Roger Waters quis sair do Pink Floyd após criar um dos discos mais vendidos

O estrondoso resultado comercial de The Dark Side of the Moon gerou a sensação de fim da linha artística para o baixista Roger Waters.

22 out 2026 - 18h26
Resumo
O estrondoso sucesso de "The Dark Side of the Moon" (1973) alçou o Pink Floyd ao estrelato global, mas gerou em Roger Waters a sensação de que a banda havia atingido um teto insuperável, tornando o futuro musical vazio. Sentindo que os objetivos do rock'n'roll haviam se esgotado após o ápice comercial e financeiro, o baixista considerou que era o fim da linha. Contudo, esse desânimo acabou canalizado no rigor conceitual de clássicos posteriores, como "Wish You Were Here" e "Animals".
Roger Waters quis sair do Pink Floyd após criar um dos discos mais vendidos
Roger Waters quis sair do Pink Floyd após criar um dos discos mais vendidos
Foto: The Music Journal

A consagração comercial e crítica de The Dark Side of the Moon, disponibilizado em 1973, alçou o Pink Floyd ao posto de gigante da música internacional. Com números que o colocam entre os discos mais comercializados da história e uma permanência de mais de dez anos nas paradas, a obra gerou uma reação inesperada em Roger Waters: a impressão de que a caminhada do quarteto tinha chegado a um teto insuperável, segundo apontamento da Far Out Magazine.

Essa fase gloriosa sucedeu anos de turbulência interna no Pink Floyd. A saída de Syd Barrett, que esteve à frente da criação inicial até perder as condições físicas de realizar apresentações ao vivo, levou à entrada de David Gilmour nas guitarras e vocais. O movimento parecia apenas uma solução provisória no instante em que Roger Waters procurava se consolidar como líder.

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A busca por uma direção artística mais sólida começou a frutificar com o lançamento de Echoes, canção responsável por distanciar a formação do rótulo de space rock. A partir desse avanço, a banda passou a apostar em estruturas harmônicas diretas convertidas em ricas experiências sonoras, confrontando os padrões habituais do rock progressivo. Esse esforço conjunto de criação em estúdio, ilustrado de maneira contundente na faixa Time, rendeu aclamação artística e retorno financeiro extraordinários.

O sentimento de esgotamento e os desdobramentos na discografia

Para o baixista, todavia, alcançar esse topo provocou um vazio instantâneo quanto ao futuro da música feita pelo grupo britânico. Roger Waters descreveu o impacto daquele momento:

"Acho que foi quando o Dark Side of the Moon fez tanto sucesso que chegou ao fim. Era o fim da linha. Tínhamos alcançado o ponto que todos almejávamos desde a adolescência e não havia mais nada a fazer em termos de rock'n'roll. Dinheiro e adulação...

bem, esse tipo de vendas é o sonho de toda banda de rock'n'roll. Algumas bandas fingem que não, é claro."

Ainda que David Gilmour também sentisse apreensão em relação aos rumos seguintes, as marcas deixadas por esse ápice foram transformadas em combustível lírico e estético para os álbuns posteriores, Wish You Were Here e Animals.

Sob a visão de Roger Waters, como novos recordes de vendas já não pareciam viáveis, restou o foco no rigor conceitual e em composições cada vez mais elaboradas.

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