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Stray Kids: Conheça a História do Headliner de K-pop do Rock in Rio

Grupo sul-coreano será headliner do Palco Mundo em 11 de setembro, depois de bater recordes de público, vendas e turnês

30 ago 2026 - 21h05
Resumo
O Stray Kids fará história como o primeiro headliner de K-pop do Rock in Rio 2026, consolidando seu sucesso após reunir 175 mil pessoas no Brasil em 2025 e esgotar a Cidade do Rock. Diferenciando-se pelo controle criativo e produções autorais do trio 3RACHA, o octeto superou crises e polêmicas para construir uma identidade sonora marcante. Com recordes expressivos na Billboard e turnês mundiais milionárias, o grupo sobe ao Palco Mundo em uma nova fase criativa com o álbum THIS & THAT.

Stray Kids chega ao Rock in Rio 2026 em uma situação bem diferente daquela vivida quando Bang Chan reuniu um grupo de trainees diante das câmeras da JYP Entertainment em 2017. Em 11 de setembro, os oito integrantes encerram o Palco Mundo às 0h05, depois de Alok, Hwasa e NEXZ, tornando-se o primeiro headliner de K-pop da história do festival. A procura foi suficiente para esgotar aquele dia da Cidade do Rock em julho.

O impacto fica ainda maior quando se olha apenas dois anos para trás. Em abril de 2025, o grupo fez sua primeira passagem pelo Brasil e reuniu aproximadamente 175 mil pessoas: 55 mil no Estádio Nilton Santos, no Rio, e 120 mil em duas noites no MorumBIS, em São Paulo. Naquele momento, tornou-se a maior turnê de K-pop já realizada no país em público acumulado.

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Seria fácil resumir tudo como mais uma história de K-pop globalizado. O Stray Kids possui, porém, uma característica que ajuda a explicar por que chegou tão longe sem perder uma identidade sonora facilmente reconhecível: uma parcela enorme da música nasce dentro do próprio grupo.

Bang Chan, Changbin e Han formam o 3RACHA, núcleo responsável por composição, produção e boa parte da arquitetura musical do Stray Kids desde antes do debut. Outros integrantes também aparecem constantemente nos créditos. Em uma indústria na qual a participação criativa dos idols varia bastante de projeto para projeto, essa continuidade deu ao grupo uma vantagem incomum: eles tiveram tempo para errar, exagerar, refinar ideias e construir uma linguagem que pertence ao próprio catálogo. A JYP já destacava essa característica oficialmente desde os primeiros lançamentos.

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Antes do Stray Kids, Existia o 3RACHA e Um Líder Que Esperou Sete Anos

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

A história começa especialmente com Bang Chan. Nascido na Coreia do Sul e criado em Sydney, na Austrália, Christopher Bang passou em uma audição global da JYP em 2010, aos 13 anos, e retornou à Coreia para treinar. Foram cerca de sete anos esperando a estreia enquanto artistas como GOT7, DAY6 e TWICE surgiam dentro da mesma empresa.

Durante esse período, aproximou-se de Changbin e Han. Os três começaram a produzir juntos sob o nome 3RACHA e publicaram mixtapes antes mesmo de existir oficialmente um Stray Kids. Aquela experiência definiu uma característica que permaneceria depois da estreia: rap agressivo, mudanças bruscas de estrutura, eletrônica pesada, trocadilhos, refrões pensados para performance e letras frequentemente ligadas a identidade, ansiedade, ambição e pressão.

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Em 2017, a JYP e a Mnet transformaram a formação do novo grupo em um programa de sobrevivência chamado "Stray Kids". A dinâmica possuía uma diferença importante em relação a outros realities competitivos: em vez de montar um grupo totalmente por votação, o programa acompanhava uma formação que Bang Chan havia ajudado a reunir tentando provar que poderia estrear junta.

A experiência quase desmontou essa ideia. Lee Know e Felix chegaram a ser eliminados durante o programa, retornando posteriormente para a formação final. Em março de 2018, o grupo estreou oficialmente com nove integrantes e o EP "I Am NOT".

O nome também carregava a declaração de intenção. "Stray Kids" sugeria jovens procurando um caminho próprio fora das expectativas impostas ao redor deles. Os primeiros projetos seguiram exatamente essa linha: "I Am NOT", "I Am WHO" e "I Am YOU" funcionavam quase como capítulos de uma crise de identidade. O sucesso internacional ainda estava distante. O que já existia era personalidade.

