Prevista para estrear na última semana de janeiro, a continuação de ‘Avenida Brasil’, ainda sem título confirmado, encontrará uma Globo diferente daquela de 2012.
A novela original herdou de ‘Fina Estampa’ uma média de audiência de 39 pontos. Manteve o índice.
A atual na faixa das 21h, ‘Quem Ama Cuida’, está com 23. Pontuação 59% menor, sem considerar mudanças de metodologia.
‘Avenida Brasil’ reunia, em média, 46 milhões de telespectadores diante da TV a cada noite.
No momento, a Globo consegue cerca de 27 milhões de brasileiros por capítulo.
Há 15 anos, havia uma relevante divulgação orgânica da trama de Nina/Rita (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) na internet.
Os telespectadores comentavam as melhores cenas em tempo real no Twitter (rebatizado X).
A hashtag #OiOiOi — tirada do refrão da música de abertura, ‘Vem Dançar com Tudo’ — aparecia todos os dias nos Trending Topics Brazil.
No capítulo 100, quando a vilã descobriu que a cozinheira era sua enteada, #OiOiOi100 foi 1º lugar no ranking mundial da rede social.
Hoje, a comunidade digital mais importante é o TikTok, onde a teledramaturgia da emissora aparece pouco.
Parcela numerosa dos usuários do aplicativo não assistiu à ‘Avenida Brasil’. Não tem memória afetiva da novela.
Uma década e meia depois, as redes sociais se tornaram um termômetro de sucesso tão ou mais importante do que a aferição de público realizada pela Kantar/Ibope.
Por isso, a sequência do dramalhão terá o desafio de conquistar popularidade entre os consumidores de vídeos curtos para construir a necessária relevância digital.
Segundo estimativa da revista ‘Forbes’, ‘Avenida Brasil’ gerou cerca de R$ 2 bilhões de faturamento, incluindo todos os acordos comerciais em diferentes mídias.
Nenhuma outra novela posterior rendeu receitas publicitárias parecidas.
O lucro da Globo em 2012, impulsionado por aquele fenômeno, foi de R$ 2,9 bilhões.
Em 2025, o grupo de comunicação lucrou R$ 1,4 bilhão.
O canal da família Marinho, assim como as demais redes de televisão aberta, enfrenta um mercado em transformação.
As plataformas de streaming tiram cada vez mais audiência e parte dos investimentos dos grandes anunciantes.
‘Avenida Brasil 2’ terá de lidar também com a queda da influência cultural da Globo no dia a dia.
No início da década passada, a emissora ainda dominava as conversas sobre entretenimento.
No presente, a velha TV disputa a atenção das pessoas com o infindável conteúdo disponível no celular.
Novelas verticais, séries, jogos, apostas, podcasts, influenciadores, vídeos rápidos.
Os moradores do Divino vão encontrar um mundo novo, com vizinhos bem competitivos que falam outra língua.