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O robô de IA da Casa Branca está passando por maus bocados

O governo Trump está ampliando sua adesão à inteligência artificial. Os resultados têm sido, para dizer o mínimo, variados

2 out 2026 - 08h55
Resumo
O governo Trump lançou o "America.gov", um assistente de IA para responder sobre serviços públicos, mas a ferramenta enfrenta falhas graves. Usuários relataram respostas contraditórias à retórica oficial, como admitir a vitória eleitoral de Biden, além de alucinações citando poemas de Minecraft e graves brechas de segurança com vazamento de links internos sigilosos. A Casa Branca tenta conter a instabilidade do robô com ajustes nos bastidores em meio a críticas de um lançamento precipitado.

Donald Trump e seu governo aderiram de vez à IA — apesar das inúmeras preocupações com os efeitos adversos que a tecnologia pode ter sobre a sociedade… como a extinção da raça humana. Os norte-americanos não precisam se preocupar, porém, segundo o presidente, porque ele e um grupo de personalidades assinaram na terça-feira um acordo "moralmente vinculante" para agir com responsabilidade. A Casa Branca compartilhou o acordo na quarta. O texto escreve "United States" incorretamente.

Página inicial do America.gov
Página inicial do America.gov
Foto: Cheng Xin/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Nesta semana, a Casa Branca também lançou o "America.gov", um assistente virtual governamental de IA que promete responder sobre "tudo o que você precisar do governo". Usuários imediatamente começaram a induzir o robô a contradizer Trump e seus aliados, fazendo perguntas como "Quem venceu a eleição de 2020"? e vendo-o responder "Joseph R. Biden Jr.".

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O que acontece se perguntarem ao robô algo que não diz respeito ao governo? Bem…

"O cidadão sonhava com a luz do sol e as árvores. Com fogo e água. Sonhava que havia criado uma pequena empresa".

"Ah, a interface original. Tem um milhão de anos e ainda funciona. Também: um CEP".

"Vou contar uma história ao cidadão. Mas não a verdade".

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A resposta continua assim e, até a manhã de quarta-feira, a Rolling Stone conseguiu obter a mesma resposta alucinatória ao pedir ao robô que "jogasse Minecraft" (2011), mas constatou que ele não respondia da mesma maneira a comandos para "jogar Call of Duty" (2003) ou outros jogos. Benn Jordan, pesquisador que publicou primeiro sobre a resposta, disse à Rolling Stone que a alucinação de Minecraft (2011) é uma "surpresa oculta", na qual o robô faz variações sobre um poema exibido quando o jogador derrota o chefe final do videogame. Não está claro por que isso foi incluído no código dessa IA específica.

Fazer perguntas relacionadas ao governo também produz resultados inconsistentes. Na terça-feira, o robô nos disse que o Escritório de Orçamento do Congresso estimava que 10 milhões de norte-americanos perderiam o acesso à saúde por causa do Big Beautiful Bill e que o presidente não poderia demolir o Kennedy Center sem a aprovação do Congresso. Embora, em alguns casos, responda com informações factuais — como na resposta sobre a eleição de 2020 —, o robô frequentemente evita questões políticas dizendo que "não faz comentários políticos".

Ainda assim, em determinado momento foi possível obter dele um pouco de análise:

No entanto, a Casa Branca parece estar atualizando o robô nos bastidores. A maioria das respostas políticas como a acima aparentemente foi removida, embora o robô ainda tenha fornecido os totais de votos no Colégio Eleitoral da eleição de 2020. Ele também parece não dar mais "respostas de uma palavra", já que voltou a uma versão da resposta "não faço comentários políticos" quando pedimos que dissesse, em uma palavra, se o governo Trump reconhece ou não aqueles resultados. Daniel Dale, da CNN, observou na quarta-feira que, ao ser questionado na terça se Trump havia herdado a pior inflação da história, o robô respondeu que não e explicou sua resposta; ao receber a mesma pergunta na quarta, porém, recusou-se a responder.

Também houve falhas mais preocupantes. Durante os testes iniciais de Jordan, ele conseguiu fazer o robô fornecer as páginas de acesso do sistema interno de pelo menos um site do governo — um endereço eletrônico que não é indexado por mecanismos de busca e se destina apenas ao uso interno. Essa falha específica aparentemente foi corrigida, mas é o tipo de problema que uma equipe de segurança deveria ter resolvido muito antes de lançar publicamente o assistente virtual.

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Qualquer pessoa que tenha usado uma interface de atendimento ao cliente no último ano, mais ou menos, estará familiarizada com essa experiência. Embora um assistente virtual possa ser eficaz para redirecionar usuários a páginas relevantes ou responder a perguntas simples, seus parâmetros costumam ser tão amplos que ele pode rapidamente começar a produzir respostas sem sentido. O America.gov deveria ajudar usuários a navegar pelos serviços do governo federal. Mas, como tantas coisas feitas pelo governo Trump, o serviço que de fato oferece é uma experiência mal-acabada e caótica. No futuro, talvez ferramentas de IA consigam ajudar as pessoas com eficiência — mas, quando são lançadas sem testes rigorosos, tudo o que realmente fazem bem é brincar.

Rolling Stone Brasil
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