Quem São os Oito Integrantes do Stray Kids?

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

A formação atual reúne personalidades bastante diferentes, algo que o grupo soube transformar em vantagem tanto no estúdio quanto no palco.

Bang Chan é líder, produtor, compositor e integrante do 3RACHA. A criação australiana facilita sua comunicação internacional e seu papel como porta-voz em entrevistas em inglês. Durante anos, também manteve as transmissões "Chan's Room", aproximando fãs do processo musical e de sua personalidade.

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Lee Know, nascido Lee Min-ho, chegou ao grupo com grande experiência em dança. Antes da estreia, trabalhou profissionalmente como dançarino e chegou a participar como dancer em apresentações do BTS. Dentro do Stray Kids, tornou-se uma das principais referências de performance, conhecido pelo controle corporal e por um humor seco que contrasta bastante com sua imagem em cena.

Changbin integra o 3RACHA e possui uma das identidades mais reconhecíveis do grupo no rap. Seu flow rápido, a dicção agressiva e o timbre grave são fundamentais para a intensidade de faixas como "God's Menu" e "Thunderous".

Hyunjin ocupa uma posição central nas performances e desenvolveu ao longo dos anos uma imagem fortemente ligada à dança e à moda. É um dos integrantes que mais chamam atenção visualmente, mas sua evolução se tornou especialmente perceptível quando começou a usar interpretação corporal como extensão da música, em vez de depender somente de coreografias sincronizadas.

Han, o terceiro integrante do 3RACHA, talvez seja o membro mais difícil de reduzir a uma única função. É rapper, compositor, produtor e vocalista, alternando flows rápidos com linhas melódicas e alcançando regiões vocais que surpreendem quem o conhece primeiro pelo rap.

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Felix, também criado na Austrália, possui um dos contrastes mais eficientes do grupo. Sua aparência e comportamento normalmente suaves entram em choque com uma voz extremamente grave que se tornou elemento dramático recorrente nas músicas. Basta lembrar a entrada em "God's Menu" para entender o quanto um único timbre pode virar assinatura.

Seungmin ocupa espaço importante na linha vocal e costuma oferecer maior estabilidade melódica quando os arranjos começam a ficar mais densos. Sua voz ajuda a equilibrar músicas em que rap, sintetizadores e percussão competem por atenção.

I.N, o mais novo, entrou no grupo ainda adolescente. A evolução vocal ao longo dos anos acompanha o amadurecimento coletivo do Stray Kids e sua passagem de uma imagem juvenil para artistas que hoje comandam estádios.

A vida amorosa dos integrantes permanece amplamente fora do discurso público do grupo. Existem incontáveis rumores de fandom, praticamente inevitáveis dentro do K-pop, mas especulação sobre namoro não vira informação jornalística só porque acumulou curtidas em redes sociais. O que aparece de maneira mais concreta em entrevistas é a convivência entre os membros, as famílias, o trabalho e uma rotina profissional que começou muito cedo para todos eles.

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"God's Menu" Foi o Momento em Que o Stray Kids Parou de Procurar Sua Identidade

Vídeo: Reprodução/Youtube (@JYPEnterteinment)

Os primeiros anos entregaram faixas importantes como "Hellevator", "District 9", "My Pace" e "MIROH". Essa última trouxe a primeira vitória do grupo em um programa musical sul-coreano em 2019 e já mostrava parte da energia que se tornaria marca de seus shows. Ainda faltava uma música capaz de apresentar Stray Kids em poucos segundos. Ela chegou em 2020.

"God's Menu", faixa de "GO LIVE", mistura percussão agressiva, rap, efeitos eletrônicos e um refrão construído como declaração culinária: eles estavam preparando algo que ninguém mais servia daquela maneira. O conceito poderia cair facilmente na caricatura, mas a produção transformou a metáfora em estética, coreografia e linguagem.

A música permanece como a faixa mais reproduzida do grupo no Spotify, atualmente com mais de 543 milhões de streams, enquanto o videoclipe já ultrapassou 570 milhões de visualizações no YouTube.

A partir dali, vieram "Back Door", "Thunderous", "MANIAC", "CASE 143", "S-Class", "LALALALA" e "Chk Chk Boom". Cada uma preserva elementos reconhecíveis, mas existe uma disposição contínua para deformar a fórmula anterior.

