André Lamoglia construiu uma carreira internacional com atuações marcantes em séries como Elite e Os Donos do Jogo. O ator compartilhou aprendizados sobre a profissão, desafios de atuar em diferentes idiomas e a importância da disciplina na rotina. Ele valoriza cada papel como uma oportunidade de crescimento e celebra o sucesso de seus projetos. 🎭🌟
Da Disney Channel a Netflix, passando por produções brasileiras e internacionais, André Lamoglia construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras em poucos anos. Depois de conquistar o público como Rafa, em Juacas, o ator ganhou projeção mundial vivendo Iván Carvalho em Elite e, agora, retorna às gravações da segunda temporada de Os Donos do Jogo, série que rapidamente se tornou um sucesso.
Em entrevista à Todateen, André falou sobre os aprendizados de cada personagem, o crescimento profissional, a experiência de gravar em português, espanhol e inglês, os bastidores das produções internacionais e até a disciplina necessária para conciliar treinos com uma rotina intensa de gravações.
De Juacas a Os Donos do Jogo
Quem acompanha a trajetória de André desde os primeiros trabalhos certamente percebe uma grande transformação em sua atuação. Ao revisitar seus primeiros projetos, ele conta que o que mais chama atenção não é apenas a mudança técnica, mas principalmente a forma como passou a enxergar a profissão. "Quando revejo os meus primeiros trabalhos, o que mais me chama atenção é como a experiência vai mudando o seu olhar sobre a profissão", afirma.
Para ele, Juacas representou um verdadeiro período de aprendizado. "Eu estava vivendo tudo pela primeira vez, descobrindo como funcionava um set, entendendo o ritmo de gravação, aprendendo com diretores, preparadores e com atores que já tinham mais estrada. Era uma fase de absorver tudo, e foi o que eu fiz", relembra.
Hoje, interpretando o Profeta em Os Donos do Jogo, ele sente que chega aos projetos com muito mais repertório, mas garante que continua encarando cada trabalho como uma oportunidade de aprender. "Atuar é um trabalho coletivo, e eu continuo com a mesma vontade de seguir absorvendo tudo que posso, como eu tinha lá atrás, mas hoje isso acaba sendo algo mais natural do processo e da construção feita ao longo da preparação", afirma.
Os personagens também transformam o ator
Embora Iván, de Elite, e o Profeta tenham personalidades completamente diferentes, André acredita que ambos deixaram marcas importantes fora das câmeras.
"O Iván me colocou diante de situações emocionais muito intensas. Ele vive conflitos familiares, afetivos e pessoais muito profundos e, além de tudo, precisa lidar de forma trágica com a morte do pai, vítima de um preconceito. A trajetória dele transforma aquele garoto solar em alguém machucado e, por consequência, mais fechado. Isso me fez refletir sobre como a personalidade de uma pessoa não é feita apenas da sua essência, mas também das marcas que a vida deixa", explica.
Já o Profeta fez André olhar para outro tipo de conflito: a ambição. "Interpretá-lo me fez pensar muito sobre como a ambição pode levar alguém a lugares obscuros na busca por aquilo que se acredita precisar, e sobre o quanto as circunstâncias influenciam algumas tomadas de decisão e também, por consequência, o quanto as escolhas feitas no dia a dia mudam todo o futuro de alguém", afirma.
Para construir personagens tão diferentes, ele conta que procura compreender profundamente as motivações de cada um, evitando julgamentos precipitados.
"Acho que um dos maiores desafios do meu trabalho é compreender de verdade as motivações de alguém que enxerga o mundo de uma forma completamente diferente da minha. Porque é só quando você entende essa lógica que consegue saber como aquele personagem reagiria às mais diversas situações", contou.
Esse exercício, segundo ele, vai além das gravações. "É um exercício constante não partir já com um pré-julgamento de uma atitude. Isso acontece em cena, mas também fora dela, enquanto leio, reflito sobre o texto e busco entender quem aquele personagem é de verdade. No fim, esse processo acaba ensinando muito sobre a nossa complexidade enquanto humanos e o que nem sempre está dito ou posto, mas no fim, importa", completa.
André ainda faz questão de destacar que compreender o contexto de um personagem nunca significa justificar suas atitudes. "O contexto pode não servir de salvo-conduto, ele não é a explicação ou serve como justificativa, mas ele sempre faz diferença. Na minha profissão, se você já parte de algum lugar sem estar atento ao contexto, algo com certeza se perde pelo caminho".
O sucesso de Os Donos do Jogo
Enquanto Elite consolidou sua carreira internacional, Os Donos do Jogo representa um novo momento no Brasil. A série conquistou rapidamente o público e já está nas gravações da segunda temporada.
André Lamoglia disse que voltar ao set sabendo da repercussão da primeira temporada torna tudo ainda mais especial. "É muito especial voltar para um projeto sabendo que ele criou uma conexão tão forte com o público. Na primeira temporada, a gente estava completamente concentrado em contar aquela história da melhor forma possível, sem saber ainda exatamente como seria a recepção, mas sempre confiantes, pois sabíamos do grande potencial", disse.
A reação do público surpreendeu toda a equipe. "Quando a série estreou e vimos as pessoas comentando os episódios, criando teorias, discutindo os personagens e pedindo continuação, foi muito gratificante", celebrou.
