No fim de 1969, Paul McCartney enfrentava um dos períodos mais difíceis de sua vida. Com a separação dos Beatles se aproximando e John Lennon já tendo deixado o grupo, o músico levou a família para uma fazenda isolada na Escócia. Na época, a banda mantinha a saída de Lennon em segredo.
"Ele não queria sair da cama e bebia demais quando finalmente se levantava", contou o biógrafo Allan Kozinn, de acordo com o site radaronline.com. "Ele estava completamente deprimido. Havia passado toda a vida adulta nos Beatles. Era o único trabalho que conhecia", completou.
Segundo Kozinn, coautor do livro The McCartney O Legado: Volume 1: 1969-73, Paul "tinha muita dúvida sobre si mesmo". Aquele foi, de acordo com o biógrafo, o período mais sombrio da vida do músico até então.
"Eu não sabia o que fazer", recordou Paul. "Como qualquer coisa que eu fizesse poderia ser tão boa quanto os Beatles?" À medida que o músico mergulhava na tristeza, "isso deixou Linda com a tarefa de tentar trazê-lo de volta à vida", afirmou Kozinn.
"Linda tem essas duas crianças, e eles estão no meio da Escócia, em uma fazenda caindo aos pedaços, enquanto ela tenta manter tudo de pé", acrescentou o biógrafo. "Felizmente, ela conseguiu", destacou.
Paul e Linda haviam se casado em 1969, e Mary, a primeira das três filhas do casal, nasceu naquele mesmo ano. Linda, fotógrafa e mãe de Heather, então com 6 anos, fruto de um relacionamento anterior, compreendia o sofrimento do marido, mas adotou uma postura direta diante da situação.
O que Linda McCartney fez para ajuda Paul
Segundo Kozinn, Linda tentou fazer Paul enxergar que o fim dos Beatles não significava o fim de sua carreira. Ela o lembrou de suas próprias qualidades como músico e compositor.
"Espere um minuto. Você é um dos maiores compositores do século 20, é um grande baixista e tem uma voz que as pessoas matariam para ter. Por que isso é um problema? Por que você não pode simplesmente seguir sua carreira por conta própria?", teria dito Linda ao marido, segundo o biógrafo.
Paul, no entanto, temia ser responsabilizado pela separação dos Beatles. O músico admitiu posteriormente que chegou a acreditar, ainda que parcialmente, que poderia carregar essa culpa. "Eu meio que acreditei nisso", reconheceu. "Embora soubesse que não era verdade, isso me afetou a ponto de me deixar inseguro".
Linda continuou a incentivá-lo a seguir em frente. "Paul tem um lado artístico que não é muito racional, e eu gosto disso. A mente dele é incrível", disse ela. A dedicação de Linda e o talento de Paul ajudaram o músico a recuperar, aos poucos, a confiança.
A temporada na Escócia acabou servindo também como ponto de partida para uma nova fase artística. "Ele voltou daquela viagem com uma música e meia para começar seu primeiro álbum solo", contou Kozinn. Segundo o biógrafo, porém, foi somente quando já estava no meio da produção que Paul compôs Maybe I'm Amazed.
A canção se tornaria uma das mais conhecidas da carreira solo do ex-Beatle e, segundo o relato de Kozinn, marcou parte importante da retomada de Paul após o fim do grupo que havia definido sua trajetória até aquele momento.
A musicista, ativista e fotógrafa Linda McCartney morreu em 17 de abril de 1998, aos 56 anos, após lutar contra um câncer de mama.