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Esse é um dos motivos pelos quais a expressão "noise music" passou a acompanhar o grupo entre fãs e críticos. O Stray Kids transformou em identidade aquilo que inicialmente servia como crítica ao excesso de camadas, batidas e mudanças. O melhor trabalho deles costuma surgir quando essa abundância possui direção. Quando todos os elementos parecem competir apenas para aumentar a intensidade, algumas músicas ficam mais cansativas do que provocadoras. A discografia cresce justamente porque o grupo também aprendeu a trabalhar pausas, melodias e espaços.

"MANIAC" é um ótimo exemplo desse amadurecimento. O arranjo continua estranho e teatral, mas utiliza silêncio, graves e pequenas quebras com maior precisão. "Chk Chk Boom" segue outro caminho e encontra uma produção mais econômica, quase minimalista diante dos padrões do próprio grupo, sem perder impacto.

A Saída de Woojin e as Polêmicas Que Também Marcaram a História

Vídeo: Reprodução/Youtube (@StrayKids)

A trajetória teve momentos difíceis. Em outubro de 2019, Woojin, então integrante do grupo, deixou o Stray Kids e encerrou seu contrato com a JYP. A empresa citou "circunstâncias pessoais" e adiou o lançamento de "Clé: Levanter". Nenhuma explicação oficial mais específica foi divulgada naquele momento, então teorias posteriores continuam sendo exatamente isso: teorias.

Em 2021, Hyunjin enfrentou acusações relacionadas a comportamentos inadequados e agressões verbais durante o período escolar. A JYP afirmou ter ouvido ex-colegas, professores e pessoas envolvidas, reconhecendo dificuldades para confirmar integralmente versões conflitantes, mas informou que existiam pessoas feridas por atitudes imaturas do artista. Hyunjin encontrou alguns dos envolvidos, publicou um pedido de desculpas e entrou em hiato durante aproximadamente quatro meses antes de retornar às atividades.

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No mesmo ano, Han pediu desculpas após ressurgirem letras escritas quando tinha cerca de 13 anos contendo termos racistas e ofensivos. Ele assumiu responsabilidade pelo conteúdo e afirmou não haver justificativa para o que havia escrito.

Em 2023, Bang Chan também precisou se desculpar depois que comentários feitos numa transmissão sobre artistas mais jovens não responderem cumprimentos levaram fãs a especular sobre quem seria o alvo. Ele esclareceu que não pretendia identificar nenhum artista específico e reconheceu o impacto de suas palavras.

Esses episódios fazem parte da história do grupo e merecem contexto justamente porque fandom não deveria funcionar como departamento de relações públicas. A dimensão alcançada pelo Stray Kids não apaga erros cometidos pelos integrantes, assim como uma polêmica isolada também não explica uma carreira de oito anos.

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3RACHA É o Principal Diferencial, Mas o Stray Kids Vai Muito Além de Três Produtores

A participação do 3RACHA na discografia costuma ser apontada como o grande diferencial do grupo, e com razão. Bang Chan, Changbin e Han acumulam créditos em praticamente todas as fases relevantes do catálogo.

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A vantagem dessa estrutura aparece na continuidade. Quando "Thunderous" responde aos críticos com instrumentos tradicionais coreanos inseridos dentro de uma produção contemporânea, existe uma conexão direta com discussões anteriores sobre identidade. Quando "S-Class" muda de andamento e gênero dentro da mesma faixa, a escolha parece parte de uma linguagem desenvolvida ao longo de anos. Quando "LALALALA" mistura rock, hip-hop e eletrônica, aquela agressividade já possui antecedentes dentro da própria discografia.

Os outros cinco integrantes ampliam esse repertório. Projetos como SKZ-RECORD, SKZ-PLAYER e SKZ-REPLAY deram espaço para unidades, solos e composições particulares. O resultado é um grupo em que a distribuição de funções continua existindo, como é comum no K-pop, mas se tornou menos rígida conforme todos amadureceram.

Esse modelo também favorece a sensação de proximidade com o público. STAY acompanha demos, letras, vídeos de bastidores, unidades e referências recorrentes que transformam cada comeback em continuação de uma história criativa maior. A devoção do fandom nasce daí tanto quanto da imagem dos integrantes.

De BTS às Comparações Com Outros Grupos: Por Que Colocar Todo Mundo na Mesma Corrida Faz Pouco Sentido

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

O tamanho alcançado pelo Stray Kids inevitavelmente trouxe comparações com BTS, especialmente depois que o octeto começou a quebrar recordes nos Estados Unidos. O paralelo ajuda a medir escala, mas pouco explica artisticamente.

