"Sempre enxerguei a Anitta como uma pomba gira encarnada", diz Los Brasileros sobre produção de "Meia Noite" (ENTREVISTA)

Faixa que obteve a maior estreia do álbum "EQUILIBRIVM", "Meia Noite" tem produção assinada pelo trio Los Brasileros, parceiros de longa data de Anitta; eles também já trabalharam com Karol G, Ludmilla, Jão e vários outros artistas O post "Sempre enxerguei a Anitta como uma pomba gira encarnada", diz Los Brasileros sobre produção de "Meia Noite" (ENTREVISTA) apareceu primeiro em POPline.

23 abr 2026 - 19h35
(atualizado às 20h44)

O magnetismo de "Meia Noite" gerou curiosidade instantânea do público logo assim que Anitta a performou ao vivo pela primeira vez em um dos shows do último "Ensaios da Anitta". Não à toa, a faixa foi a mais reproduzida na estreia do novo álbum da cantora, o "EQUILIBRIVM", do qual faz parte. A música chegou a entrar na parada dos singles de maior estreia do Spotify Global da última semana, na 10ª posição.

Quem está por trás da produção de "Meia Noite" é um trio que não só conhece Anitta de longa data, como já assinou sucessos de eras passadas da artista - destaque para "Cobertor", "Me leva a sério" e "Rosa". É o Los Brasileros, formado por Dan Valbusa, Pedro Dash e Marcelinho Ferraz. Também adeptos de religiões de matriz africana - com exceção de Dan, que não segue nenhuma religião -, eles contaram ao POPline que essa identificação foi um diferencial na hora de produzir a música, que foi fruto de uma longa e profunda conversa com Anitta.

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"Ela mesma disse que faltava um funk no álbum — mas não qualquer funk. Queria algo com aquela pegada de macumbeiro, de ancestralidade, de referência às religiões de matriz africana", destacou Marcelinho, se referindo à cantora como "uma pomba gira encarnada". A entidade, comumente cultuada na Umbanda e Candomblé, representa o empoderamento feminino e vem como um eu lírico em "Meia Noite".

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A produção de "Meia Noite": criar um funk que fosse democrático, mas ao mesmo tempo simbólico e que incorporasse a vivência real dos terreiros

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Los Brasileros e Anitta já haviam entrado em estúdio antes com a missão de fazer um funk, encontros que renderam faixas como "Não perco meu tempo" e "Sem Freio", essa última em parceria com Livinho. Já aqui a proposta era outra: um funk que imprimisse a identidade do "EQUILIBRIVM", que trouxesse essa pegada da ancestralidade, da homenagem às religiões de matriz africana, do apelo cultural. "A prioridade pra gente foi respeitar isso sem forçar. A música tinha que respirar esse universo de forma orgânica, não como fantasia ou estética vazia", explicou Marcelinho.

"O que queríamos era criar algo que mantivesse os elementos e a força que o 'EQUILIBRIVM' e a ideia do 'macumbeats' trazem, ao mesmo tempo que os fãs da Anitta no geral pudessem curtir, dançar, sem necessariamente ter a responsabilidade de estar ouvindo uma música religiosa. A gente traz referências nas melodias, nos tambores, na letra, mas nada diretamente, e sim de uma forma democrática", contam Pedro e Dan ao POPline.

Outra prioridade durante o processo de produção, que acabou sendo incorporada à música de forma natural, foi trazer a vivência real e a sonoridade dos terreiros. "Um detalhe que pra mim é muito especial: os backing vocals do refrão foram gravados com as irmãs yabás que tocam a curimba no meu terreiro. São meninas que cresceram no terreiro, filhas de pai de santo — então aquele coral não é uma referência estética, é um coral de terreiro de verdade. Essa energia está na música", disse Marcelinho.

