Oferecimento

Ronnie Wood fala à RS sobre show solo no Brasil, Rolling Stones e baixo

Guitarrista celebra 60 anos de carreira e 50 anos de Stones com apresentação única no país, a ser realizada no Espaço Unimed, em São Paulo, neste domingo, 1º

27 out 2026 - 07h11
Resumo
Aos 79 anos, Ronnie Wood celebra seis décadas de carreira com uma turnê solo que passará por São Paulo em 1º de novembro, no Espaço Unimed, acompanhado pela Ammo Band. Além de planejar um álbum ao vivo dessa passagem pela América do Sul, o guitarrista relembrou passagens marcantes pelo Jeff Beck Group e Faces. Wood também destacou a recente fase produtiva dos Rolling Stones no estúdio, impulsionada pelo produtor Andrew Watt, e manifestou o desejo de voltar a excursionar com a banda britânica.

Hoje com 79 anos, Ronnie Wood tem demonstrado enorme disposição em tempos recentes. Não apenas por ter lançado dois álbuns com os Rolling Stones — Hackney Diamonds (2023) e Foreign Tongues (2026) — como, também, pela reativação de sua carreira solo. O guitarrista celebra as seis décadas de trajetória com uma turnê que chega ao Brasil no próximo dia 1º de novembro, com show único no Espaço Unimed, em São Paulo. Ingressos à venda via Eventim.

Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, em 2026
Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, em 2026
Foto: Matthew Baker / Getty Images / Rolling Stone Brasil

Nesta apresentação, já levada à Europa ao longo dos últimos meses, Wood traz não apenas músicas dos Stones, como também composições de suas outras bandas, Jeff Beck Group e Faces, além da carreira solo. Ainda há espaço para releituras de releituras de Bob Dylan, Aretha Franklin, Willie Dixon e mais. São duas horas de performance, com Ronnie acompanhado de sua chamada Ammo Band e até mesmo de duas cantoras: Chanel Haynes e Imelda May.

Publicidade

À Rolling Stone Brasil, o guitarrista celebra, em tom de brincadeira, a rara oportunidade de capitanear um grupo — "sou o líder dessa banda, o que não acontece com muita frequência" — e adianta o plano de gravar as apresentações na América do Sul (Brasil, Argentina e Chlie) para lançar como álbum ao vivo. Também explica que a Ammo Band traz músicos com quem tocava na década de 1970: o baterista Andy Newmark e o baixista Willie Weeks, presentes em seu primeiro álbum solo, I've Got My Own Album to Do (1974).

"Eu nem sabia se Andy e Willie estavam vivos! Descobrir que estavam vivos e tocando é ainda melhor. Estão arrasando como nunca. Comecei esse projeto com eles, trouxe Johnny Lee Schell para me ajudar com a guitarra e tenho Andy Wallace, que é ótimo, nos teclados. Por fim, tenho a sorte de contar com Chanel Haynes e Imelda May nos vocais. Elas são muito talentosas e trazem sensualidade."

https://www.youtube.com/watch?v=LYJcya5SrLs&list=RDLYJcya5SrLs&start_radio=1&pp=ygUQcm9ubmllIHdvb2QgMjAyNqAHAdIHCQksDAGHKiGM7w%3D%3D

A menção a Andy Wallace poderia passar despercebida. Trata-se, porém, de um dos produtores e engenheiros de som mais conceituados da indústria musical. Trabalhou com nomes do porte de Nirvana, Prince, Linkin Park, Avenged Sevenfold, System of a Down, Jeff Buckley e os brasileiros do Sepultura. A história da música contemporânea passa pelas mãos do tecladista de Wood.

O baixista do Jeff Beck Group

A nível de importância, claro, Ronnie não fica atrás de Wallace. Após começar sua trajetória na banda de R&B The Birds, na década de 1960, ele se vinculou a ninguém menos que Jeff Beck, um dos guitarristas mais importantes da história. Assumiu o baixo e gravou dois álbuns seminais para o desenvolvimento da música pesada: Truth (1968) e Beck-Ola (1969). E isso com um instrumento que nem é o seu principal, mas já lhe rendeu elogios de Jimi Hendrix, Gene Simmons (Kiss), Stanley Clarke e Larry Graham (Sly & the Family Stone).

Publicidade

Sobre o período e a relação com o baixo, ele comenta:

"Quando entrei para o Jeff Beck Group, tocávamos com duas guitarras e tínhamos Dave Ambrose no baixo. Mas Jeff me perguntou se eu toparia o desafio de tocar baixo. Jimi Hendrix gostava do meu jeito de tocar baixo. Então aceitei e me adaptei muito bem. Isso me deu uma nova perspectiva. Quando voltei a tocar guitarra, estava muito mais consciente da seção rítmica e da estrutura. Ao longo da minha carreira, sempre aceitei tarefas um pouco acima da minha capacidade e pensei: 'quero encarar isso'."

https://www.youtube.com/watch?v=NRkCkepByQ8&list=RDNRkCkepByQ8&start_radio=1&pp=ygUWamVmZiBiZWNrIGdyb3VwIHNoYXBlc6AHAQ%3D%3D

O parceiro de Rod Stewart no Faces

É por aceitar desafios que, segundo Ronnie Wood, seu novo lançamento recebe o título Fearless (Destemido). A compilação dupla, lançada em 2025 e promovida na turnê atual, compila gravações de toda a sua carreira. Para além de Jeff Beck Group, Rolling Stones e carreira solo, há espaço no tracklist para o Faces, banda que integrou no início da década de 1970 junto de ninguém menos que Rod Stewart, com quem já havia trabalhado no projeto de Beck.

