Durante um show nos EUA, o guitarrista Carlos Santana gerou polêmica ao afirmar, sem base científica, que ressentimentos causam câncer e que o perdão previne a doença. A fala repercutiu negativamente na internet por atribuir a culpa do diagnóstico aos próprios pacientes. A declaração controversa se soma a outros episódios recentes envolvendo o músico, que já deu declarações polêmicas sobre temas como identidade de gênero, vacinas e o uso de psicodélicos.
Carlos Santana é um dos maiores guitarristas da história do rock, responsável por sucessos desde os anos 1960. Entretanto, o músico está em evidência novamente por ter dito algo questionável.
Durante um show na última segunda-feira, 24, em Red Rocks, no estado americano do Colorado (via Consequence), Santana aproveitou uma pausa para dar conselhos de vida à plateia com relação a não guardar mágoas e ressentimentos dentro de si. O problema é que ele expressou de tal jeito a ponto de apontar isso como causa de câncer:
"Se você quiser se certificar que nunca terá câncer na vida, é importante lembrar isso. Ressentimentos causam câncer… Então, é importante perdoar e largar essas coisas. Deixa pra trás. Faça isso e você ficará limpo. Te prometo, você estará limpo."
O guitarrista ainda compartilhou uma anedota de algo dito por um suposto médico:
"Um especialista em câncer me falou que nunca conheceu alguém que tinha câncer e não tinha ressentimentos."
A plateia em Red Rocks aplaudiu o comentário do músico. No entanto, alguns internautas logo expressaram sua insatisfação com a declaração (via Reddit), uma vez que coloca o ônus do diagnóstico de câncer no paciente e sua capacidade de perdoar pessoas.
Pesquisas médicas já encontraram possíveis indicadores genéticos e causas para diversas variantes da doença. Todavia, a hipótese de Carlos Santana não tem embasamento científico.
Ato falho
Não é a primeira vez que Carlos Santana fala algo interpretado pelo público como estranho em tempos recentes. Em entrevista de 2025 à Guitar World, o músico fez um discurso apaixonado sobre tocar com sentimento, algo que ele comparou a esguichar água na cara de alguém:
"Se você não sabe como esguichar, tudo fica contido demais e pode ficar chato depois de um tempo. Eu gosto de ser esguichando na cara por música porque isso me faz sentir vivo. O objetivo de todo guitarrista, qualquer que seja seu estilo - seja funk, flamenco ou heavy metal - é fazer o ouvinte se sentir vivo. Um bom solo de guitarra deveria soar como um orgasmo."
O problema é que o termo usado por ele para esguichada - "squirt" no original - possui uma conotação de cunho sexual no idioma inglês. A menção ao orgasmo logo depois só reforçou esse duplo sentido para leitores.
Já em 2023, o artista fez um discurso transfóbico durante uma apresentação. Ele, que se retratou posteriormente, havia dito.
"Quando Deus criou você e eu, antes de sairmos do útero, você sabe quem você é e o que você é. Mais tarde, quando você supera isso, você vê coisas e começa a acreditar que poderia ser algo que parece bom, mas você sabe que não está certo. Porque mulher é mulher e homem é homem. É isso. O que quer que você queira fazer no armário, isso é problema seu. Estou bem com isso."
Em comunicado, se desculpou da seguinte maneira:
"Peço desculpas pelos meus comentários insensíveis. Eles não mostram que eu quero honrar e respeitar os ideais e crenças de todo mundo. Percebo que o que eu disse magoou as pessoas e essa não era a minha intenção. Peço sinceras desculpas à comunidade trans e a todos que ofendi."
No ano de 2021, em meio à pandemia de covid-19, o guitarrista declarou ao jornal O Globo ter se vacinado somente para poder visitar seu neto. Entretanto, garantiu não ser antivacina.
"Não estou aqui para dizer o que as pessoas têm que fazer. Este é o planeta da boa vontade. Sou como o vento e a água, também não quero que ninguém me diga o que tenho que fazer. Não tenho seguido esses estudos. Apenas fiz e continuo fazendo uso dos psicodélicos. A única doença mental que existe vem de se investir emocionalmente no medo. Quando você ingere uma substância psicodélica sob acompanhamento, você fica mais iluminado, porque tirou a máscara e aí pode revelar-se a si mesmo. O que existe de real são três coisas: luz, espírito e alma. E com os psicodélicos você descobre que eles nunca mudam, que você não pode se enganar quanto a eles. Por isso recomendo a todos o uso dos psicodélicos, sob supervisão."