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Olivia Rodrigo acusa governo Trump de 'brigar com popstars' para desviar atenção

A artista também voltou a comentar o uso não autorizado de sua música em campanha do Departamento de Segurança Interna dos EUA

3 set 2026 - 20h31
Resumo
Em declaração recente, a cantora Olivia Rodrigo acusou o governo de Donald Trump de criar atritos públicos deliberados com estrelas da música pop. Segundo a artista, essa postura combativa contra celebridades é uma estratégia calculada para gerar polêmica na mídia e desviar a atenção pública de questões políticas cruciais e problemas reais enfrentados pelo país, transformando o debate político em espetáculo.

Olivia Rodrigo voltou a criticar publicamente o governo de Donald Trump, dessa vez sugerindo que a estratégia de provocar embates com artistas pop é, na verdade, uma cortina de fumaça. A declaração foi dada em entrevista ao programa Morning Edition, da rádio pública americana NPR, exibido hoje, 3.

Olivia Rodrigo durante seu festival, Daisy Chain Fields
Olivia Rodrigo durante seu festival, Daisy Chain Fields
Foto: Monica Schipper/Getty Images / Rolling Stone Brasil

A cantora relembrou o episódio de novembro passado, quando o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) utilizou a faixa "All-American Bitch", do álbum Guts (2023), em uma publicação que incentivava imigrantes sem documentação a se autodeportarem pelo aplicativo CBP Home. "Ai, meu Deus", disse a artista. "Foi simplesmente horrível ver uma música que escrevi sobre estar presa em uma caixa misógina na qual impomos às mulheres... sendo exposta a essas cenas grotescas e cruéis de batidas da imigração."

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"Olhando para trás agora, acho que essa é uma espécie de ferramenta que eles usam", continuou ela sobre o governo Trump. "Arranjar brigas com estrelas pop é uma ótima distração enquanto eles fazem outras coisas horríveis."

Procurado pela Billboard, o Departamento de Segurança Interna (DHS) reagiu com a mesma nota distribuída em março, quando Rodrigo já havia criticado o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) publicamente: "Os Estados Unidos são gratos o tempo todo aos nossos agentes federais da lei que nos mantêm seguros" e sugeriu que "a Sra. Rodrigo os agradecesse pelo serviço prestado, em vez de menosprezar seu sacrifício"

Rodrigo não é a primeira estrela a sugerir que o verdadeiro motivo para o uso contínuo de músicas de artistas notoriamente liberais e críticas ao governo Trump, como Sabrina Carpenter e Ariana Grande pela administração conservadora é desviar a atenção. Quando faixas populares são utilizadas contra a vontade das vozes por trás delas, a prática é rebatida publicamente, atraindo comentários vexatórios por parte da extrema-direita para as redes dos artistas. Após a Casa Branca utilizar sua música "Big Boy" em um vídeo exaltando a polícia violenta de imigração, SZA escreveu em sua conta no X : "A Casa Branca usar artistas para provocar a raiva em troca de promoção gratuita é o ápice da escuridão".

O próprio DHS admitiu ter provocado desavenças com celebridades para esses fins. "Fizemos este vídeo porque sabíamos que veículos de mídia de notícias falsas... iriam amplificá-lo com entusiasmo", disse um funcionário à Variety em novembro, após protestos de fãs de Taylor Swift, estrela abertamente contra a presidência de Trump, contra o uso da música "The Fate of Ophelia" em um vídeo do TikTok. "Parabéns, vocês caíram na pegadinha."

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Na mesma entrevista, a Rodrigo conectou a polêmica ao festival beneficente que organizou recentemente em prol de causas ligadas à saúde e aos direitos das mulheres. Segundo ela, iniciativas do tipo funcionam como um contraponto direto à sensação de isolamento que esse tipo de disputa tenta provocar. "Acho que as pessoas que querem nos derrubar contam com o fato de nos sentirmos sobrecarregados e sozinhos", disse Rodrigo à publicação sobre o propósito do festival. "Então, acho que um evento onde podemos cultivar essa comunidade cheia de esperança e união é algo realmente muito poderoso nos dias de hoje."

A primeira edição do festival Daisy Chain Fields já foi um sucesso estrondoso. O evento, que ocorreu na California no sábado, 29, arrecadou US$ 20 milhões — metade dos quais provenientes de uma doação dobrada por Melinda French Gates — para instituições de caridade que apoiam mulheres e meninas. Além dos R$ 102 milhões em lucro levantados para as 10 instituições escolhidas, Rodrigo também recebeu apoio dos fãs ao aparecer na capa digital da Rolling Stoneao lado de Chappell Roan, Doechii e Sarah McLachlan, todos integrantes da programação do Daisy Chain.

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Rolling Stone Brasil
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