O álbum que mostra como o AC/DC, na verdade, não se repete

Disco marcou a entrada de Brian Johnson como vocalista e continua até hoje o mais bem-sucedido comercialmente da história do rock

23 abr 2026 - 08h38

*Texto publicado na revista especial AC/DC — Rolling Stone Brasil || Banda vai além de integrantes e a história do AC/DC comprova. Sem amigos e familiares na busca de convencer do contrário, o grupo teria acabado com a morte de Bon Scott. O pai do cantor foi determinante para fazer a mente dos Young. "Ele nos disse para continuar, pois éramos jovens e estávamos prestes a alcançar o sucesso", contou Angus à revista Classic Rock.

Pragmáticos, os irmãos iniciaram audições para novo vocalista logo após o funeral de Scott, em 1º de março de 1980. Menos de um mês depois, efetivaram Brian Johnson. Trabalharam no próximo álbum entre abril e maio. Em 25 de julho, menos de um semestre após perder Bon, Back in Black (1980) já estava nas lojas dos EUA.

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Nada de correria. Havia pressão, mas rolou naturalmente. Algumas músicas já existiam em demos (Scott toca bateria em versões iniciais de "Let Me Put My Love into You" e "Have a Drink on Me") ou ideias, e os Young estavam inspirados ao conceber o restante. Johnson caiu como uma luva. Repetir o polido e perfeccionista Mutt Lange na função de produtor se mostrou uma boa decisão.

Até gravar em um local nas Bahamas que mal parecia um estúdio (Compass Point Studios) na época de fortes tempestades foi um acerto: as condições climáticas destravaram um bloqueio criativo de Brian, levando aos versos iniciais de "Hells Bells" com menções a trovão, chuva, furacão e relâmpago. Após tudo dar errado, tudo deu certo.

O resultado é o álbum mais comercializado da história do rock, com 50 milhões de cópias a nível global, e um dos trabalhos mais influentes de todos os tempos. Back in Black virou modelo para inúmeras bandas de som pesado, a ponto de inspirar diretamente o Metallica no Black Album (1991), o recordista de vendas do heavy metal.

Ouça as 10 faixas aqui reunidas para entender tamanho sucesso. Quem brada sobre o AC/DC soar repetitivo nunca escutou Back in Black com atenção. O peso e a cadência de "Hells Bells" contrastam com o perfume soul de "Let Me Put My Love Into You". "Shoot to Thrill" tem variação de clima com sua "queda" no meio. "You Shook Me All Night Long" é quase balada, mas sem perder o balanço. E, claro, a faixa-título "Back in Black" compila todos os elementos que tornam este grupo irresistível: riffs cortantes, solos surpreendentemente melódicos, groove amarradíssimo e vocais gritando letras no limiar da arrogância. Eles voltaram — e, conforme antecipado no verso "esqueça o velório pois jamais morrerei", nunca mais nos deixaram.

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Foto: Rolling Stone Brasil
Rolling Stone Brasil
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