Josh Bayliss, CEO do Virgin Group, usa o TikTok diariamente como estratégia para entender os hábitos e valores da Geração Z e dos millennials. Aos 53 anos, o executivo atua como observador para captar tendências e demandas sobre justiça social e meio ambiente, essenciais para guiar os negócios do conglomerado. A prática reforça a importância da fluência cultural e do aprendizado contínuo para manter a lealdade à marca, postura também valorizada por líderes de empresas como AT&T e PepsiCo.
Josh Bayliss,CEO do Virgin Group, utiliza o TikTok diariamente como uma ferramenta estratégica para entender as gerações mais jovens. A prática, que vai além do entretenimento, visa captar o pensamento, as preocupações e as potenciais oportunidades de negócio que emergem do comportamento da Geração Z e dos millennials.
Para Bayliss, a cultura contemporânea é moldada por esses grupos demográficos.
Aos 53 anos, Bayliss afirmou que "o espírito do tempo não são as pessoas de 50 anos como eu", em uma entrevista concedida à Fortune e reproduzida pela InfoMoney.Ele enfatiza que são os jovens na casa dos 20 anos que estão definindo a cultura, a qual as empresas têm a obrigação de servir.
Diferentemente de outros CEOs, como Chris Kempczinski do McDonald's ou Ron Vachris da Costco, Bayliss não busca ser parte do conteúdo, mas sim um observador atento das tendências.
Com mais de 49,5 milhões de membros da Geração Z apenas no TikTok, eventos virais possuem o potencial de transformar o comportamento do consumidor rapidamente.
Liderando um conglomerado que inclui uma companhia aérea, rede de academias, grupo hoteleiro, gigante de telecomunicações e turismo espacial, Bayliss considera fundamental monitorar o interesse dos consumidores mais jovens.
Bayliss ressaltou a importância de compreender como a Geração Z e os millennials abordam temas como justiça social, igualdade, inclusão e questões ambientais. Segundo ele, esses são os públicos-alvo, e existe a obrigação de ouvi-los constantemente. Manter-se "com o volume ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana" é, para o CEO, uma necessidade para as marcas interagirem diretamente e se anteciparem às tendências.
Evan Kropp, instrutor da Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade da Flórida, destaca que o público busca marcas socialmente conscientes. Isso implica ir além de hashtags, exigindo a contratação de criadores diversos, escuta ativa ao feedback e acompanhamento das conversas sociais e culturais.
As empresas, incluindo a equipe de mídias sociais da Virgin, estão se inserindo nas discussões online e interagindo diretamente com os usuários.
Empresas que adotam essa "fluência cultural" podem fortalecer comunidades e aprofundar a lealdade à marca, além de evitar equívocos na percepção pública. O fundador da Virgin, Sir Richard Branson, de 76 anos, construiu uma presença significativa nas redes sociais, com mais de 4,9 milhões de seguidores no Instagram, e sempre defendeu a importância da curiosidade e do aprendizado contínuo.
A ex-CEO da PepsiCo, Indra Nooyi, e o CEO da AT&T, John Stankey, compartilham uma visão similar sobre a necessidade de aprendizado constante. Stankey, por exemplo, busca "mentores reversos" — pessoas mais jovens que o auxiliam a compreender o uso da tecnologia e o pensamento das novas gerações.
Ele também adota um método pessoal para se atualizar sobre termos ou tendências desconhecidas em reuniões, pesquisando-as depois com a ajuda de chatbots.