"Quando [o vocalista e guitarrista] Steve Marriott saiu [e a banda Small Faces virou apenas Faces], éramos influenciados por bandas funk, como Booker T. & the MGs e The Meters. Nossa seção rítmica era forte. Rod adicionou um toque de soul porque na época ele curtia Sam Cooke, Otis Redding e aqueles caras do blues gritado, além de gente como David Ruffin, do The Temptations."

Enquanto Wood está mais ativo do que nunca, Stewart está prestes a se aposentar. No fim de setembro, o cantor anunciou uma turnê de despedida. Convidado a se manifestar sobre a decisão do colega, o guitarrista declarou:

"Isso depende dele. Sei que ele teve algumas lesões jogando futebol ao longo dos anos e agora está mais velho [81 anos]. Ele está achando mais difícil se locomover e, para ser a igual ao que era, a velha chama está meio que se apagando um pouco, mas ainda existe na voz dele."

https://www.youtube.com/watch?v=Xwyyrq8Jb_U&list=RDXwyyrq8Jb_U&start_radio=1&pp=ygUSZmFjZXMgc3RheSB3aXRoIG1loAcB

Um dos mais longevos nos Rolling Stones

Ronnie Wood começou a trabalhar com os Rolling Stones em 1975, na vaga deixada por Mick Taylor e superando a concorrência de Jeff Beck e Rory Gallagher. A situação gerou diferenças com Rod Stewart de modo a encerrar o Faces. A relação do guitarrista com sua então nova banda havia começado ainda antes: os caminhos se cruzaram em diferentes projetos e sessões ao longo dos anos até que, em 1974, Wood colaborou com a criação e gravação de "It's Only Rock 'n Roll (But I Like It)", curiosamente a música que abre o repertório do show a ser realizado no Brasil.

Publicidade

Embora tenha chegado a uma banda consolidada e já com uma imensa galeria de hits, Ronnie viu e passou de tudo com os Rolling Stones. Altos e baixos. Períodos mais e menos produtivos. Brigas de toda situação entre Mick Jagger e Keith Richards. Ciente de que os Stones são sua atividade principal, Wood responde de forma simples o porquê de ter retomado sua carreira solo após mais de 16 anos sem shows completos: "Enquanto os Stones descansam, imaginei que deveria manter minhas mãos ocupadas. Adoro fazer isso e sei que Mick Jagger também".

https://www.youtube.com/watch?v=oT5LwwEHgnc&list=RDoT5LwwEHgnc&start_radio=1&pp=ygUWcm9sbGluZyBzdG9uZXMgZm9yZWlnbqAHAQ%3D%3D

Como citado, não apenas o guitarrista, como os Stones no geral estão mais prolíficos. Não em shows, pois não se apresentam ao vivo há mais de dois anos, mas em estúdio: eles não lançavam dois álbuns em três anos desde o fim da década de 1980. O culpado? Andrew Watt, produtor de Hackney Diamonds e Foreign Tongues, bem mais jovem que os membros do grupo com seus 36 anos de idade.

"Desde os tempos de Jimmy Miller eles não eram tão prolíficos quanto agora. Andrew Watt dizia: 'ok, pessoal, agora vamos gravar as músicas no estúdio'. Falava: 'você fica aqui de segunda a sexta, Ronnie, quero todas as suas guitarras prontas'. Eu concordava. Aí ele: 'Keith, quero suas guitarras prontas esta semana'. E o Keith respondia: 'Bem, talvez eu faça na semana que vem'. Ele rebatia: 'Não vai não, você fará isso esta semana, hoje mesmo, comece agora'. Bang! Ele nos dá o impulso necessário, o que é ótimo. É por isso que lançamos dois álbuns quase um após o outro."

E por que os Stones recorreram — e estão obedecendo — a um profissional tão jovem? Para além de sua experiência anterior gravando Ozzy Osbourne, Eddie Vedder, Miley Cyrus e Iggy Pop, Watt traz, de acordo com Wood, um domínio musical raro.

"Andrew Watt aprimorou nossa performance. Ele é muito criativo, toca instrumentos e até canta, então ele sabe do que está falando. O cara sabe do que está falando. Ele consegue se comunicar com a gente, os mais experientes. Tem a cabeça no lugar para um rapaz tão jovem. Sabe o que está fazendo."

Para Ronnie, Foreign Tongues é ainda melhor do que Hackney Diamonds por preservar a energia e o frescor de "rock ao vivo" enquanto mistura ideias completamente novas. "Mick estava praticamente bolando tudo ali do zero", comenta ele, que se mostra empolgado com o futuro. "Ano que vem ou em breve, adoraríamos tentar promover Foreign Tongues com uma turnê", diz o guitarrista. O entrave, conforme revelado em outras entrevistas, é Keith Richards, no momento avesso a excursões. Quem sabe Andrew Watt não manda Richards retornar aos palcos também…

Publicidade

*Ronnie Wood se apresenta com sua Ammo Band no Espaço Unimed, em São Paulo, no próximo dia 1º de novembro. Há ingressos à venda no site Eventim.

+++ LEIA MAIS: O guitarrista que recusou os Rolling Stones — e não se arrepende

+++ LEIA MAIS: 'Foreign Tongues' é mais um capítulo vencedor na carreira dos Rolling Stones

+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram

Rolling Stone Brasil
Fique por dentro das principais notícias de Entretenimento
Ativar notificações