Agora, segundo ele, a responsabilidade aumentou. "Existe a vontade coletiva de fazer uma temporada ainda melhor, de aprofundar os personagens e entregar algo que surpreenda quem acompanhou a primeira. Ao mesmo tempo, o ambiente continua com sua mesma essência. O elenco e a equipe já se conhecem bem, existe uma confiança entre todo mundo, e isso ajuda muito no trabalho", contou.
Uma carreira cada vez mais internacional
Nos últimos anos, André passou a trabalhar em diferentes países e idiomas. Além do Brasil, ele já gravou produções na Espanha, na Argentina e participou de um projeto em inglês.
Apesar disso, o ator garante que sua prioridade nunca foi atuar em determinado mercado, mas, sim, o projeto. "Tenho vontade de continuar trabalhando em diferentes países, mas me importa muito mais qual é o trabalho e projeto do que onde ele é filmado. Ainda assim, o audiovisual está cada vez mais globalizado, e poder circular entre diferentes mercados é algo que me motiva bastante", explicou.
"Nunca vai ser apenas decorar falas"
Para quem vê uma produção pronta, pode parecer que atuar em outro idioma significa apenas decorar um novo texto. André garante que a realidade é completamente diferente.
"Atuar nunca vai ser apenas decorar falas; seja qual for o idioma, vai muito além disso. Temos que viver e levar de forma natural aquela mensagem que nos foi passada através de um roteiro, para o público", afirma.
Segundo ele, o verdadeiro desafio está em conseguir interpretar sem que a língua interfira na emoção da cena. "O mais importante em atuar em outro idioma é você ter o domínio e poder viver cada cena de maneira natural. E não digo que ter domínio é a pessoa não ter sotaque ou algo do tipo, que é algo muito interessante muitas vezes e que pode ser a essência do personagem, mas sim ter o controle emocional e expressar o que sente sem que falar seja um problema", completou.
Os bastidores também rendem boas histórias
Conviver diariamente com profissionais de diferentes nacionalidades também rende momentos curiosos.
André lembra que algumas palavras consideradas comuns no Brasil podem ganhar significados completamente diferentes em outros países. "Quando você trabalha com pessoas de países diferentes, descobre muito rápido que várias palavras têm significados completamente diferentes dependendo de onde você está. Não lembro exatamente qual era a palavra, mas já aconteceu de usar uma expressão achando que era super comum e o pessoal ao redor começar a rir. Aí alguém explicava que aquela palavra, naquele país, significava outra coisa", contou.
No fim, essas situações acabam aproximando ainda mais o elenco, diz o ator.
Aprendendo com os "nãos"
Como acontece com praticamente todos os atores, André também precisou lidar com testes que não deram certo.
Hoje, ele encara essas negativas como parte natural da profissão. "Acho que qualquer ator aprende cedo que a carreira é feita de muitos testes, e nem todos vão dar certo. Não é apenas sobre talento, existe uma combinação de fatores: perfil, idade, encaixe com o elenco, direção que a produção quer seguir…", explica.
Em alguns casos, perder um papel acabou abrindo portas para oportunidades ainda melhores. "Já deixei de fazer trabalhos que pareciam interessantes e pouco tempo depois apareceu algo que teve melhor encaixe para a minha trajetória", comentou.
Por isso, prefere olhar para frente. "Aprendi a não gastar energia tentando entender as escolhas que são feitas em trabalhos que não vão adiante. Prefiro direcionar essa energia para o que vem adiante".
O lado que pouca gente conhece
Apesar da fama, André Lamoglia garante que sua personalidade costuma surpreender quem o conhece fora dos sets. "Acho que muita gente associa a profissão de ator a alguém que gosta muito de ser notado, mas, fora do trabalho, não busco muito isso", disse.
Outra característica marcante é a curiosidade. "Quando me interesso por um assunto, desenvolvo um quase hiperfoco", conta, aos risos. "Gosto de pesquisar, conversar com pessoas que entendem daquilo, ler tudo que está ao alcance… Essa curiosidade acaba sendo útil também para construir personagens porque cada papel pede que você explore um universo novo", explicou.
Disciplina acima da motivação
Fora das gravações, André também procura manter uma rotina de exercícios, mesmo quando os horários das filmagens mudam constantemente.
Segundo ele, a organização faz toda a diferença. "Gravar uma série exige bastante organização porque os horários mudam dia a dia. Tem dia em que você começa muito cedo, outros em que grava até tarde da noite. Então, a rotina precisa ser flexível", contou.
Por isso, adapta os treinos sempre que necessário. "Procuro adaptar os treinos à agenda, mesmo que isso signifique treinar em horários diferentes do habitual. O importante é manter a constância. Às vezes consigo fazer um treino completo, outras vezes preciso reduzir o tempo, mas procuro não interromper o processo", explicou.
André também considera que os exercícios ajudam diretamente no trabalho. "O treino também ajuda muito na disposição e na concentração, principalmente durante longos períodos de gravação", comentou.
Agora, sobre treinar sozinho ou acompanhado, André Lamoglia acredita que ambos têm seus benefícios, mas deixa claro qual é o fator realmente decisivo para manter uma rotina saudável. "Quando treino sozinho, consigo me concentrar mais e seguir meu próprio ritmo. Ao mesmo tempo, treinar acompanhado também tem suas vantagens. A companhia serve como incentivo, deixa o momento mais alegre. No fim, acho que o mais importante é criar uma rotina que seja sustentável, porque disciplina acaba sendo muito mais importante do que motivação. É isso que faz diferença no longo prazo, tanto para a saúde quanto para o trabalho", concluiu.