Reino Unido anuncia redução de impostos para pubs e casas de shows em nova medida para o setor cultural

Governo de Andy Burnham prevê corte de 20% nas taxas cobradas de pubs, clubes e espaços de música ao vivo na Inglaterra a partir de 2027

23 jul 2026 - 13h07

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, anunciou nesta quinta, 23, um corte de 20% nas chamadas taxas comerciais (imposto cobrado sobre imóveis comerciais) para pubs, clubes sociais e casas de shows na Inglaterra. A redução passa a valer a partir de abril de 2027 e integra um pacote de medidas voltado a aliviar os custos das empresas e estimular a economia nos primeiros dias do novo governo.

Andy Burnham faz seu discurso inaugural como novo primeiro
Andy Burnham faz seu discurso inaugural como novo primeiro
Foto: ministro do Reino Unido, em julho de 2026 ( Dan Kitwood/Getty Images) / Rolling Stone Brasil

Segundo o governo britânico, a iniciativa beneficiará cerca de 32 mil estabelecimentos e poderá representar uma economia média de aproximadamente £ 1.100 por ano para cada pub. O desconto, no entanto, não será aplicado às maiores casas de shows do país nem a outros segmentos da hospitalidade, como restaurantes, cafés e hotéis, o que gerou críticas de representantes do setor e da oposição.

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Ao anunciar a medida, Burnham afirmou que pubs, clubes e espaços dedicados à música ao vivo são parte importante da vida comunitária britânica e precisam de apoio diante do aumento de custos enfrentado nos últimos anos. O premiê classificou o corte como um "primeiro passo" e disse que pretende revisar benefícios fiscais concedidos a negócios considerados de menor impacto social, como lojas de cigarros eletrônicos, além de intensificar a fiscalização sobre vendedores que atuam em plataformas de venda e descumprem obrigações tributárias.

A proposta foi recebida de forma positiva por entidades ligadas ao setor musical. O Music Venue Trust, organização beneficente que visa proteger, garantir e melhorar os espaços de música independentes no Reino Unido, classificou a iniciativa como um avanço importante para os pequenos espaços de música ao vivo, embora tenha defendido novas medidas para garantir que todos os estabelecimentos elegíveis tenham acesso ao benefício.

A nova iniciativa também se conecta a outras ações anunciadas recentemente pelo governo britânico para fortalecer a cadeia da música no país. Entre elas, está a transformação de bibliotecas públicas em pontos de empréstimo de instrumentos musicais, medida inspirada na Fundação Ed Sheeran, criada pelo cantor e responsável por financiar projetos semelhantes em bibliotecas e centros para jovens.

A secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, afirmou que o plano tem origem no Greater Manchester Music Plan, estratégia elaborada durante a gestão de Andy Burnham como prefeito da Grande Manchester. Segundo ela, Michael Dugher, nomeado o primeiro embaixador da música do Reino Unido, foi quem desenvolveu uma proposta para reconstruir o setor na região.

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"A ideia era ajudar a reconstruir todo o ecossistema desde a base, porque todo artista começa em algum lugar. E esse 'lugar' praticamente desapareceu nos últimos anos. Este plano se inspira em algo que Andy iniciou anos atrás e do qual tive muito orgulho de fazer parte", declarou Nandy.

Em contrapartida, associações que representam bares, restaurantes e hotéis cobraram uma reforma mais ampla do sistema tributário, argumentando que outros negócios também enfrentam forte pressão financeira.

O corte nas taxas comerciais é a terceira grande medida anunciada por Burnham desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro nesta semana. Nos últimos dias, o governo também confirmou a redução do IVA (Imposto sobre Valor Agregado, tributo sobre o consumo semelhante ao IVA adotado em diversos países) sobre contas de energia residencial e o retorno do teto de £ 2 para tarifas de ônibus na Inglaterra, reforçando a promessa de priorizar políticas voltadas ao custo de vida e ao fortalecimento das economias locais.

Rolling Stone Brasil
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