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O envolvimento ativo de Anitta no processo e o olhar da pomba gira

O trio relembra que o processo criativo por trás de "Meia Noite" ganhou vida através de um momento de conexão profunda com Anitta. "Eu e o Pedro fomos ao Rio, ela nos recebeu, a gente ouviu o disco e ficou horas conversando — sobre música, sobre espiritualidade, sobre a vida. Uma troca real, profunda. Deu pra sentir o quanto esse álbum é dela de verdade, de dentro pra fora. A energia em estúdio refletiu isso: mais madura, mais intencional, mais conectada", comenta Marcelinho.

Foto: Jhuan Martins
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No faixa a faixa que fez do "EQUILIBRIVM" às vésperas do lançamento do álbum, a cantora explicou que a premissa de "Meia Noite" era trazer o olhar da pomba gira narrando sua própria experiência na noite. "Que eu pudesse cantar no show como se fosse a própria pomba gira falando dela mesma, dessa força da energia feminina na noite, da mulher, do Exu mulher se colocando, se identificando", detalhou Anitta.

"Eu sempre enxerguei a Anitta como uma pomba gira encarnada. Não é à toa. O que ela representa — a força feminina, a mulher livre, a mulher que não abaixa a cabeça, que tem vontade própria, que é contraventora no melhor sentido da palavra — é exatamente o que a pomba gira traz. A pomba gira desperta o amor próprio. Quando você a conhece, quando você a recebe, você acessa esse amor de volta", reflete Marcelinho, explicando que "Meia Noite" não nasceu já com esse conceito definido.

Los Brasileros relembram que a artista mergulhou de cabeça no processo criativo da canção. "Começamos o som pelos tambores, pelo beat, chamamos a Jenni Mosello e o Fraga pra compor com a gente e tudo saiu muito rápido. Mandamos pra Anitta uma ideia inicial e ela adorou. Como já tava na correria do Carnaval, a partir daí fomos canetando juntos à distância, ela foi colocando a visão dela e juntos fechamos o som da melhor forma. Rolou uma dedicação de todos aos detalhes, ao mesmo tempo que foi rápido e leve", contam Pedro e Dan.

"E quando chegou a hora de mixar, foi uma corrida épica: ela chamou a gente num domingo de manhã, umas 10h, dizendo que ia tocar a música no ensaio do show naquele mesmo dia. Tive que cancelar compromisso de família e mixar em casa, rapidamente. No final, quando foi fechar a versão final, ela quis manter as vozes exatamente como estavam naquela pré — com todas as imperfeições. Porque passava mais emoção. E ela estava certa. Artista que sabe disso é artista de verdade", acrescentou Marcelinho.

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A identificação religiosa do Los Brasileros na hora de fazer "Meia Noite" ganhar vida

Anitta é praticante do Candomblé e, embora já tenha abordado o tema de forma explícita em trabalhos anteriores - como no videoclipe de "Aceita", faixa do álbum "Funk Generation" (2024) -, é no "EQUILIBRIVM" em que a religião pode ser notada em cada elemento das músicas.

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Do Los Brasileros, Marcelinho Ferraz tem ancestralidade umbandista e é praticante da religião. Pedro Dash é do Candomblé. Já Dan Valbusa simpatiza com traços dessas religiões, mas não segue nenhuma doutrina. Apesar das diferenças, os produtores compartilham da opinião de que a identificação religiosa foi crucial para o resultado que a música alcançou. "Acreditamos que 'Meia Noite' não existiria se esse não fosse o caso", disseram Pedro e Dan.

"Quando o assunto é pomba gira, não é teoria pra mim. É vivência. Isso moldou minha abordagem como mixer também. Busquei uma sonoridade que batesse forte e ficasse dançante — que funcionasse nos carros paredão e na pista — mas que também soasse fresh e pop para um mercado internacional. E ao mesmo tempo trouxesse a energia de terreiro: a magia, os tambores que fazem você tremer, a curimba que transmite ondas que curam, que levam o mal embora, que fazem o corpo mexer e entrar em transe. Como num terreiro de verdade. Prefiro sempre manter a emoção do que entregar algo limpo e frio. 'Meia Noite' tinha que ser as duas coisas ao mesmo tempo — e acho que chegou lá", pontua Marcelinho.

