Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da produção cinematográfica brasileira, morreu nesta quarta, 22, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, estava internado no Hospital Copa Star, onde tratava uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. A informação foi confirmada pela família. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, participou de mais de uma centena de produções, entre filmes, documentários e coproduções, tornando-se figura central na consolidação do cinema brasileiro dentro e fora do país.
Nascido em Sobral, Ceará, em 1928, Barreto iniciou a trajetória profissional como fotojornalista na revista O Cruzeiro antes de migrar definitivamente para o cinema. A aproximação com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, durante as filmagens de Barravento (1962), abriu caminho para a participação em obras fundamentais do Cinema Novo, como Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967), marcos da cinematografia nacional.
Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas, responsável por alguns dos maiores sucessos da história do cinema brasileiro. Entre eles, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) — que permaneceu por décadas entre as maiores bilheterias do país —, além de Bye Bye Brasil (1980), Menino do Rio (1982), Memórias do Cárcere (1984) e Como Era Gostoso o Meu Francês (1971). Também ajudou a levar o Brasil duas vezes à disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional, com O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigidos por seus filhos Fábio Barreto e Bruno Barreto, respectivamente.
Barretão deixa a esposa Lucy Barreto, com quem foi casado por mais de sete décadas, além dos filhos Bruno e Paula, netos e bisnetos. O velório será realizado nesta quinta, 23, no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação ocorrerá posteriormente no Memorial do Caju, no Rio de Janeiro.
Reconhecido por defender o cinema como ferramenta de transformação cultural, Luiz Carlos Barreto atravessou diferentes fases da indústria audiovisual brasileira, do Cinema Novo à retomada do setor nos anos 1990. Mesmo nos últimos anos de vida, continuava envolvido em projetos ligados ao audiovisual, incluindo novos documentários sobre a própria trajetória e produções ainda inéditas, consolidando um legado que influenciou gerações de cineastas e ajudou a projetar o cinema brasileiro internacionalmente.