Uma pergunta insiste em rondar os bastidores da RedeTV! e o mundo da televisão: afinal, Luciana Gimenez e Daniela Albuquerque são amigas, inimigas ou algo no meio do caminho?
A lenda da rixa ganhou força nas redes sociais e encontrou eco em parte da imprensa, sempre ávida por disputas de poder e fofocas de celebridades.
Pelo que se dizia, as duas travavam uma batalha silenciosa por status e influência dentro da emissora desde 2007.
O enredo parecia pronto para uma novela: Luciana foi mulher do então sócio e vice-presidente do canal, Marcelo de Carvalho. Daniela se casou com o presidente da emissora, Amilcare Dallevo Jr.
A teoria conspiratória era simples e irresistível para quem gosta de intrigas.
Por ter começado antes na RedeTV!, já famosa no Brasil e no exterior, Luciana se enxergaria como uma autoridade natural e faria uma blindagem contra qualquer possível ‘puxada de tapete’ de quem chegou depois.
Daniela, por sua vez, como esposa do dono, teria maior capacidade de persuasão para decisões importantes na TV e, na busca por provar seu talento e conseguir reconhecimento popular, não aceitaria viver à sombra da veterana.
A realidade nunca confirmou esse roteiro melodramático que lembrava disputas históricas entre mulheres, como a das cantoras Emilinha Borba e Marlene, e das atrizes Bette Davis e Joan Crawford.
Não há registro de discussão pública ou confronto direto entre as apresentadoras atrás das câmeras.
Nunca foram amigas íntimas, daquelas que dividem confidências e férias em família. Tampouco inimigas declaradas.
Mantiveram-se, essencialmente, como colegas de trabalho e esposas de homens que mantinham uma sociedade empresarial.
O boato de atrito ganhou nova dimensão quando Luciana deixou a RedeTV!, no fim de 2025, pouco depois de Marcelo vender sua parte no negócio.
Rapidamente espalhou-se a narrativa de que Daniela teria ‘pedido a cabeça’ da apresentadora ao marido, agora único proprietário da emissora.
A especulação gerou um ‘hate’ tão cruel contra Daniela nas redes sociais que ela se viu obrigada a gravar um vídeo, emocionada, para negar qualquer ação ofensiva contra Luciana.
A coluna apurou que a saída da comunicadora que fez história no ‘Superpop’ partiu da direção executiva, sem nenhuma ingerência da apresentadora do ‘Sensacional’.
O que se observa é menos um conflito real e mais a projeção de um imaginário coletivo que sente prazer em opor personalidades femininas entre si.
Intelectuais como a francesa Simone de Beauvoir e a norte-americana Bell Hooks destacaram como as mulheres são socialmente condicionadas a se verem como concorrentes por atenção e validação em um sistema patriarcal e, muitas vezes, machista.
E quando falamos em audiência, a rivalidade entre elas, estimulada de forma quase automática, torna-se combustível fácil para cliques e comentários. O público consome antagonismo, seja verdadeiro ou falso, como entretenimento.
Soma-se a isso o preconceito direcionado a mulheres bonitas, casadas com homens ricos, e que iniciaram suas trajetórias na TV já em posição de destaque — um ‘pecado’ que parte do público, do meio artístico e da imprensa não perdoa.
A verdade é menos espetacular do que os fofoqueiros gostariam: Luciana Gimenez e Daniela Albuquerque jamais brigaram, apenas mantinham uma distância protocolar.
Quem precisa transformar mulheres bem-sucedidas em adversárias para tornar a história mais interessante terá de lidar com a frustração da realidade.