Adriana Araújo cita filha médica que nasceu com 7 dedos ao criticar Flávio Bolsonaro; entenda

27 out 2026 - 05h00
Adriana Araújo com a filha Giovanna Araújo
Adriana Araújo com a filha Giovanna Araújo
Foto: Reprodução/Instagram

A jornalista Adriana Araújo usou a própria experiência como mãe de uma pessoa com deficiência para criticar declarações de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmar que ele foi responsável pelo fracasso nas urnas. Em um vídeo da Band News publicado nesta segunda-feira (26), no qual analisa a derrota eleitoral do senador, ela relembrou o episódio em que o político se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “nove dedos” durante o debate da TV Globo.

“Nesse assunto, eu tenho lugar de fala. Eu sou mãe de uma médica com sete dedos nas mãos”, afirmou Adriana no vídeo.

Na sequência, a jornalista criticou a postura do candidato e destacou que a deficiência pode fazer parte da vida de qualquer pessoa.

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“E o candidato Flávio Bolsonaro humilhou uma pessoa que tem deficiência. E é preciso dizer: pessoas nascem com deficiência e pessoas podem adquirir uma deficiência. Qualquer um de nós pode ser uma pessoa com uma deficiência no futuro”, declarou.

A manifestação ocorre após a repercussão da fala de Flávio no debate presidencial exibido pela Globo na sexta-feira (23). Ao discutir a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana, o senador afirmou que o governo daria benefícios com uma mão e retiraria com os “nove dedos”, em referência à perda de um dedo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho, quando ele tinha 17 anos.

O presidente reagiu à provocação, cobrou um pedido de desculpas e relacionou o episódio à realidade de trabalhadores que sofrem acidentes. Flávio pediu desculpas durante o debate, mas voltou a criticar o governo petista na sequência. 

Quem é a filha de Adriana Araújo?

A filha da jornalista é Giovanna Araújo, que nasceu com hemimelia fibular, uma malformação congênita que compromete o desenvolvimento da fíbula, osso localizado na parte lateral da perna. O quadro também pode estar associado a alterações nos pés e nas mãos.

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em junho de 2023, Adriana contou que a filha nasceu com sete dedos nas mãos e outros nos pés, distribuídos de maneira irregular. Giovanna passou por dez cirurgias ao longo da vida e, em 2024, aos 25 anos, se formou em Medicina.

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A trajetória da jovem também foi tema do livro "Sou a Mãe Dela", lançado em 2020. Na obra, Adriana compartilha os desafios enfrentados desde o nascimento da filha, incluindo a busca por tratamentos e alternativas que favorecessem sua autonomia.

Quando a filha nasceu, Adriana estava apenas há dois anos trabalhando na TV Globo. "Foi desafiador pela deficiência física que a minha filha tem  e ao mesmo tempo que passei a lutar e buscar para ela um tratamento médico para que ela caminhasse com as próprias pernas, eu também estava buscando o meu camnho e ela me transformou, ela me ensinou coisas e me ensina coisas extraordinárias", contou ela em entrevista ao jornalista Flávio Ricco, na Léo Dias TV em junho.

Anos depois, Giovanna seguiu o objetivo de se tornar médica, o que deixou a mãe ainda mais orgulhosa. 

O que é hemimelia fibular?

A hemimelia fibular é uma malformação congênita rara caracterizada pela ausência total ou parcial da fíbula. A gravidade varia entre os pacientes: em alguns casos, a condição pode provocar diferenças no comprimento das pernas, alterações no tornozelo e deformidades nos pés.

Também podem ocorrer alterações em outras estruturas dos membros, incluindo os dedos. O diagnóstico pode ser feito durante a gestação, por exames de imagem, ou após o nascimento.

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A causa nem sempre é identificada. O tratamento depende das características de cada caso e pode envolver acompanhamento ortopédico, cirurgias e reabilitação para melhorar a mobilidade e a funcionalidade dos membros. 

"Eu enxerguei na minha filha oportunidades extraodinárias de crescimento, de consciência. É muito comum, às vezes as pessoas falarem: 'nossa, que azar dessa mãe, ter uma filha com deficiência'. As pessoas falavam palavras: 'Ih, nasceu com defeito'... Isso me ensinava que não é assim que você se comporta em relação ao outro. Isso me ensinava que o desrespeito não pode prevalecer sobre o respeito que todo o ser humano merece", completou ela na entrevista.

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