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BTS abriu caminhos fundamentais para que grupos sul-coreanos alcançassem um espaço que antes parecia quase inacessível no mercado ocidental. O impacto cultural, comercial e institucional desse movimento mudou a posição do K-pop no mundo.

Stray Kids surgiu em outra fase dessa história e encontrou um caminho próprio dentro da expansão já existente. Em agosto de 2026, "THIS & THAT" tornou-se o nono lançamento consecutivo do grupo a estrear em primeiro lugar na Billboard 200. Foram 369 mil unidades equivalentes na primeira semana nos Estados Unidos, a maior estreia da carreira. Com o resultado, o Stray Kids ampliou o recorde de grupo com mais álbuns número 1 na parada neste século e empatou com os Rolling Stones na segunda posição histórica entre grupos, atrás dos Beatles.

A comparação mais interessante talvez esteja no tipo de carreira construída. BTS se tornou um fenômeno de proporções difíceis de reproduzir seguindo uma evolução própria de hip-hop, pop, R&B e discurso social. Stray Kids construiu sua força a partir de uma sonoridade mais agressiva, da autoria constante e de uma estética que frequentemente prefere provocar antes de agradar de imediato. São trajetórias diferentes dentro da mesma transformação cultural.

De 3 Mil Pessoas em Berlim a 1,3 Milhão de Ingressos em Uma Turnê

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

Talvez nenhum número demonstre melhor a ascensão do grupo que o tamanho dos shows. Em 2019, uma apresentação em Berlim vendeu aproximadamente 3.435 ingressos. Em 2025, a etapa europeia da dominATE World Tour passou por estádios e registrou média próxima de 48,9 mil pessoas por show.

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A turnê terminou entre as maiores do mundo. Segundo dados da Billboard Boxscore, 31 apresentações contabilizadas movimentaram aproximadamente US$ 185,7 milhões e venderam cerca de 1,3 milhão de ingressos. Na América Latina, foram 361 mil tickets; na América do Norte, 491 mil; na Europa, 391 mil.

O Brasil ocupou posição importante nessa expansão. A primeira data em São Paulo, no MorumBIS, vendeu mais de 66 mil ingressos em poucas horas e ganhou uma segunda noite. Quando a passagem terminou, os três shows brasileiros haviam reunido cerca de 175 mil pessoas.

Isso também ajuda a entender por que o Rock in Rio colocou o Stray Kids diretamente no topo do Palco Mundo em sua estreia. Eles já haviam provado que o público existia.

Deadpool, Charlie Puth, LiSA e Uma Expansão Que Vai Além do K-pop

Vídeo: Reprodução/Youtube (@StrayKids)

A internacionalização também aparece nas colaborações. "Social Path", com a japonesa LiSA, aproximou duas forças enormes da música asiática dentro de uma faixa sobre sacrifício e escolhas profissionais. O tema possui relação curiosa com a própria trajetória dos integrantes, especialmente os anos de treinamento e a distância familiar vivida por Bang Chan e Felix.

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Em 2024, Charlie Puth participou de "Lose My Breath", produção muito mais próxima de pop e R&B dos anos 1990. A faixa chegou à Billboard Hot 100 e mostrou um Stray Kids disposto a reduzir parte da agressividade habitual para trabalhar harmonia e vocais.

Também existe uma conexão particularmente divertida com Ryan Reynolds e Hugh Jackman. A aproximação começou depois que o grupo realizou uma performance inspirada em Deadpool durante o reality Kingdom: Legendary War. Reynolds respondeu publicamente e começou uma amizade virtual com Bang Chan. Anos depois, os dois atores apareceram no clipe de "Chk Chk Boom", enquanto Stray Kids entrou no universo relacionado ao filme "Deadpool & Wolverine" com "Slash".

Para "Arcane", o grupo participou de "Come Play" ao lado de Young Miko e Tom Morello, levando a linguagem do 3RACHA para outro tipo de universo audiovisual.

Cada parceria funciona melhor quando existe troca real. Quando o convidado entra apenas para ampliar mercado, o resultado tende a parecer cálculo. E o Stray Kids possui material suficiente para não depender desse mecanismo.

