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O Brasil que o BTS fez questão de trazer pro palco

Depois de sete anos de uma espera angustiante, o grupo voltou ao Brasil pra matar a saudade em dias de muito caos e emoção à flor da pele

4 nov 2026 - 13h41
Foto: Billboard Brasil

Depois de longos sete anos de pura ansiedade e teorias, o BTS finalmente pisou em terras tupiniquins de novo. E eu tava lá! O grupo escolheu São Paulo pra encerrar a etapa sul-americana da turnê Arirang com três shows históricos. E, sinceramente? A army que habita em mim ainda tá tentando processar tudo o que viveu. 

A narrativa do show é linda demais: destaca a identidade de cada um dos sete e ainda puxa a gente pra dentro da cultura coreana. Até a música típica pré-show, que substituiu a tradicional playlist de clipes no telão, já colocava todo mundo no clima horas antes das luzes se apagarem. 

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E a energia da plateia? Sem palavras. Olhar pro lado e ver criancinhas, adolescentes e mulheres maduras chorando, gritando, dançando e surtando juntas, desde a espera na fila até a queima de fogos da última música, me fez lembrar por que esse fandom é tão único. 

Foto: Billboard Brasil

Ver eles cantando treze das quatorze músicas do álbum novo ao vivo foi surreal. Ainda mais quando tocaram os hits clássicos como MIC Drop, FAKE LOVE, Butter e Not Today. Faltou pouco pro Morumbis vir abaixo, porque, a cada música, o coro da platéia ficava cada vez mais forte e mais alto. Se foi emocionante pra mim participar desse momento, eu nem imagino como deve ser pra eles verem tanta gente cantando junto. 

Agora, falando sério: quando puxaram as músicas surpresas, o coração quase parou. A coincidência (ou não) da temática política em Baepsae, Black Swan, Ddaeng e CYPHER pt.3: Killer foi de arrepiar. Sem contar Airplane pt.2 e I NEED U, que têm aquele carinho e histórico especial com a gente. 

Outro detalhe que me deixou genuinamente admirada foi o respeito deles com o nosso país. Em cada parada da América Latina eles trouxeram elementos locais, mas aqui no Brasil foi emocionante. Em todos os dias, era possível ver o j-hope, Jung Kook e Jimin dançando passinhos de funk e o passinho do Jamal em momentos de descontração no palco. No segundo dia, usaram as pulseiras Kene Kuĩ — tradição sagrada do povo Huni Kuĩ, da Amazônia, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. No terceiro dia, RM e Jin usaram cocares (respeitando até a hierarquia de uso das lideranças originárias!), enquanto os outros cinco vestiram a camisa da Seleção. Sem contar que entre os bottons que o SUGA usou, estava outro personagem muito importante da cultura negra brasileira: o Zé Pilantra. E podem até dizer que ele não sabia quem era, mas uma coisa que não é falha na equipe do BTS, é a produção. Então eu só posso ver todas essas escolhas como um aceno gigante à nossa história e cultura.

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Foto: Billboard Brasil

E o charme deles falando português? Os Bangtan Boys falaram "tá bom", "galera", "tankando" e até o V puxou até o lendário "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A cada expressão, o estádio explodia em sorrisos e gritos. 

Sabendo que a HYBE já confirmou que os sete já estão produzindo músicas novas e que vão seguir em turnê nos próximos meses, a esperança é uma só: que eles não demorem mais sete anos pra voltar. Será que 2027 vem aí? Por favor, eu já tô pronta!

Mas nem tudo foram flores: filas, caos e o corre da B-ARMY 

A história do B-Army com o BTS vem de longe, lá daquele fan meeting em 2014. De lá pra cá, eles já vieram cinco vezes, com a última passagem reunindo 90 mil pessoas. Mas desta vez foi gigante: a SPTuris previa mais de 250 mil pessoas nos três dias, mas o Vivo GeoSense registrou uma média de 126.840 pessoas circulando na região e no estádio por dia de show, um número muito acima do previsto, de acordo com os números de ingressos disponibilizados e informados no site da Ticketmaster. 

O ARMT, fã de BTS, é apaixonado, mobilizado e faz a diferença na sociedade, basta ver os projetos do Army Help The Planet e a doação histórica de 1 milhão de dólares pro Black Lives Matter em 2020. Mas se a gente se mexe por causas sociais, quando mexem com os nossos direitos de consumidor, provamos porque somos uma força imbatível.

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Foto: Billboard Brasil

Quem acompanhou a saga de confusões pré-show, sabe que fomos testadas. O absurdo do "setor calçada", a ausência dos 12 telões prometidos no palco original, o mutirão de denúncias no Procon por propaganda enganosa e a suspeita gravíssima de superlotação do Morumbis, com fãs que pagaram ingresso e ficaram do lado de fora, deixaram uma mancha amarga numa festa que era pra ser perfeita. 

O B-ARMY deu uma verdadeira aula de organização. Já tem vários grupos de WhatsApp que se organizaram e estão cobrando os órgãos de defesa do consumidor pra punir os responsáveis e garantir que, nos próximos shows do BTS (e de qualquer outro artista), haja transparência real sobre a estrutura oferecida, limite de ingressos e preparo da equipe de produção. Afinal, amamos o grupo com todas as forças, mas também sabemos exigir o respeito e a qualidade que pagamos pra ter. 

Fonte: Sonora Sonora
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