Supla levou seu hino não oficial da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026 para o rádio americano. O cantor participou do programa do apresentador Jim Carr, na 104.3 FM, emissora de rock clássico de Nova York. A participação aconteceu nesta quarta-feira, 24, dia do confronto entre Brasil e Escócia, e teve como mote a apresentação da faixa "Champs", lançada em maio, com pegada punk e a participação especial de Bernard Rhodes, histórico empresário do The Clash.
"Você criou um tipo de hino para o time brasileiro", disse o apresentador. "Criei mesmo", respondeu Supla, revelando que a música já acumula meio milhão de visualizações no YouTube. A faixa mistura português e inglês com uma proposta sonora que o próprio cantor batizou de "punkanova", uma fusão entre punk rock e bossa nova — ou, como ele mesmo já descreveu em outras ocasiões, "bossa furiosa". "Eu canto com uma atitude punk rock, mas depois entra o refrão, que é tipo bossa nova. É basicamente o que eu venho fazendo", explicou ao apresentador.
"Champs" nasceu da paixão declarada de Supla pelo futebol e por aquilo que ele chama de positividade. Na faixa, gravada com a banda Os Punks de Boutique, Bernard Rhodes abre a música com sua voz, em sotaque britânico, antes da entrada de uma levada intensa, seguida por um refrão grudento em inglês: "We got a good song to sing so we better bloody win". Em português, a letra celebra o histórico do futebol brasileiro — as cinco estrelas, os dribles, os craques — ao mesmo tempo em que lança um desafio bem-humorado aos adversários. "Mesmo sabendo que o Brasil não é o favorito, para mim não importa. O melhor e mais bonito futebol, na minha humilde opinião, é o do Brasil", afirmou o cantor por ocasião do lançamento do single.
Na rádio americana, Supla fez questão de contextualizar historicamente a importância da bossa nova como exportação cultural brasileira de alcance global. "A bossa nova veio do Brasil e conquistou o mundo, em 1962", lembrou, traçando uma linha direta entre o gênero e a música pop ocidental que viria depois. O cantor reforçou o argumento citando um exemplo conhecido do rock americano: a batida de "Break On Through (To the Other Side)", dos The Doors, que carrega justamente essa influência rítmica vinda da bossa nova.
A participação reforça o momento de Supla em 2026, ano que também marcou o lançamento do álbum Nada Foi em Vão, celebrando os 40 anos de carreira do artista, e mostra como "Champs" segue ganhando repercussão internacional semanas após o lançamento.