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Moda, Personalidade e o Fandom Que Transformou STAY em Parte da Marca

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

O crescimento levou os integrantes para muito além da música. Em 2024, os oito compareceram juntos ao Met Gala usando Tommy Hilfiger, tornando-se o primeiro grupo completo de K-pop a comparecer ao evento vestido pelo mesmo designer. Felix estabeleceu uma relação forte com a Louis Vuitton; Hyunjin se aproximou da Versace; I.N entrou no circuito de Bottega Veneta; Bang Chan tornou-se embaixador da Fendi; Lee Know passou a trabalhar com Gucci.

Existe lógica comercial evidente nisso, mas também uma extensão da maneira como o K-pop trabalha identidade individual dentro de grupos numerosos. Um STAY dificilmente acompanha somente "o Stray Kids". Existe o bias, a unit favorita, as diferenças entre os integrantes e uma quantidade quase infinita de conteúdo que transforma personalidades em parte da experiência.

A própria relação com os fãs virou música. Em março de 2026, no oitavo aniversário do debut, o grupo lançou "STAY", balada escrita por Han e Seungmin dedicada ao fandom.

Essa proximidade ajuda a explicar uma base capaz de comprar múltiplas versões físicas de um mesmo álbum, viajar para shows e manter campanhas globais de votação e streaming. Também existe um lado comercial bastante calculado nesse ecossistema: photocards aleatórios, versões diferentes de CDs, itens colecionáveis e exclusividades de varejo participam diretamente dos números de vendas. O próprio "THIS & THAT" chegou ao mercado americano com várias configurações físicas e digitais.

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A relação entre afeto e consumo faz parte do K-pop contemporâneo e merece ser observada sem cinismo nem romantização.

THIS & THAT Coloca o Rock in Rio no Meio de Uma Nova Era

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

O Stray Kids não chega ao Rio sustentado apenas por sucessos antigos. Em junho de 2026, lançou "RUN IT", faixa produzida pelo 3RACHA que abriu uma nova fase e antecipou uma turnê mundial de mesmo nome. Em 7 de agosto veio "THIS & THAT", projeto com oito faixas lançado pouco mais de um mês antes do Rock in Rio.

O álbum deu ao grupo seu nono número 1 na Billboard 200 e registrou a melhor semana comercial da carreira nos Estados Unidos, o que eleva ainda mais a expectativa sobre o show.

O público brasileiro viu a dominATE em abril de 2025. O Rock in Rio recebe um Stray Kids já envolvido em outro ciclo criativo, com músicas recentes suficientes para alterar o repertório e evitar que a apresentação pareça apenas uma versão comprimida da turnê anterior.

O grupo também conhece melhor o tamanho da própria base brasileira. Dados da Deezer após os shows de 2025 mostraram forte presença de ouvintes entre 18 e 45 anos, desconstruindo a ideia de que o fandom local seria formado quase exclusivamente por adolescentes.

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TOP 10: As Músicas Mais Empolgantes Para Entender Stray Kids Antes do Rock in Rio

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

Esta lista é editorial, construída pensando em energia, importância dentro da carreira e potência ao vivo. Não representa um ranking oficial de streams - embora várias estejam entre as faixas mais ouvidas do grupo.

1. "God's Menu"

O cartão de visitas definitivo. A produção parece construída para apresentar cada integrante rapidamente: rap, voz grave de Felix, refrão agressivo e coreografia instantaneamente identificável. Mais de seis anos depois, continua sendo a música mais reproduzida do grupo no Spotify.

2. "MIROH"

Uma das faixas que melhor capturam a sensação de avanço dos primeiros anos. Eletrônica, canto coletivo e uma construção de refrão perfeita para multidões. Também marcou a primeira vitória do Stray Kids em um programa musical coreano.

3. "Thunderous"

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Mistura instrumentos e referências coreanas com hip-hop e produção eletrônica. É uma resposta musical aos críticos do estilo do grupo e talvez uma das melhores demonstrações de como transformar provocação em conceito.

4. "MANIAC"

Menos congestionada que alguns trabalhos anteriores e extremamente eficiente no controle de tensão. O drop, a coreografia e o grave fazem dela uma das músicas mais fortes para arena. É atualmente a segunda faixa do grupo em streams no Spotify.

Vídeo: Reprodução/Youtube (@StrayKids)

5. "Back Door"

Depois do impacto de "God's Menu", seria fácil repetir a fórmula. "Back Door" escolheu funk, hip-hop e uma coreografia cheia de pequenos detalhes. Continua entre os videoclipes mais assistidos da carreira.

