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Triste, inseguro e culpado: Como Linda salvou Paul McCartney após fim dos Beatles

Biógrafo relata como a fotógrafa ajudou o músico a recuperar a confiança e retomar a carreira após o fim da banda

17 ago 2026 - 14h03

No fim de 1969, Paul McCartney enfrentava um dos períodos mais difíceis de sua vida. Com a separação dos Beatles se aproximando e John Lennon já tendo deixado o grupo, o músico levou a família para uma fazenda isolada na Escócia. Na época, a banda mantinha a saída de Lennon em segredo.

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"Ele não queria sair da cama e bebia demais quando finalmente se levantava", contou o biógrafo Allan Kozinn, de acordo com o site radaronline.com. "Ele estava completamente deprimido. Havia passado toda a vida adulta nos Beatles. Era o único trabalho que conhecia", completou.

Segundo Kozinn, coautor do livro The McCartney O Legado: Volume 1: 1969-73, Paul "tinha muita dúvida sobre si mesmo". Aquele foi, de acordo com o biógrafo, o período mais sombrio da vida do músico até então.

"Eu não sabia o que fazer", recordou Paul. "Como qualquer coisa que eu fizesse poderia ser tão boa quanto os Beatles?" À medida que o músico mergulhava na tristeza, "isso deixou Linda com a tarefa de tentar trazê-lo de volta à vida", afirmou Kozinn.

Paul McCartney enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua vida no fim de 1969
Paul McCartney enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua vida no fim de 1969
Foto: @paulmccartney via Instagram / Estadão

"Linda tem essas duas crianças, e eles estão no meio da Escócia, em uma fazenda caindo aos pedaços, enquanto ela tenta manter tudo de pé", acrescentou o biógrafo. "Felizmente, ela conseguiu", destacou.

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Paul e Linda haviam se casado em 1969, e Mary, a primeira das três filhas do casal, nasceu naquele mesmo ano. Linda, fotógrafa e mãe de Heather, então com 6 anos, fruto de um relacionamento anterior, compreendia o sofrimento do marido, mas adotou uma postura direta diante da situação.

O que Linda McCartney fez para ajuda Paul

Segundo Kozinn, Linda tentou fazer Paul enxergar que o fim dos Beatles não significava o fim de sua carreira. Ela o lembrou de suas próprias qualidades como músico e compositor.

"Espere um minuto. Você é um dos maiores compositores do século 20, é um grande baixista e tem uma voz que as pessoas matariam para ter. Por que isso é um problema? Por que você não pode simplesmente seguir sua carreira por conta própria?", teria dito Linda ao marido, segundo o biógrafo.

Paul, no entanto, temia ser responsabilizado pela separação dos Beatles. O músico admitiu posteriormente que chegou a acreditar, ainda que parcialmente, que poderia carregar essa culpa. "Eu meio que acreditei nisso", reconheceu. "Embora soubesse que não era verdade, isso me afetou a ponto de me deixar inseguro".

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Linda continuou a incentivá-lo a seguir em frente. "Paul tem um lado artístico que não é muito racional, e eu gosto disso. A mente dele é incrível", disse ela. A dedicação de Linda e o talento de Paul ajudaram o músico a recuperar, aos poucos, a confiança.

A temporada na Escócia acabou servindo também como ponto de partida para uma nova fase artística. "Ele voltou daquela viagem com uma música e meia para começar seu primeiro álbum solo", contou Kozinn. Segundo o biógrafo, porém, foi somente quando já estava no meio da produção que Paul compôs Maybe I'm Amazed.

A canção se tornaria uma das mais conhecidas da carreira solo do ex-Beatle e, segundo o relato de Kozinn, marcou parte importante da retomada de Paul após o fim do grupo que havia definido sua trajetória até aquele momento.

A musicista, ativista e fotógrafa Linda McCartney morreu em 17 de abril de 1998, aos 56 anos, após lutar contra um câncer de mama.

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