Sepultura faz show-funeral potente e se despede do Rock in Rio sem clássico

Banda abriu o Palco Mundo com apresentação da turnê 'Celebrating Life Through Death', que marca fim do grupo, sem tocar faixas de 'Roots', álbum responsável por sucesso internacional

5 set 2026 - 18h50
Resumo
Em sua turnê de despedida, o Sepultura fez um show potente sob chuva para abrir o Palco Mundo no Rock in Rio. Celebrando a própria trajetória sem tom melancólico, o grupo reuniu um público expressivo e entusiasmado, apostando em faixas recentes do EP The Cloud of Unknowing e da fase com Derrick Green. A apresentação surpreendeu pela ausência de faixas do álbum Roots e do clássico Roots Bloody Roots. A maior banda brasileira de metal fará seu último show em novembro, no Pacaembu, em São Paulo.
Show da banda Sepultura no Palco Mundo, no Rock in Rio 2026
Show da banda Sepultura no Palco Mundo, no Rock in Rio 2026
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Nunca houve um funeral mais animado e potente do que o da banda Sepultura neste sábado, 5, no Rock in Rio. A banda abriu o Palco Mundo se despedindo do festival, que marcou sua trajetória, com um show digno da importância do grupo, mas sem músicas de Roots, álbum que alavancou seu sucesso internacional, e seu maior clássico, Roots Bloody Roots.

O show faz parte da turnê 'Celebrating Life Through Death' ('Celebrando a vida através da morte', em tradução livre), de despedida, que a banda já havia apresentado na versão portuguesa do Rock in Rio, em Lisboa. Em junho, o Sepultura subiu em um palco secundário, mas fez uma apresentação com muita precisão técnica e fúria old school.

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Sepultura fez, no Rio, um show digno da importância do grupo.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

No sábado, porém, era clara a quantidade de fãs fiéis brasileiros que se amontoaram com capas em uma chuva incômoda na Cidade do Rock. O público era considerável para o horário, sinal da importância do Sepultura, a maior banda brasileira de metal da história, e abriu rodas de mosh, ou "bate-cabeça", especialmente mais para o fim do show.

E parecia que a preocupação com a precisão técnica não estava tão presente. Não no sentido ruim - é inegável o talento de todos os integrantes, Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Greyson Nekrutman -, mas no modo como todos dividiram o protagonismo, confortáveis no palco.

Era nítida a vontade de levar o nome da turnê ao pé da letra. Longe de uma melancolia, o Sepultura tocou como se fosse a primeira vez da banda no festival e se aproveitou da potência monstruosa das caixas de som do Palco Mundo.

"É um dos melhores momentos da nossa carreira", disse Andreas, vestindo uma camiseta com uma caveira e os dizeres "funeral influencer", na metade do show. Em um momento poético, ao som de um berimbau, o guitarrista pintou uma tela cinza com raios solares amarelos.

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A setlist focou nas músicas do último EP do grupo, The Cloud of Unknowing, lançado depois do anúncio da "morte", ainda neste ano, e outras faixas lançadas já com a presença de Derrick no grupo. Claro que houve clássicos, mas alguns fãs podem ter ficado sem entender a falta de menção a Roots, presente no show da banda no Rock in Rio Lisboa.

Talvez seja até a forma com que a banda escolheu encarar a própria morte: a olhando de frente. Em Beyond The Dream, faixa tocada mais para o final, Derrick pode ter dado uma explicação: "Deixando tudo isso para trás para recomeçar. Não há expectativas", repete o vocalista no refrão.

O Sepultura se apresenta pela última vez em novembro, no Mercado Livre Arena Pacaembu. O Rock in Rio segue com seu "dia do metal" no sábado e a banda Avenged Sevenfold como headliner.

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