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6. "S-Class"

É Stray Kids recusando qualquer obrigação de fazer uma música linear. A faixa muda de direção várias vezes e transforma essa instabilidade em graça. Pode dividir quem prefere estruturas convencionais, mas representa perfeitamente o gosto do grupo por excesso calculado.

7. "LALALALA"

Tem peso de rock, rap e refrão feito para multidão. A música deu ao grupo sua primeira entrada na Billboard Hot 100 e chegou ao Top 10 da Billboard Global 200.

8. "Chk Chk Boom"

Um dos trabalhos mais acessíveis do Stray Kids sem diluir personalidade. A produção é mais seca, o ritmo possui influência latina e o refrão entra rápido. Tornou-se a primeira faixa do grupo a chegar ao Top 50 da Hot 100 e foi a música mais ouvida pelos fãs brasileiros na Deezer em 2025.

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9. "MEGAVERSE"

Começa como se estivesse anunciando um filme de ação e praticamente mantém essa energia até o fim. É uma boa introdução ao lado mais teatral da produção do 3RACHA e funciona especialmente bem em grandes palcos.

10. "RUN IT"

A entrada mais recente da lista. Lançada em junho de 2026, foi construída com metais e percussão de proporções deliberadamente grandes. Chega ao Rock in Rio com a vantagem de representar o Stray Kids atual, já pensando sua música para estádios.

Por Que Stray Kids Gera Uma Devoção Tão Grande?

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

Existe performance. Existe beleza. Existe a máquina industrial do K-pop, com conteúdo constante, colecionáveis, redes sociais, realities, coreografias e um planejamento de carreira extremamente sofisticado.

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Tudo isso também existe em outros grupos. O que sustenta Stray Kids por oito anos está na combinação entre essa estrutura e uma autoria reconhecível. Os integrantes cresceram enquanto escreviam sobre crescer. As inseguranças de "My Pace" deram lugar à confiança quase insolente de "God's Menu". Depois vieram músicas cada vez mais interessadas em celebrar diferença, ambição e uma identidade que já não precisava pedir validação.

Essa evolução também explica por que a banda consegue conservar fãs que já deixaram a adolescência. Há um arquivo emocional ali. Quem conheceu os integrantes discutindo medo de ficar para trás hoje vê os mesmos artistas liderando turnês que ultrapassam US$ 180 milhões.

A ligação com os STAYs possui ainda uma dimensão de participação. O público acompanhou Bang Chan esperando o debut, Lee Know e Felix sendo eliminados e recuperados, a saída de Woojin, períodos de hiato, primeiras vitórias, primeiras turnês, Billboard, Met Gala e, finalmente, estádios. Esse acúmulo produz uma sensação de história compartilhada muito forte.

O Rock in Rio É Uma Chegada Que Parece Começo

Imagem: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial)
Foto: Divulgação/Stray Kids/JYP (Via Site Oficial) / Woo! Magazine

Quando o Stray Kids subir ao Palco Mundo em 11 de setembro, o K-pop fará algo que parecia improvável em boa parte da história do Rock in Rio: encerrará uma noite inteira do maior palco do festival.

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O dia foi construído deliberadamente em torno da música asiática e da cultura pop contemporânea, com NEXZ e Hwasa antes do grupo. O ingresso já está esgotado.

Existe peso histórico nisso, mas o show também chega depois que o Stray Kids já provou sua força no país. Os 175 mil brasileiros de 2025 retiraram qualquer dúvida sobre demanda. O Rock in Rio entrega outra coisa: uma vitrine cultural capaz de apresentar o grupo a gente que talvez conheça K-pop apenas pelos maiores nomes ou por refrões encontrados nas redes.

O Stray Kids cresceu diante de pessoas que primeiro estranharam sua música e depois perceberam que o desconforto fazia parte da diversão. A própria carreira foi construída convertendo características consideradas excessivas em assinatura, membros inicialmente vistos através de funções rígidas em compositores e performers multifacetados e uma base asiática em público de estádio nos cinco continentes.

Em 2017, oito garotos precisavam convencer uma empresa de que deveriam estrear juntos. Em setembro de 2026, eles precisarão convencer uma Cidade do Rock inteira a acompanhar o ritmo. A primeira batalha parece ter sido bem mais difícil.

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Publicado originalmente na Woo! Magazine.

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