Pedro e Dan complementam: "A própria melodia da parte do coral na música veio na minha cabeça totalmente influenciada por pontos de Exu e pomba gira, que tem melodias mais melancólicas. O Dan, mesmo não sendo macumbeiro, já é muito influenciado pelos tambores e percussões que a gente traz frequentemente e foi ele que deu início ao beat com essa tamborzada braba, depois que eu falei pra ele 'o bagulho é MACUMBEATS!'".

Los Brasileros: gabaritando os maiores nomes do pop nacional até atravessar fronteiras

Sabe o que tem em comum entre sucessos como "Flores", de Vitão e Luísa Sonza, "Imaturo", de Jão, "ligações de alma", de Carol Biazin e Baco Exu do Blues, "Dona da Minha Vida", do Rouge e "País do Futebol", de MC Guimê e Emicida? É que todos eles passaram pelas mãos de Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash.

Anitta, Ivete Sangalo, Jão, Ludmilla, Luísa Sonza, DAY LIMNS, Carol Biazin, Vitão, IZA, Lulu Santos são apenas alguns dos muitos nomes de um rol estrelado que já passou pelos estúdios do trio, que de fato veio gabaritando a cena pop nacional mainstream no decorrer dos anos.

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O Brasil ficou pequeno para o trio de produtores, que começou a desbravar a cena internacional e alçar voos ainda mais altos. Eles se destacaram ao produzir a faixa "Mercúrio" para o álbum "Mañana Será Bonito", de Karol G, que venceu o Grammy Awards na categoria "Melhor Álbum de Música Urbana" em 2024. O grupo conquistou dois Latin GRAMMY no ano anterior, incluindo o de "Álbum do Ano", pelo mesmo projeto.

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No ano passado, o Los Brasileros lançou o projeto "Atlântico Sul", um EP que representa uma ponte sonora entre Brasil e África por meio do afrobeats, cruzando ritmos latinos e brasilidades.

Composto por quatro faixas — "Profundamente" (feat. Kevin o Chris & WIU), "Joga" (feat. Kurt Sutil, Z1nk & 7RD), "Sexy" (feat. Kafé) e "Devagar" (feat. Vitão & Franco, The Sir) —, o projeto mergulha em uma mistura de pop, trap, R&B e batidas afro-dançantes, onde cada participação traz um tempero próprio e reforça o tema da conexão transatlântica.

Para o trio de produtores, é super possível traçar um paralelo entre o crescimento deles e o de Anitta na indústria:

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"Quando a gente trabalhou com ela em 'Ritmo Perfeito', tanto ela quanto a gente estava no começo. Ela tinha acabado de aparecer pro Brasil, em plena evolução, e a gente também — começando a colocar nossas produções em trabalhos grandes, colocando nossos primeiros hits. Foi quase um ponto de partida em comum. De lá pra cá a gente foi crescendo junto, em paralelo. A gente rodou o mercado latino, trabalhou com grandes artistas, passou por Los Angeles, Miami, Nova Iorque, Japão, Europa — sempre com o intuito de levar a música brasileira pra fora com qualidade. Isso sempre foi o propósito do Los Brasileros. E a Anitta é, sem dúvida, a artista que mais faz isso também — que mais carrega a música brasileira pro mundo com força e identidade", destacam eles.

Eles completam: "O que une esses caminhos é a entrega e a busca constante. Ver ela hoje, como ela administra tudo — a carreira, a espiritualidade, os acordos, as pessoas — é impressionante. Ela é uma empresária, uma produtora, uma artista e um ser humano em constante desenvolvimento. A gente se reconhece nisso".

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