois, ficou cabisbaixo, balançou a cabeça negativamente. A imagem humana da derrota — vestindo uma camisa com as cores do Brasil”.
Aquele mesmo homem desolado está agora no Top 5 da edição.
Como não se admirar com as reviravoltas do ‘Big Brother Brasil’ e da própria vida?
Após a frustração inicial, Leandro, o Boneco, foi para o ‘Quarto Branco’ e acabou entrando na casa.
Inicialmente, orbitou em torno de Ana Paula Renault, o que garantiu proteção.
Ensaiou ser um participante forte ao criar um embate declarado contra Alberto Cowboy.
Mas, na maior parte do tempo, permaneceu calado, à sombra, sem atuação relevante.
Mereceu chegar tão longe?
Não, se o critério for o mérito como jogador.
Ele teve a ajuda da sorte: nos Paredões, enfrentou competidores detestados pelo público.
E foi ficando, ficando… Ou sobrando?
Boneco é mais uma ‘planta’ que se dá bem na dinâmica do reality show.
Essa trajetória aparentemente improvável diz muito mais sobre o jogo — e sobre quem o assiste — do que a respeito do próprio competidor.
O ‘BBB’ deixou de ser apenas uma disputa de estratégia para se tornar um espelho emocional do público. E, nesse contexto, figuras como Leandro ganham espaço não pelo que fazem, mas pelo que não fazem.
Em um ambiente saturado de conflitos forçados, discursos prontos e personagens excessivamente conscientes de sua imagem, a apatia pode soar como autenticidade.
Há também um fator decisivo: a rejeição pesa mais do que a aprovação. Em diversos momentos, Boneco não foi salvo por ser querido, mas por estar ao lado de alguém mais rejeitado.
O caso dele escancara uma contradição fundamental do programa: o público pede jogo, mas, muitas vezes, elimina quem joga.
Exige autenticidade, mas pune quem se expõe demais. Critica as ‘plantas’, porém, paradoxalmente, permite que elas avancem.
No imprevisível ‘Big Brother Brasil’, assim como na vida, nem sempre chega mais longe quem brilha mais. Às vezes, é quem simplesmente resiste.